Não faz muito tempo que escrevi aqui no #Colabora sobre a necessidade de saudarmos, ainda em vida, a trajetória de brasileiros que doavam-se ao paÃs como missão. Na ocasião, tratava-se de homenagear Danilo Miranda, diretor do Sesc, em São Paulo, que acabara de falecer. Refaço, aqui, o mesmo caminho, agora olhando para frente: é preciso falar de Padre Júlio Lancellotti.
Arregimentando católicos e não católicos, apenas pelo caráter humanitário de suas ações, Lancellotti figura como um desses pares, capazes de pertencerem à s listas dos mais célebres dos últimos tempos. Em São Paulo, um ser ativo há décadas, mas que só durante a pandemia da Covid-19, por abrir as portas das igrejas para ajudar quem mais necessitava, fez o paÃs parar, olhar e adentrar ao espaço santo por suas mãos.
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Na figura do padre, mais que um orientador para a fé. Atento à s principais questões do paÃs, Júlio está na linha de frente das discussões que acontecem, com uma visão clarificada sobre o que verdadeiramente precisamos para mitigar as desigualdades. Em especial e sobretudo, para reparar o abismo que nos afasta de pessoas em situação de rua e dependentes quÃmicos, de quem o Padre se tornou melhor amigo por ser, em muitas vezes, quem os acolhe.
Quando a polÃcia paulista baixou aos cassetetes – como sempre – na Cracolândia, foi ele o primeiro a ir à imprensa e dizer aquilo que ninguém quer. “A Cracolândia existe porque é um negócio rentável. Infelizmente a gente tem que, sem atacar ninguém, sem generalizar, sem dizer que são todos, mas há muito acordo, a Cracolândia funciona em cima de acordos, em cima de lucro, em cima de ganho”, afirmou em entrevista a Leilane Neubarth, da GloboNews.
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Veja o que já enviamosPor atuar na urgência de quem precisa, o coordenador da Pastoral do Povo da Rua será investigado na CPI das ONGs, que tramitará na Câmara Municipal de São Paulo a partir de fevereiro, com o inÃcio do ano legislativo. A autoria do projeto é do vereador Rubinho Nunes (União Brasil).
Em resposta, a Arquidiocese de São Paulo afirmou ter visto âcom perplexidadeâ a figura de padre Júlio Lancellotti ser alvo de uma CPI. âJúlio exerce o importante trabalho de coordenação, articulação e animação dos vários serviços pastorais voltados ao atendimento, acolhida e cuidado das pessoas em situação de rua na cidadeâ, diz a nota do órgão da Igreja Católica.
Já o padre, mais uma vez, fez questão de pontuar o real motivo de ser citado. ââCriminalizar trabalho com população de rua e dependência quÃmica é tentar tirar o foco da questão da Cracolândia’â.
Patriotismo é quando se diz a verdade para o poder. O padre é um dos maiores patriotas.
