Cidades em defesa de energia limpa

Painéis solares em terminal marítimo de Bruxelas: cidades em campanha por energia renovável (Stephanie Lecoqu/AFP – 16/09/2020)

Durante a pandemia, muitos países bateram recordes de consumo de energias renováveis, demonstrando a viabilidade de uma alternativa sustentável

Por José Eduardo Mendonça | ODS 11ODS 7 • Publicada em 12 de abril de 2021 - 09:02 • Atualizada em 14 de abril de 2021 - 09:05

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Painéis solares em terminal marítimo de Bruxelas: cidades em campanha por energia renovável (Stephanie Lecoqu/AFP – 16/09/2020)

Cidades têm hoje de 15% a 25% menos renda depois da crise da Covid-19, e a queda chega a 65 % na África. Pesquisa da Brooking Institution comparou seis cidades competitivas há seis anos, e retornou a estas cidades para observar como estão diminuições locais do coronavírus.

O que se viu foi que elas mostram eficácia desproporcional em três áreas: produtividade, empregos e crescimento. De lockdowns nacionais a fronteiras fechadas, a pandemia atingiu as cidade de modo severo.

Para tratar do cenário, em uma reunião virtual em meados de março, a Climate Adaptation Summit, os prefeitos de Miami, Paris e Rotterdam se uniram ao Instituto Mundial de Recursos (WRI), ao Centro Global de Adaptação e a mais de trinta cidades, governos e ONGs para o lançamento da iniciativa 1000 Cities Act Now.

Durante a pandemia do Covid-19, as medidas de resposta para a contenção do vírus resultaram em mudanças de padrões de consumo em cidades e países no mundo. As energias renováveis tiveram uma parcela maior de demanda de energia que o usual, e muitos países bateram recordes de energia limpa, demonstrando sua viabilidade.

O mundo tem agora uma oportunidade sem precedente de acelerar a transição dos combustíveis fósseis para a energia renovável. Há que se tomar agora decisões inteligentes para garantir que pacotes de estímulo sejam projetados para realizar esta oportunidade, em vez de beneficiar as empresas de combustíveis fósseis.

Estes pacotes levarão a uma volta ao trabalho mais rapidamente, incentivarão a economia e criarão condições de vida melhores para garantir que estes benefícios se tornam realidade.

A alteração nos padrões de demanda durante períodos de resposta emergencial trouxe novas percepções, evidências e argumentos do que as cidades podem fazer para defender a energia limpa localmente, e defender seu uso junto a investimentos do setor por governos e concessionárias de eletricidade.

Os projetos de energia limpa são investimentos competitivos e estáveis. Governos têm uma oportunidade imperdível de investir enquanto juros estão baixos por conta da pandemia. Além disso, as renováveis são hoje a forma mais barata de energia na maioria dos países.

A viabilidade de um sistema flexível já foi provada. Desde o começo da pandemia, a energia limpa tem se dado melhor que qualquer outra fonte de energia com a mudança nos padrões de demanda. Ao contrário do que dizem os defensores dos combustíveis fósseis, a energia limpa pode apoiar uma grade elétrica sem base neles.

Mais de 1.300 cidades estabeleceram metas ou introduziram políticas para incentivar energia renovável até o final de 2040, e os esforços para estabelecer proibição total ou parcial de diesel e gás quintuplicaram.

As cidades respondem por 55% da população global, mas usam 75% da energia e são responsáveis por 75% das emissões de dióxido de carbono.

A iniciativa 1000 Cities Adapt Now vai focar na resiliência das fontes de água e usar sistemas naturais para o cenário urbano, usando a recuperação pós-pandêmica para incentivar meios de adaptação aos riscos crescentes da mudança do clima

De acordo com o relatório da Adapt Now, os investimentos em adaptação trazem margens de lucros mais alta, com as taxas de custo/benefício entre 2:1 e 10:1. Além disso, quando comparados aos investimentos tradicionais, os investimentos em adaptação criam mais empregos, muitos dos quais em nível local.

Em 2020, incêndios naturais, enchentes e tempestades criaram mais de 200 bilhões de dólares no mundo, de acordo com a empresa de resseguros Munich Re.

José Eduardo Mendonça

Jornalista com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo. Criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de reportagens sobre energia limpa. Nos últimos anos vem se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade.

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