Apesar dos benefÃcios ambientais e sociais já comprovados pelas experiências de produção dos sistemas agroflorestais, ainda há inúmeros desafios para sua implementação. Entre eles, a mão de obra, como observa o professor de engenharia florestal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Eduardo Vinicius da Silva. âNo começo do sistema agroflorestal, a intensidade de mão de obra é muito grande. à medida que o sistema vai evoluindo, as culturas vão se desenvolvendo, as árvores vão crescendo, o sistema vai ficando mais sombreado e a mão de obra mais especializadaâ, explica.
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Isso significa, segundo ele, que, com o passar do tempo, o produtor terá o desafio de manejar o sistema sombreado e lidar com a diversidade de espécies em uma mesma área. âà preciso entender que cada espécie tem o seu espaço dentro do sistema e seu tempoâ, diz. Â
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Veja o que já enviamosNo caso de comunidades do MST, é muito comum que os agricultores se formem técnicos agrÃcolas pela Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no Assentamento Contestado, no municÃpio da Lapa (PR) e onde os cursos funcionam em parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR). Após a especialização, os estudantes voltam para suas comunidades capacitados para auxiliar nas transições agrÃcolas mais compatÃveis ao contexto local.Â
Eduardo VinÃcius destaca cinco pontos essenciais para o planejamento da transição agroflorestal:Â
1 – Planejamento dos sistemas agroflorestais deve ser compatÃvel com realidade do produtor local: além de utilizar espécies adaptadas à quela condição climática, compreender que a necessidade de um produtor da região Sudeste é diferente da necessidade de um produtor na Amazônia;Â
2 – Priorizar manejo do solo conservacionista: preparo de solo localizado em vez de área total, sempre coberto, principalmente com resÃduo, com biomassa de culturas;
3 – Ter espécies leguminosas no sistema: sejam elas herbáceas, arbustivas ou árvores, as espécies leguminosas são capazes de produzir um resÃduo de melhor qualidade, principalmente para a fixação biológica de nitrogênio;
4 – Valorizar ao máximo o produto dos sistemas agroflorestais: investir na qualidade e beneficiamento dos produtos que são carro chefe dos sistemas, como café, açaà ou madeira, para gerar sustentabilidade financeira;
5 – Não deixar produtor sem renda: desde o inÃcio da implantação, o sistema deve dar retorno ao agricultor.Â
O agricultor Jonas Souza, um dos mais antigos da comunidade José Lutzenberger, conta como foi a adaptação inicial ao trabalho para cultivar uma agrofloresta:
“No inÃcio da implantação, foi um pouco mais difÃcil porque exige mais esforço, mas depois do perÃodo de desenvolvimento, de manejo, diminuem tanto o tempo de trabalho quanto o investimento”, diz.Â
https://youtu.be/lDgjf9-GucM
