Com a participação de delegações de 197 paÃses, a 25ª Conferência do Clima da ONU (COP 25), começou semana passada em Madri, depois de duas recusas em ser sua sede, do Brasil e do Chile. A substituição do termo Mudanças Climáticas por Emergência Climática no léxico dos especialistas, governos e negociadores, é que vai dar o tom de urgência para essa COP, imprimindo maior pressão sobre posicionamentos dos paÃses em assumir seus compromissos.
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Veja o que já enviamosAs expectativas sobre nós são altas tanto pelo atual momento em que os olhos de todo o mundo estão direcionados para a Amazônia, que este ano teve aumento no volume das queimadas e desmatamento, quanto pelo fato de o  Brasil ser um dos principais paÃses que tem um posicionamento contrário ao fechamento do artigo 6  do Livro de Regras do Acordo de Paris, que prevê a criação de mecanismos financeiros que viabilizem negociações de crédito de carbono.
Se no âmbito governamental as negociações na COP ainda estão distantes de viabilizar o que foi estipulado como meta no acordo de Paris, que é de conter o aumento da temperatura global em 1.5º graus Celsius na próxima década, já o setor empresarial vem tendo maior compreensão sobre essa agenda, e as exigências que ela faz tanto na identificação dos impactos dos riscos climáticos sobre os negócios, como também na precificação interna do carbono.
A questão-chave é como regulamentar esse mercado de carbono de modo a assegurar que a contabilidade transacionada nesse mercado reflita exatamente o que foi emitido e removido da atmosfera em mecanismos passados â evitando, assim, a âdupla contagemâ de créditos nas transações entre paÃses e entre empresas. Uma mesma redução de emissão não pode ser descontada das metas do paÃs que comprou e do que vendeu, garantindo assim a integridade climática.
O setor empresarial entende a precificação de carbono como ferramenta necessária para o cumprimento do Acordo de Paris, além da atração de investimentos, tanto no que se refere a um mercado nacional quanto em âmbito global, e vem trabalhando paralelamente nessas duas esferas para maximizar as oportunidades que ambas oferecem.
O governo brasileiro tem em Madri uma boa oportunidade de mostrar flexibilidade e consolidar posição consonante com o setor empresarial para a implementação de mecanismos eficientes para negociação de carbono, alterando sua posição em relação ao artigo 6. Ao mesmo tempo, tem sobre si cobranças globais para apresentar de maneira clara qual o custo da preservação da Amazônia, ou seja, o custo de manter a floresta em pé e prover as populações que lá residem com alternativas de renda que podem vir a partir da bioeconomia, entre outras atividades que valorizem o uso sustentável da floresta.
São, sobretudo, nas alternativas da bioeconomia, da chamada Amazônia 4.0, que residem as expectativas de um desenvolvimento socioeconômico ambiental de comunidades locais, a partir de experiências já bem-sucedidas nas áreas de cosméticos, fármacos e até de energia. Exemplos como o de uma empresa que utiliza o caroço do açaà para gerar energia, justamente o açaÃ, exemplo de sucesso, que ganhou mundo e que tem sua área plantada valorizada em mais de cinco vezes em comparação com uma área destinada à pecuária, por exemplo.
E são nestas alternativas de manejo da floresta para mantê-la em pé, que reside boa parte das expectativas brasileiras de redução de emissões de carbono, a partir de um combate ao desmatamento ilegal e redução gradual do desmatamento legal. O arcabouço legal, no combate ao desmatamento ilegal e na criação de uma governança climática robusta, é o que permitirá ao paÃs atrair investimentos e aproveitar suas vantagens competitivas.
Ao longo dos últimos dois anos, o CEBDS, que reúne 60 das maiores empresas do PaÃs, vem articulando em diversas esferas do governo, formas de implementação do mercado de carbono, levando propostas efetivas à s autoridades para uma regulamentação que permita transição gradual entre os mecanismos de negociação e também proporcione ao Brasil assumir seu protagonismo evidente neste mercado global, devido à s suas vantagens competitivas, como a maior base de energia renovável em sua matriz energética, ou mesmo por conta das possibilidades oferecidas pela Amazônia.
Se bem estruturado este mercado, a precificação poderia ser um impulsionador para alavancar investimentos em tecnologias de baixa emissão, trazendo desenvolvimento local e boas práticas socioambientais. Ter em mente que o mercado global de carbono é altamente vantajoso para o Brasil, e que ele pode proporcionar evolução e crescimento da economia, e atração de investimentos, é essencial para qualquer negociador brasileiro nesta COP.
