A trajetória de vida da carioca Denise Taynáh Leite, hoje com 74 anos, é contada no segundo episódio de âLGBT+60: Corpos que Resistemâ, websérie do #Colabora que chegou em sua terceira temporada. A ativista aborda temas como violência familiar, sua relação com o carnaval e a arte, seus sete filhos, além do emocionante momento em que se entendeu mulher.Â
Aos seis anos, Denise já sentia atração por roupas femininas. Sentindo-se culpada, se confessava aos domingos na igreja: âEu não sabia o que acontecia comigoâ. O pai já percebia a diferença de Denise em relação aos outros meninos e a castigava. Um dia ao achar que ela estava âdesmunhecandoâ, pegou o martelo e atingiu sua mão. Até hoje ela não consegue movimentar bem um dos dedos. Assista abaixo.Â
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Veja o que já enviamosAntes da transição, Denise Taynáh levava uma vida agitada, de bailes, carnaval e futebol. Durante essas décadas, foram sete filhos, cada um com uma mulher. Justamente por ser uma pessoa muito benquista, tinha medo de como seria a reação da famÃlia e colegas: âTeve uma época inclusive que eu pensava em suicÃdio, porque eu não entendia porque eu tinha esse corpoâ.
Em 2001, aos 52 anos, Denise se associou ao Brazilian Crossdresser Club. Clube virtual com encontros presenciais anuais. Depois, começou a fazer apresentações homenageando Zezé Motta e Elza Soares na Turma OK, considerado o clube LGBT+ mais antigo do mundo. Mas Denise ainda não existia para as pessoas durante o dia, apenas nos palcos. Foi no final de 2008 que ela toma a decisão de iniciar a transição de gênero. âEu entendo que eu sou feliz assim. O meu prazer é estar feminina. Hoje, Denise Taynáh é secretária-executiva do Conselho Estadual de PolÃticas LGBT+ do Estado do Rio de Janeiro e sonha em ajudar que as pessoas tenham mais condições de qualidade de vida.
A série
A premiada websérie do #Colabora âLGBT+60: Corpos que Resistemâ, que já soma mais de 2 milhões de views nas plataformas digitais, retorna em sua terceira temporada com cinco novos episódios repletos de histórias inspiradoras que revelam a trajetória de vida e celebrações de brasileiros LGBT+, que vivem a terceira idade em sua plenitude. Os episódios â dirigidos e roteirizados por Yuri Alves Fernandes â contam as nuances e conquistas por trás da vida da ativista Denise Taynáh Leite, de 74 anos; do jornalista Márcio Guerra, de 63 anos; da influenciadora Ana Apocalypse, de 65 anos; da drag queen Luiza Gasparelly, de 60 anos; e do aposentado Seu Franco, de 67 anos. A produção é da Vintepoucos e coprodução da RioFilme. Os episódios já estão disponÃveis no nosso canal do YouTube e nas redes sociais.Â
Conheça os outros episódios de âLGBT+60â
Episódio 1: Ana Carolina ApocalypseÂ
Verdadeiro fenômeno na internet, a paulistana Ana Carolina tem mais de 100 mil seguidores e comemora seu aniversário de 65 anos. Ela relata aspectos da sua transição de gênero, realizada a partir dos 59 anos, quando assistiu a novela âA Força do Quererâ, que trouxe pela primeira vez à teledramaturgia brasileira um processo de transição. Ana aborda ainda a relação com a filha, o sonho realizado em colocar silicone e sobre o preconceito que sofre no ambiente virtual. âNunca é tarde para ser felizâ, celebra.
Episódio 3: Márcio Guerra
A história de amor e de coragem do jornalista Márcio Guerra, de 63 anos, nascido e criado em Juiz de Fora, também é um dos destaques da série. Há dois anos, Márcio e o seu companheiro de três décadas, Flávio, adotaram o jovem Phellipe. Hoje, a famÃlia vive unida, num ambiente de amor e acolhimento. Além da adoção tardia, Márcio reflete sobre as novas descobertas com a paternidade na terceira idade: âEu renasciâ.Â
Episódio 4: Seu Franco
Seu Franco é um homem trans negro, de 67 anos, nascido em Porto Alegre, que saiu de casa aos 13 para morar nas ruas por não se sentir aceito. Aos 17, foi tomando consciência da sua identidade de gênero, mas somente anos depois se entendeu e se aceitou como uma pessoa transmasculina ao assistir uma entrevista com João Nery (convidado da primeira temporada de LGBT+60) na televisão. No quarto episódio, ele revela os bastidores da tão sonhada mastectomia masculinizadora, realizada aos 66: âÃs vezes eu nem acredito, agora eu posso dizer que estou completoâ.Â
Episódio 5: Luiza Gasparelly
No último episódio, a drag queen carioca Luiza Gasparelly, de 60 anos, relembra como se entendeu como um homem gay e artista e suas vivências fora do paÃs. Além disso, revela a perseguição e o preconceito contra as travestis e drag queens na ditadura, apresentações icônicas, a descoberta do HIV e conquistas tanto afetivas quanto profissionais de uma carreira nos palcos que ultrapassa quatro décadas. âEu não tinha uma missão. Eu tinha a minha vidaâ.Â
A terceira temporada da série âLGBT+60+ Corpos que Resistemâ é resultado do programa de Fomento do Audiovisual Carioca 2022, gerido pela RioFilme, órgão vinculado à Secretaria de Governo e Integridade Pública (Segovi) da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
Ficha Técnica:
Roteiro e direção: Yuri Alves Fernandes
Codireção e Direção de fotografia: Gab Meinberg
Captação: Gab Meinberg, Le Jorge e Guilherme Maia
Produção Executiva: Giulia da Graça
Assistente de Produção: Tatiana Coelho
Som: Felipe Gali
Drones: Hugo Rodrigues, Diego Quetz e Vinicius Meirelles
Montagem: Giulia da Graça
Assistência de Montagem: Gabriel Melo
Finalização: Gab Meinberg
Desenho de Som/Mixagem: Felipe Gali e Caudo Feitosa
Pesquisa: Yuri Alves Fernandes
Arte Conceitual: Danilo Torres
MÃdias Sociais: João Pedro Boaretto e Allana Gana
Produtora: Vintepoucos
Coprodutora: RioFilme
Apoio: Marins â Projetos e Soluções
Veiculação: Colabora â Jornalismo Sustentável
Assessoria: Prisma Colab
