Paliativistas se tornam essenciais na pandemia

Profissionais ajudam no controle dos sintomas da covid-19, principalmente a falta de ar. 'Tem muitos casos em que conseguimos evitar intubação com manejo de secreção e uso de medicamentos'

Por Joana Suarez | ODS 3 • Publicada em 18 de janeiro de 2021 - 08:55 • Atualizada em 22 de janeiro de 2021 - 11:05

Profissionais de saúde em UTI: cuidados paliativos são importantes para doentes graves. Foto Unsplash

Profissionais de saúde em UTI: cuidados paliativos são importantes para doentes graves. Foto Unsplash

Profissionais ajudam no controle dos sintomas da covid-19, principalmente a falta de ar. 'Tem muitos casos em que conseguimos evitar intubação com manejo de secreção e uso de medicamentos'

Por Joana Suarez | ODS 3 • Publicada em 18 de janeiro de 2021 - 08:55 • Atualizada em 22 de janeiro de 2021 - 11:05

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Os profissionais de cuidados paliativos foram essenciais no controle dos sintomas da covid-19, principalmente a falta de ar, um dos efeitos graves da doença. “Tem muitos casos em que a gente consegue evitar intubação com manejo de secreção e uso de medicamentos”, explica a paliativista Sarah Ananda Gomes, acrescentando outras medidas não farmacológicas, como a fisioterapia respiratória.

Médicos que não estudaram essas alternativas na faculdade entenderam a sabedoria do cuidado durante a crise em que não foi possível curar sempre. Ficou evidente a necessidade de saber se comunicar de maneira efetiva com doentes e familiares, além de individualizar e humanizar o atendimento.

Leia as reportagens do especial “Distanásia: a indústria do prolongamento da vida”.

As equipes de cuidados paliativos, no entanto, estão em apenas 5% dos hospitais brasileiros (de médio e grande porte), conforme o Atlas Nacional de 2019. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse número chegava a 90% em 2016. No Atlas Mundial, o Brasil saiu do nível de ilhas isoladas para generalizadas, com a presença crescente, mas ainda faltam políticas públicas para a especialidade.

Uma conversa definitiva

Entre as consequências de não se falar sobre a nossa finitude estão o abandono ou o excesso terapêutico. E a família geralmente não sabe o que seu ente querido gostaria que fosse feito. O testamento vital é um documento em que você registra suas diretivas antecipadas de vontades, orientações sobre o tratamento em saúde que gostaria de ter. É uma chance de chegar até o último segundo de vida sendo sujeito e não objeto.

O coronavírus trouxe para todos a consciência de que podemos morrer a qualquer instante; então, como estamos vivendo? Como estão nossos familiares? E como queremos ser tratados em situações extremas? É isso que pode ser escrito ou dito a alguém de confiança para ser cumprido. Embora, a exemplo do caso de Luiz Carlos, isso pode não bastar, pois é necessário educar os profissionais.

Nunca, na sociedade contemporânea, discutiu-se tão abertamente sobre a escassez de recursos. No começo da pandemia, foi levantada a falta de leitos de UTI e respiradores para tratar muitos doentes ao mesmo tempo. Mas o problema é que sempre houve número limitado de máquinas e de medicações. Contudo – destacam Luciana e Sarah –, entrega-se suportes de vida para doentes que não se beneficiam deles há muito tempo.

Joana Suarez

Joana Suarez é pernambucana mineira, viveu metade da vida em cada estado. Atualmente, como jornalista freelancer, decidiu habitar os dois lugares para se sentir completa. É formada e sempre atuou dentro de redações. Como repórter recebeu quatro prêmios (regionais e internacionais) pelos trabalhos aprofundados na área de saúde. Desde 2018, vem se dedicando de maneira independente a cobrir também pautas de gênero, direitos humanos e meio ambiente. Publica em veículos brasileiros e estrangeiros reportagens feitas no Nordeste e no Sudeste do país. Agora é também podcaster. Produz e apresenta o Cirandeiras Podcast sobre mulheres e suas lutas em cada canto do Brasil.

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