Assumo ser do time que acredita que as pessoas podem e devem, sim, receber o mais alto manancial de informação, sem distinção. Sem escolha, opção, sem cor, e credo. E a ela, a decisão de fazer, pelo livre arbÃtrio, o que bem entende, sem que se pense antes: âperaÃ, será que ela consegue compreender?â; âserá que não vai achar chato?â.
Leu essa? As crianças decretam: o Carnaval será para sempre
Sem julgar valor, disseminar a palavra aos quatro cantos do mundo. Haveria melhor e maior possibilidade de um feito chegar a tanto ou mais gente, ao mesmo tempo, que durante a festa que catalisa milhares de pessoas? Democrática? Não. Inclusiva? Estamos no caminhoâ¦
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Veja o que já enviamosAssim, apropriar-se do Carnaval, festa pagã pega para Cristo – o Cordeiro que imola-se 40 dias depois – como objeto para escrever ou descrever a História. Aqui, o trio e o carro têm suas luzes ligadas para frente e, sobretudo, para trás, como uma espécie de retenção e atenção aquilo que se viveu no segundo que passou. E o melhor: ensinando.Â
Não à toa, para o Carnaval 2024, o melhor resultado foi casar agogô, tamborim e tambor, com páginas de livros. Sim! Dá pra ser cult e sambar, sem perder o ritmo em nenhum instante.Â
Dessa forma, promover um arrebatamento para o combalido mercado editorial, durante um perÃodo onde as folhas dão lugar aos confetes e serpentinas. âUm defeito de corâ, de Ana Maria Gonçalves, por exemplo, bateu recorde de vendas após o desfile da Portela, que teve seu enredo inspirado pelo livro. Mas não é caso isolado: âA queda do céuâ, livro do yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Alberts (que deu enredo pro Salgueiro); o cordel escrito há mais de 100 anos pelo poeta paraibano Leandro Gomes de Barros, o Testamento da Cigana Esmeralda (Imperatriz); além do livro âSacerdotisas Voduns e Rainhas do Rosárioâ, que deu tÃtulo à Viradouro, fazem coro ao estardalhaço literário que varreu a âquarentinhaâ Passarela da Marquês de SapucaÃ.Â
Tudo isso numa festa que teve como criador do seu palco a figura de Darcy Ribeiro (professor, historiador e integrante da Academia Brasileira de Letras, provando mais uma vez a vocação da vida ser cÃclica.Â
Na Sapucaà ou na Intendente Magalhães (onde desfilam as escolas menores das séries Prata e Bronze), cruzando todas as ruas, o dever de casa é um só: curtir o Carnaval acompanhado de um bom livro.
