ONGs lançam projeto para promover educação antirracista nas escolas públicas

Teste de projeção antirracista na Biblioteca Nacional de Brasília: lançamento de iniciativa para combater racismo e promover equidade racial nas escolas (Foto: Divulgação)

Projeções em seis cidades, no Dia dos Direitos Humanos, vão marcar lançamento do Seta, iniciativa para combater racismo e desigualdade racial

Por #Colabora | ODS 10ODS 4 • Publicada em 8 de dezembro de 2021 - 18:25 • Atualizada em 14 de fevereiro de 2022 - 09:27

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Teste de projeção antirracista na Biblioteca Nacional de Brasília: lançamento de iniciativa para combater racismo e promover equidade racial nas escolas (Foto: Divulgação)

Seis organizações da sociedade civil – ActionAid, Ação Educativa, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq), Geledés – Instituto da Mulher Negra e Uneafro Brasil – lançam, nesta sexta-feira, o Projeto Seta (Sistema de Educação pela Transformação Antirracista), que busca promover uma educação efetivamente antirracista nas escolas públicas brasileiras. “Entendemos a necessidade urgente da escola ser o espaço de combate ao racismo, de oferecer o mesmo tratamento para crianças e adolescentes que vêm de lugares diferentes, de histórias diferentes”, afirma a diretora de Programas da ActionAid Brasil, Ana Paula Brandão.

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O Projeto Seta fará, entre suas ações de lançamento, projeções em seis capitais das cinco regiões brasileiras (Belém, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre), com mensagens, dados e reflexões da importância de combater o racismo nas escolas, enfrentar as desigualdades sofridas por pessoas negras e indígenas e promover equidade racial. “A ideia é que as projeções chamem a atenção da população nesse primeiro momento, com mensagens e imagens que explicitem a intenção dessa aliança para a educação antirracista”, explica a diretora da ActionAid.

Entre suas ações, o Projeto Seta pretende desenvolver uma base de evidências multimídias das experiências vividas do racismo na educação e na sociedade brasileira em geral; a facilitação de diálogos em escolas e instituições; a mobilização de campanhas antirracistasem quatro áreas da educação: currículo, formação de professores, cultura escolar e financiamento. “Tem muita coisa que precisa ser reformulada na educação. A educação popular, a tradição oral, os valores civilizatórios africanos devem ser inseridos nas práticas pedagógicas, pois fazem parte de nossa construção social”, afirma Suelaine Carneiro, coordenadora de Educação e Pesquisa do Geledés, acrescentando que o objetivo do Seta é, através dessa rede, fortalecer identidades e garantir direitos, provocando o rompimento das imagens negativas forjadas, no espaço escolar e pelos meios de comunicação, contra pessoas negras.

Para assegurar uma educação antirracista nas escolas públicas, as organizações querem fazer valer a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – alterada pelas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 – e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (2012) e para a Educação Escolar Indígena (2012). “Ainda há uma imensa resistência na sociedade e nos sistemas de ensino à implementação dessas conquistas legais. A mudança que almejamos é paradigmática e exige constituir um processo de transformação global que aborde as diferentes dimensões das escolas e das políticas educacionais”, argumenta Denise Carreira, coordenadora institucional da Ação Educativa, lembrando que essas leis não são cumpridas. “O projeto Seta pretende contribuir para essa transformação, com base na lutas do movimentos negros, quilombolas e indígenas do país, afirmando que a superação do racismo é central para a democracia e um desafio do conjunto da sociedade”, acrescenta.

O projeto também visa construir solidariedade entre movimentos de base, promover cooperação internacional sobre educação antirracista nutrindo uma rede global de ativistas, fortalecer a atuação de defensores e pesquisadores do campo, com soluções práticas, intercâmbios de aprendizados, processos formativos e estimulo a ações protagonizadas por adolescentes, jovens, núcleos acadêmicos, governos e organizações da sociedade civil. “Acreditamos muito no potencial de redes de entidades tão relevantes e importantes para a garantia do direito à educação antirracista, mobilizando outros grupos, como de estudantes e jovens, que trarão ainda mais capilaridade e transformação social”, afirma coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda.

Para as organizações, é preciso fortalecer esta aliança antirracista, principalmente no momento em que o país vive inúmeros ataques contra as políticas públicas de educação conquistadas nas últimas décadas. “Uma educação pública antirracista passa pelo entendimento de governos e de toda a sociedade que enquanto houver racismo, não haverá democracia. Continuar com o sistema atual é manter o racismo nas estruturas do Brasil”, destaca Vanessa Nascimento, fundadora da Uneafro Brasil. “Estamos em mais de 40 núcleos e temos muita experiência para compartilhar: a Uneafro é um movimento de educação popular que há 12 anos leva a luta contra o racismo para a sala de aula”, acrescenta

#Colabora

Texto produzido pelos jornalistas da redação do #Colabora.

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