Morgani Guzzo*
Um caso de violência contra a mulher ocorre a cada 24 minutos no Paraná, segundo o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 2019 com dados de 2018. âSe quando o marido trabalhava e a mulher trabalhava, mesmo assim a violência era nessa proporção, imagina os dois sob o mesmo teto 24 horas por dia, com problema econômico juntoâ, declara a deputada estadual e procuradora da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Cristina Silvestri.
O exercÃcio de imaginação proposto pela deputada é uma provocação. Com base nos dados sobre violência doméstica e familiar e violência contra as mulheres no estado do Paraná divulgados até o momento, o perÃodo de isolamento parece não ter relevância nos casos de violência, inclusive levam a crer que a violência diminuiu. No entanto, tem sido unÃssono entre gestoras e especialistas na área que os dados de violência doméstica no Brasil no perÃodo de pandemia da covid-19 não representam diminuição da violência e, sim, diminuição no número de denúncias, isto é, subnotificação.
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Veja o que já enviamosA dificuldade em acessar e analisar os dados de violência doméstica e familiar e de violência contra as mulheres tem sido uma constante em vários estados brasileiros. A análise dessas informações esbarra tanto na falta de transparência de alguns estados, que sequer disponibilizam os números, quanto na metodologia que as polÃcias e secretarias utilizam para a tabulação dos mesmos, nem sempre padronizada.
[g1_quote author_name=”Priscilla Placha Sá” author_description=”Desembargadora e coordenadora da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJ/PR” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]A gente pode até discutir se a oscilação de dados que a gente tem ano a ano sobre violência doméstica ocorre porque as mulheres estão se percebendo mais como vÃtimas. Mas o feminicÃdio é um dado que você não tem dúvida que aconteceu. O feminicÃdio é um fato concreto e esse sim tem aumentado
[/g1_quote]No Paraná, as informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SESP/PR) baseiam-se em todas as ocorrências criminais correspondentes a registros de boletins de ocorrência do Estado, das polÃcias Militar e Civil. Os dados incluem os atendimentos via 190 que foram constatados e se transformaram em boletins de ocorrência. No entanto, diferente de outros estados, o Paraná não disponibilizou a esta reportagem os dados referentes ao mês abril de 2020, somente de 16 de março a 15 de abril, o que impossibilita uma análise mais abrangente e comparativa sobre o impacto da pandemia e da quarentena na vida das mulheres.
Com relação à violência doméstica e familiar, de janeiro a março de 2019, foram registrados 13.804 ocorrências no Paraná, enquanto no mesmo perÃodo de 2020 foram 14.989, aumento de 8,59% em 2020. No entanto, quando observamos os números de ocorrências registradas no perÃodo de isolamento social (de 16 de março até 15 de abril), foram 3.884 em 2020, enquanto no mesmo perÃodo do ano passado haviam sido 4.812, isto é, uma diminuição de quase 20%. Importante salientar que os dados de violência doméstica e familiar no Paraná englobam todas as vÃtimas (homens, mulheres, crianças e idosos), não havendo tabulação dos casos de violência doméstica contra as mulheres.
âTanto a situação da crise, a crise econômica, o aumento de tensão entre a mulher e o companheiro, mais tempo de convivência, a impossibilidade de ela acessar outras pessoas já que ela está numa situação em que está isolada, podem, de fato, aumentar essa violência contra a mulher. à uma preocupação que a gente tem e que os órgãos internacionais, como a ONU Mulheres, já têm alertadoâ, avalia a coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Paraná, LÃvia Martins Salomão Brodbeck e Silva.
[g1_quote author_name=”Priscilla Placha Sá” author_description=”Desembargadora e coordenadora da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJ/PR” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]A gente supõe que há um acréscimo de violência doméstica nesse perÃodo, e situações dessas de permanência extensiva no lar nos fazem ver que esse infelizmente é um lugar inseguro para as mulheres
[/g1_quote]A exposição das mulheres à violência doméstica e familiar na pandemia pode ser verificada, também, a partir do número de medidas protetivas expedidas durante o perÃodo da quarentena. No entanto, de acordo com a desembargadora Priscilla Placha Sá, coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID/PR), do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, o grande desafio neste momento é saber se o número de medidas protetivas representa realmente o número de violências ocorridas, algo que é quase impossÃvel devido à falta de acesso de muitas mulheres aos canais de denúncia.
âA gente supõe que há um acréscimo de violência doméstica nesse perÃodo, e situações dessas de permanência extensiva no lar nos fazem ver que esse infelizmente é um lugar inseguro para as mulheres. Então, ainda que a gente tenha, como a gente teve, um número relativamente igual ao mesmo perÃodo do ano passado, a nossa dúvida é o quanto ele representa a violência comunicada e a violência ocorridaâ, analisa.
Para remediar e prevenir o esperado aumento nos casos de violência doméstica e familiar contra mulheres, a desembargadora explica que tanto a coordenadoria quanto outros órgãos públicos têm trabalhado para informar a população que os serviços continuam funcionando, inclusive a avaliação e admissão das medidas protetivas. A partir de um pedido da Defensoria Pública do Estado, os magistrados foram orientados a avaliarem a prorrogação automática de todas as medidas que estavam em vigor no momento do inÃcio da quarentena.
Além disso, segundo a desembargadora, uma das solicitações feitas pela CEVID e pela Procuradoria da Mulher da ALEP à Secretaria de Segurança Pública após o inÃcio da pandemia foi a disponibilização do boletim de ocorrência eletrônico para registros de violência doméstica e familiar, demanda que foi atendida pelo Estado no inÃcio de junho. Para Placha Sá, no entanto, mesmo com mais esse canal de denúncia, a preocupação continua sendo as mulheres que não terão acesso, seja por não terem internet, por questões financeiras, seja por estarem impedidas pelos agressores de acessarem seus aparelhos.
Não há dados sobre feminicÃdios na quarentena
Conforme as fontes consultadas, a subnotificação dos casos de violência contra as mulheres na pandemia é resultado da dificuldade das vÃtimas de chegarem a serviços de atendimento de saúde e ao sistema de justiça. Entregues à própria sorte, elas ficam ainda mais expostas a violências graves e, até mesmo, ao feminicÃdio.
Conforme tipificado na Lei 13.105/2015, feminicÃdio é o assassinato de mulheres por motivo de gênero, isto é, quando ocorre menosprezo ou discriminação à condição de mulher em qualquer contexto e em situações de violência doméstica e familiar. Neste caso, as mulheres geralmente já vivenciam há algum tempo um ciclo de violência, que só é interrompido quando conseguem denunciar os agressores e afastá-los de sua convivência, a partir das medidas protetivas garantidas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). No entanto, no contexto da pandemia, quando possuem ainda mais obstáculos para denunciarem, o risco de serem vÃtimas fatais é ainda maior.
Embora os casos de feminicÃdio sejam, supostamente, impossÃveis de subnotificar, os serviços de segurança e de justiça ainda demoram para divulgar esses dados. No Paraná, a Secretaria de Segurança Pública não havia computado os feminicÃdios referentes ao mês de abril até a data de fechamento desta reportagem. Devido à pressão da imprensa e de entidades de defesa dos direitos das mulheres, o governo do Estado passou a divulgar, somente a partir do dia 28 de maio de 2020, o Ãndice de feminicÃdios de cada um dos 399 municÃpios e de 17 bairros de Curitiba, por mês, junto ao Relatório de Crimes Relativos à Mortes.
De acordo com a assessoria de imprensa da SESP/PR, o feminicÃdio passou a ter uma coluna especÃfica no relatório que, até então, apresentava todos os casos como âhomicÃdiosâ, ignorando a especificidade que envolve os feminicÃdios. A mudança na forma de apresentar os dados de feminicÃdio no Estado ocorre com cinco anos de atraso e a demora na divulgação dos dados posteriores a março se dá, segundo a assessoria de imprensa, devido âà necessidade de precisão e confiabilidade final das informaçõesâ. Para a deputada Cristina Silvestri, no entanto, a dificuldade em conseguir esses dados ocorre pelo próprio modelo de boletim de ocorrência preenchido pelos policiais, que é muito vago. Além disso, segundo ela, falta treinamento policial para identificarem e tipificarem esse tipo de crime, já que são poucas as delegacias especializadas no Estado.
Assim, diferente dos estados que já apresentaram o número de feminicÃdios de abril, disponÃvel na reportagem que abre essa matéria, no Paraná, a análise do aumento do risco para a vida das mulheres devido ao isolamento social torna-se prejudicada. De acordo com a SESP/PR, o Ãndice manteve-se praticamente o mesmo entre janeiro e março de 2019, quando ocorreram 22 feminicÃdios, comparado a janeiro e março de 2020, quando ocorreram 23, um aumento de 4,5%.
Para Placha Sá, o único dado que permite afirmar que o Ãndice de violência tem aumentado durante a pandemia é o número de feminicÃdios. âA gente pode até discutir se a oscilação de dados que a gente tem ano a ano sobre violência doméstica ocorre porque as mulheres estão se percebendo mais como vÃtimas ou se tem um fenômeno que a sociologia chama de backlash que é que os caras estão dizendo: âAqui não tem Lei Maria da Penha não, aqui é a minha lei que mandaâ. Mas o feminicÃdio é um dado que você não tem dúvida que aconteceu. O feminicÃdio é um fato concreto e esse sim tem aumentadoâ, explica.
Interior avança no enfrentamento à violência
Diferente dos dados disponibilizados pela SESP/PR, em que se verifica diminuição no número de denúncias de violência contra as mulheres durante o isolamento social, Guarapuava, municÃpio localizado no centro-sul do Paraná, com cerca de 180 mil habitantes, apresentou aumento no número de denúncias à PolÃcia Militar durante a pandemia.
De acordo com Priscila Schran, secretária da Secretaria Municipal de PolÃticas para as Mulheres de Guarapuava, uma análise dos 60 dias desde o decreto de isolamento social no municÃpio demonstrou que houve aumento de 25% no número de denúncias. De 18 de março a 18 de maio de 2020, comparado ao mesmo perÃodo de 2019, os registros saltaram de 114 para 152 casos. A análise publicada no relatório âRetrato da violência contra as mulheres em Guarapuava em tempos de Pandemia de CoronavÃrusâ também comparou os 60 dias anteriores ao isolamento social, em 2020 (de 17 de janeiro a 17 de março) com o perÃodo de 60 dias de isolamento social, e houve aumento de 20% no número de casos: de 121 para 152.
De acordo com a secretária, desde o inÃcio da quarentena no municÃpio, a preocupação foi conversar com a PolÃcia Militar e solicitar que fosse dada prioridade aos atendimentos de violência doméstica e familiar na cidade. Além disso, a PM envia diariamente para o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM) de Guarapuava os registros de violência doméstica e familiar feitos por telefone (Ligue 190) e em prisões em flagrante delito, especificadas por natureza do crime.
No entanto, os dados fornecidos pela PM não representam o total de casos que ocorrem em Guarapuava. Segundo Schran, o registro dos atendimentos e boletins de ocorrência (BOs) feitos pela Delegacia da Mulher do municÃpio não chega à s gestoras municipais. âInclusive essa é uma demanda do nosso Fórum de Gestoras Municipais de PolÃticas para as Mulheres do Paraná, porque nenhum CRAM recebe a demanda do 180. Hoje, o 180 envia somente para a Delegacia da Mulher, e a Delegacia da Mulher tem uma estrutura bem menor, não consegue talvez encaminhar para os outros serviços da rede na mesma rapidez. Eles acabam encaminhando para nós só os casos mais graves, não 100% deles. Então, o nosso Fórum pediu para o Governo Federal que alterasse o fluxo do 180 para que essas informações também venham para o CRAM, porque o CRAM é a referência do atendimento e é ele que o faz toda a articulação da redeâ, explica.
Apesar de não ter acesso aos casos recebidos pelo Disque 180, o monitoramento diário dos registros feitos pela PolÃcia Militar possibilita ao Centro de Referência de Guarapuava realizar um serviço que é, para Schran, o grande diferencial no combate à violência contra as mulheres: a busca ativa. Segundo ela, desde que a Secretaria Municipal de PolÃticas para as Mulheres foi criada, em 2013, a prática da busca ativa, ou seja, o acompanhamento via telefone ou visita domiciliar de todas as mulheres que registram boletim de ocorrência na PolÃcia Militar, tem trazido bons resultados, especialmente na prevenção de crimes mais graves como o feminicÃdio.
âSe for comparar os cinco anos antes de a Secretaria ser criada e os cinco anos posteriores, por meio dos dados do Mapa da Violência, Guarapuava reduziu em 54% o número de feminicÃdios. Esse ano não teve nenhum, nem durante a pandemia, porque estamos presentes. Então, se a gente chega lá, conversa com a mulher, com o filho, com a avó, com a mãe, todo mundo fica sabendo que aquela mulher vai ser atendida. Se ela quer medida protetiva, aquela medida já sai em 24h e a Patrulha [Maria da Penha] já vai lá visitar essa mulher. O fato de irmos até lá aproxima do serviço. Não podemos só ficar esperando que elas venham, que tomem ônibus, isso é, pra quem está num processo de violência, cada passo dado é muito difÃcil, e se a gente consegue estar mais próximo é melhor. Então, eu vejo que a busca ativa, hoje, é o principal diferencial do nosso CRAM comparado a outros serviços especializados de atendimento à mulherâ, avalia.
Conforme a secretária, desde o inÃcio da pandemia, dos 152 casos, o CRAM conseguiu atender 79% das mulheres, com serviço de assistência social, apoio jurÃdico e psicológico.
O acompanhamento das denúncias pela busca ativa tem transformado, também, a forma como os próprios policiais atendem e registram os casos. âAntes, vários policiais achavam que registrar o boletim no 190 não dava em nada. Tipo, aquela mulher ia lá, fazia o BO e daqui a pouco já estava com o marido de novo, e eles diziam: âpra quê fazer esse BO?â Agora que eles sabem que a gente visita e acompanha, e sabem que essa mulher vai levar um, dois, cinco anos, à s vezes, pra sair daquele ciclo de violência, eles também entendem que são importantes na hora de registrar o BO colocando todas as informações necessáriasâ, compara Schran.
[g1_quote author_name=”Maria Isabel Pereira Corrêa” author_description=”Presidenta do Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Paraná” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Hoje não tem mais Pacto contra a Violência, nem se fala mais nisso; o que tinha se jogou no lixo, pelo menos os acordos que estavam ligados diretamente ao Governo Federal, com a Caixa, com o Banco do Brasil. Mas alguns municÃpios do Paraná mantiveram seu trabalho como se o pacto existisse. Fizeram um grupo dessas secretárias e coordenadoras municipais e a gente vê que nesses municÃpios teve avanço
[/g1_quote]Para a secretária, o enfrentamento à violência no municÃpio tem sido eficiente devido ao engajamento de cada órgão e de cada profissional envolvido com a Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que é composta por serviços e órgãos que vão desde hospitais, delegacias, centros de assistência social, OAB, Defensoria Pública, varas cÃvel e criminal, IML até núcleos da universidade, conselhos municipais, entre outros. âNão tem segredo, não tem mágica, é uma polÃtica pública consistente, é uma rede de enfrentamento à violência consistente. O nosso Poder Judiciário está bem engajado e acredita na rede, a Delegacia da Mulher está bem engajada e acredita na rede, a PolÃcia Militar agora com a Patrulha Maria da Penha está cada vez mais engajada e acredita na redeâ.
A Rede de Enfrentamento, que atua no âmbito municipal articulada com o âmbito estadual, tem realizado um importante trabalho, apesar de esbarrar em lacunas e limites da própria estruturação dos serviços e da falta de verbas para a manutenção dos mesmos.
De acordo com a presidenta do Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Paraná, Maria Isabel Pereira Corrêa, a Casa da Mulher Brasileira de Curitiba, por exemplo, não recebeu nada de recursos do Governo Federal no último ano. O Ministério da Mulher, da FamÃlia e dos Direitos Humanos (MMFDH) também está usando muito pouco dos recursos que seriam para essas polÃticas. Para a conselheira, âo que tem é muito pouco com relação ao que tinha antes, e esse pouco não foi utilizado aindaâ.
âO que parece é desmonte mesmo, que o que tem não é pra usar. Não tem vontade polÃtica de usar. à óbvio que se você não tem recursos para os CRAMs, para as Casas da Mulher Brasileira do paÃs todo, se você não tem recursos, não tem como você pensar seriamente em polÃtica, você vai pensar em resolver o caso aqui, um caso ali. A ideia é que a gente possa encaminhar todas as mulheres, que todas tenham direito. E como a gente pode avançar com as polÃticas para as mulheres se nós estamos tendo cortes atrás de cortes? Não tem como avançar. Por isso que aumenta a violência, porque a gente não tem como fazer frente à violênciaâ, lamenta.
Apesar do desmonte das polÃticas para as mulheres, Maria Isabel chama a atenção para a resistência dos municÃpios. Segundo ela, em 2012, com a movimentação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência Doméstica, que possibilitou a criação das Casas da Mulher Brasileira e de Secretarias e Coordenadorias da Mulher, vários municÃpios brasileiros criaram os seus órgãos gestores municipais. No entanto, no Paraná, somente 11 dos 399 municÃpios possuem órgãos gestores de polÃticas para as mulheres atualmente. Assim, mesmo que as ações do Pacto contra a Violência a nÃvel nacional tenham deixado de existir, esses municÃpios mantêm sua atuação e têm conseguido alguns avanços.
A falta de verba federal destinada ao enfrentamento à violência contra as mulheres tem sido uma das principais dificuldades para a manutenção e fortalecimento das polÃticas públicas existentes nos estados e municÃpios. Porém, além da necessidade de orçamento, torna-se imperativo que os governos locais tenham comprometimento e transparência na geração de dados para respaldar essas polÃticas, algo que o Estado do Paraná não tem demonstrado. Sem os dados, não é possÃvel verificar a eficiência dos canais de denúncia e dos serviços de atendimento à s vÃtimas. Atuando âno escuroâ, a rede de enfrentamento não chega à s mulheres e, isoladas, suas vidas correm perigo tanto pela pandemia quanto pela violência.
*Portal Catarinas
