Um morto e cinco feridos, incluindo uma criança de 12 anos, atingida com um tiro no abdômen, foi o saldo do conflito armado envolvendo Ãndios da etnia Guarani-Kaiowá e fazendeiros na fazenda Ivu, localizada a 20km da cidade de Caarapó, no sul do Mato Grosso do Sul. Dois dos feridos estão correndo risco de vida: um deles foi atingido no pulmão e o outro, na cabeça. O número de feridos, no entanto, pode ser bem maior, já que os indÃgenas teriam se refugiado no mato, em fuga.
O ataque foi promovido por cerca de 70 fazendeiros na manhã da última terça-feira (14 de junho), após uma tentativa de retomada da área pelos Ãndios no último domingo. Desde então, a tensão na região só aumenta. As 300 famÃlias envolvidas na retomada da área conseguiram reforço massivo de outros grupos da etnia e há informações, ainda não confirmadas, de que os indÃgenas teriam retomado outro território tradicional, em protesto contra o ataque.
Está previsto para amanhã o sepultamento do agente de saúde indÃgena Cloudione Rodrigues Souza, assassinado com ao menos dois tiros. O enterro será realizado no local do massacre, o que deve aumentar ainda mais a tensão na área. Cloudione é mais um número na estatÃstica de lideranças indÃgenas dos Guarani-Kaiowá assassinadas na última década. Se calcula que já foram mortos 15 lideranças indÃgenas na última década na região.
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Veja o que já enviamosà uma verdadeira milÃcia ruralista
[/g1_quote]O antropólogo Diogenes Cariaga, nascido em Caarapó, mas que está vivendo em Florianópolis, onde faz seu doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está convencido que uma “verdadeira milÃcia ruralista” age na região, com a ajuda de “pistoleiros paraguaios. A região fica na fronteira com o paÃs vizinho, o Paraguai.
Segundo nota divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde IndÃgena (Sesai), “homens armados, em aproximadamente 60 caminhonetes”, chegaram atirando na fazenda Ivu. Representantes da Fundação Nacional do Ãndio (Funai) e policiais militares e federais foram mobilizados e estão no local.
O conflito é mais um capÃtulo sangrento da saga dos Guarani-Kaiowás pela preservação do seu território. Eles foram expulsos de suas terras pelos idos dos anos 50 e, desde então, lutam para reavê-las. Em 2005, o governo homologou as terras indÃgenas dos Guarani-Kaiowás, mas os Ãndios nunca tomaram posse. O processo está paralisado na Justiça Federal e os Ãndios vivem, desde então, confinados em uma área de 150 hectares, dos 9.317 que foram homologados. O restante da área foi dividida em nove fazendas, atualmente em posse de fazendeiros da região.
A situação dramática dos Guarani-Kaiowás ganhou a atenção da opinião pública em 2012, quando indÃgenas de outra comunidade da etnia emitiram uma declaração de “morte coletiva” de 170 homens, mulheres e crianças após receberam uma ordem de despejo decretada, à época, pela Justiça estadual. â#SouGuaraniKaiowaâ ou â#SomosTodosGuaraniKaiowaâ invadiram o Facebook e o Twitter, assim mesmo com âkâ e âwâ como os indÃgenas escrevem sua lÃngua na região do Cone Sul.
