Preços mais baixos de smartphones estão levando a uma revolução digital na Ãfrica, permitindo que usuários usem a internet e aplicativos em um nÃvel sem precedentes. Um dos setores mais beneficiados por esta transformação é a agricultura. Até 2025, metade da população da Ãfrica, de um bilhão de pessoas, terá acesso à internet, e haverá 360 milhões de smartphones no continente, de acordo com a empresa de consultoria McKinsey. Isto poderá levar o setor de agricultura a uma receita de US$ 3 bilhões por ano.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Os aplicativos para a agricultura já são muitos, incluindo diagnoses veterinárias, técnicas de plantio e mercados virtuais. O momento é apropriado. A produção mundial de alimentos terá de aumentar 70 por cento até 2050 para atender a demanda, e a Ãfrica tem mais da metade das terras não utilizadas globalmente, segundo as Nações Unidas
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Veja o que já enviamosO crescimento no uso de dados ocorre apesar de problemas como os custos de acesso e a falta de cultura digital em alguns lugares da Ãfrica. Quênia, Egito, Nigéria e Ãfrica do Sul são os paÃses mais adiantados, e outros, como Argélia, Camarões e República Democrática do Congo já começam a entrar na nova era com tecnologia 3G. No geral, os serviços móveis geram atualmente 6.7 por cento do PIB continental, em um total de cerca de U$ 150 bilhões em valor econômico.
Os aplicativos para a agricultura já são muitos, incluindo diagnoses veterinárias, técnicas de plantio e mercados virtuais. O momento é apropriado. A produção mundial de alimentos terá de aumentar 70 por cento até 2050 para atender a demanda, e a Ãfrica tem mais da metade das terras não utilizadas globalmente, segundo as Nações Unidas.
Até bem pouco tempo, os pequenos agricultores africanos não conseguiam se aproveitar da situação por falta de infraestrutura, treinamento, capital e avanços tecnológicos. Sua produção girava em torno de uma tonelada métrica por hectare, comparada a sete toneladas em mercados desenvolvidos.
âA Ãfrica é a chave para a oferta mundial de alimentos, e é essencial usarmos este potencialâ, diz Mark Davies, diretor da Esopo. Sua empresa dá aconselhamento e liga agricultores a compradores no mercado virtual. Seus usuários pagam um dólar por mês pelo serviço e faturam com ele até US$ 20 mil anualmente.
Outros aplicativos lançados recentemente na Ãfrica incluem monitoramento de gado no Quênia (iCow) e mercado online M-Farm, que tem participação da Samsung e ajuda agricultores quenianos a acessar o mercado para precificar seus produtos. Agrega pedidos de implementos agrÃcolas para diminuir custos e vende os produtos no atacado, reduzindo custos de marketing relacionados. E os usuários podem ainda utilizar serviços financeiros.
Em Botswana, a start-up Modisar monitora gado e dá aconselhamento sobre alimentos, vacinas e finanças via mensagem de texto. A Mewanko Farm, em Camarões, criou um mercado online para agricultores para a venda de produtos em um esquema que, espera, irá melhorar a renda de 13 milhões de pessoas. A Safaricom, do Quênia, que em 2011 fez uma parceria com a chinesa Huawei para a fabricação de um smartphone Android de US$100, oferece novos serviços como aplicativos que ajudam no enfrentamento de desafios sociais de pequenas comunidades.
O app WeFarm auxilia a resolver problemas de tecnologia partilhando informações. O serviço informa sobre sementes mais resistentes a secas. O EZFarm é um projeto da IBM sendo testado no Nairobi e no Quênia, e envolve a implantação de sensores que coletam e transmitem dados para a nuvem da empresa e atualiza as informações a cada minuto. O Agtag é uma revista eletrônica que fornece artigos, notÃcias de todo o mundo, com tópicos que vão de safras, equipamentos, gado, água, ao agroprocessamento. As informações podem ser partilhadas com outras plataformas.
No médio prazo, todos estes recursos irão minimizar alguns dos fatores que impedem o desenvolvimento da agricultura na Ãfrica â como baixo uso de insumos modernos, desorganização de mercados, acesso a crédito, baixa produtividade, secas e sazonalidade das safras.

Apesar de a revolução verde ter impactado muito a agricultura e pecuária mundial, com a elitização dos maquinários e insumos, é legal ver que tecnologias mais acessÃveis a pessoas com situações econômicas ruins, como os smartphones, têm sido de grande auxÃlio a produtores rurais que antes viam-se amalgamados a uma situação de exclusão tecnológica.