Dois mil quilômetros separam o alto do bairro de Laranjeiras, quase dentro da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, do municÃpio de Floresta, localizado no semiárido pernambucano. De floresta, Floresta não tem nada. Vive entre perÃodos secos e menos secos, com umidade relativa sofrÃvel para a vida humana e o que dirá para plantas e animais. Em comum com o bairro carioca, Floresta também não teria nada, não fosse a artista plástica Claudia Tavares identificar os contrastes entre os dois lugares a partir de um ponto em comum: seu ateliê no rio e a casa do ex-marido em Pernambuco.
Enquanto lá, a água, artigo raro, já não caÃa dos céus havia três anos, cá escorria das paredes literalmente, para espanto de visitantes e o encanto da vegetação que se apoderava dos exteriores e adentrava o ateliê. A evidente desigualdade da água, que retrata poeticamente a latente desigualdade brasileira não passou despercebida por essa artista plástica que estava cavando o tema de seu doutorado. Assim nasceu a âtese poemaâ Um Jardim em Floresta.
Por meio de desumidificadores, ela começou a retirar o excesso de umidade de seu ateliê, acumulando a água em garrafas de vidro, posteriormente levadas ao sertão pernambucano para serem utilizadas no jardim que viria a plantar no local com mudas recolhidas na vizinhança árida. âPor dois anos, engarrafei essa água pensando na seca que impede a proliferação do verde e da vida em Florestaâ, contou.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosNo total foram 180 garrafas de água apenas retirando o excesso de umidade de seu ateliê. Em janeiro de 2016, Claudia viajou do Rio de Janeiro a Floresta transportando as garrafas. Durante cinco dias, ela passou por cidades e lugarejos já próximos, recolhendo as mudas doadas por quem se aventura a cultivar jardins no sertão. âConsegui seis caixas. Voltando a Floresta, construà um jardim e reguei com a água transportada. Foi aà que o inesperado aconteceu e, depois de anos sem uma gota, uma chuva torrencial caiu sobre a regiãoâ, relatou.
O processo, todo filmado e fotografado, resultou na exposição que irá ocupar, durante três meses, o Palácio das Artes (BH) e, posteriormente, o Paço Imperial (RJ). Para cobrir os altos custos que envolvem a montagem de uma exposição de artes visuais, Claudia lançou uma campanha de financiamento coletivo, no link: https://benfeitoria.com/umjardimemfloresta?ref=benfeitoria-pesquisa-projetos e conta com o apoio de colaboradores.
