O bordão “Imagina na Copa!” carregava o peso de um potencial fracasso. Ãs vésperas da Copa do Mundo de 2014 a frase era ouvida no trabalho, nos bares, nas ruas, e repetida à exaustão nas redes sociais. A aposta geral era que o paÃs faria feio nos jogos. As previsões mais pessimistas davam conta que haveria apagão nos aeroportos, confusão nos estádios… EstarÃamos mesmo prontos para receber a Copa do Mundo? Seria esse o melhor momento?
Um quarteto de jovens decidiu transformar o rótulo negativo em algo positivo e, como uma espécie de força-tarefa, saÃram pelo paÃs tentando promover a virada para o Brasil antes do inÃcio dos jogos. Se a Copa tinha o poder de mobilizar gente de todo o paÃs em torno de uma reclamação – âse as coisas estão desse jeito agora, imagina na Copaâ -, o que ocorreria se toda essa mobilização fosse usada em prol de mudanças positivas para o paÃs?
[g1_quote author_name=”Fernanda Cabral” author_description=”uma das idealizadoras do “Imagina na Copa”” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosUsamos a Copa como pretexto para envolver as pessoas que tinham a vontade de abrir novos horizontes e ter um novo olhar. O propósito era refletir sobre como é possÃvel melhorar o mundo com gestos simples
[/g1_quote]Fernanda Cabral se juntou a Mariana Ribeiro, que chamou Mari Campanatti, que conhecia Tiago Pereira. De forma bem humorada e despretensiosa, o quarteto de jovens – todos trabalhavam em grandes empresas e estavam à procura de novos rumos profissionais – saiu viajando pelo paÃs para descobrir boas histórias para documentá-las. O objetivo era juntar exemplos transformadores. Não foi difÃcil encontrar boas histórias, como as do casal Elaine e Tommaso, fundadores do âLer Para Crescerâ, que, com o apoio de voluntários do mundo todo, levam educação e diversão para crianças de comunidades ribeirinhas isoladas na Amazônia.
Até o final da Copa, o quarteto visitou 27 capitais brasileiras. Um total de 18 meses conhecendo experiências pelo paÃs afora. Chegaram ao final da viagem com uma produção intensa: 75 curta-metragens, um levantamento debaixo do braço com 152 empreendedores sociais e a elaboração de uma oficina, onde o lema é dar pistas de como cada um pode descobrir seu jeito próprio de transformar o mundo.
A história do quadrinista e estudante de História, Bernardo Aurélio, que levou Machado de Assis para uma escola pública de Teresina, no PiauÃ, e adaptou o conto Machadiano para história em quadrinhos com a ajuda dos alunos, virou um curta.
Com o tempo, o que nasceu como o projeto âImagina na Copaâ se transformou na ONG Imagina Coletivo. A entidade conta com uma rede de replicadores no Brasil. O leque de temas é amplo: catadores de lixo, mobilidade urbana, refugiados. âNós não temos uma causa especÃfica. O que fazemos é mapear o que existe de mais relevante pelo paÃs aforaâ, comenta Fernanda.
A proposta da organização é produzir conteúdo de impacto social em diferentes linguagens e prestar serviços de consultoria em mobilização, comunicação e empreendedorismo social para organizações e grupos que queiram gerar engajamento e ampliar seu impacto. O quarteto oferece material e metodologia para tirar boas ideias do papel – uma ferramenta disponÃvel no site da entidade, o tool kit, é um dos aliados dos jovens.
O orçamento anual de R$ 200 mil é fruto de patrocÃnios importantes como os da Gol, da Red Bull e da Fundação Telefônica, além de doações individuais. A ONG não publica balanço anual.
A organização trabalha hoje em duas grandes frentes de mobilização. A primeira é o Imagina Você, que pretende mensalmente, a partir de um determinado conteúdo, lançar uma série de produtos que abordem esse tema de vários pontos de vista. Agora em março o primeiro deles será Conflitos. Além de nove vÃdeos curtos, será apresentado um documentário sobre um case de como resolver melhor os conflitos, a partir de uma experiência bem sucedida em Capão Redondo, bairro da Zona Sul de São Paulo. âA história gira em torno de uma atividade do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo que trabalha com o conceito de justiça restaurativaâ, lembra Fernanda, que cita até um baralho que também faz parte do kit. O próximo tema deve ser a representatividade negra na infância.
Outra área de ação é o âImaginadoraâ, que agrega as parcerias que a organização tem com instituições como a Universidade de São Paulo (USP), e a Fundação Telefônica.
