O violonista Alfredo do Nascimento tinha um sonho de tirar crianças e jovens das ruas e minimizar seus problemas. Foi através desse sonho e do instrumento que ele tanto gostava de tocar que, de 1993 até hoje, mais de cinco mil pessoas usaram os acordes do violão para dedilhar um caminho diferente em suas vidas ao passar pela Associação Cultural Alfredo do Nascimento, a Ascan.
Alfredo acreditou no seu sonho e correu atrás. Ele queria ensinar a arte com a finalidade de reunir as famÃlias e que aquelas pessoas pudessem se tornar profissionais. âA música une famÃlias e ameniza o sofrimentoâ, explica a vice-presidente da ONG, Simone Medeiros. âNão fazemos distinção de raça, sexo, cor, lÃngua, credo, opinião polÃtica, nacionalidade ou situação socioeconômica. Damos e pedimos respeito ao próximoâ.
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[/g1_quote]Com sede na Vila Albertina, em São Paulo, a escola, que teve inÃcio na própria casa de Alfredo há 30 anos, conta com 36 alunos de violão e teclado. Os oito funcionários, todos voluntários, enchem-se de orgulho ao falar dos pupilos.
âHá vários casos de finais felizes, dos mais simples até os mais complexos, dentre eles destaca-se a história do Ocimar de Paula Amparado. Quando Alfredo o conheceu, ele morava em uma casa simples e quase não saÃa. Queria aprender a tocar violão e sua dedicação foi tanta, que, em uma semana, ele tocava várias músicas. Atualmente, Ocimar é músico da banda Expresso HG, além de tocar com Alcione e Benito di Paulaâ, conta Simone.
O maior desafio da ONG, segundo Simone, é ter um patrocinador fixo, como Itaú, Correios e a Prefeitura já foram. Atualmente, para se manter, a Ascan precisa cobrar uma taxa de matrÃcula dos alunos interessados em participar, para as despesas básicas. Doações de instrumentos musicais são bem-vindas, além de ajuda financeira ou mesmo de trabalho voluntário para os novos projetos batizados de  âViolão popular é para todosâ e âTecla maisâ.
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Hoje, alguns deles são empresários, outros passaram em concursos. Tivemos um caso de um aluno que apanhava muito dos pais e decidiu fugir. Soubemos que ele estava na Cracolândia e não desistimos dele. Como sabÃamos que gostava de samba, ensinamos cavaquinho e ele começou a fazer shows e ganhar dinheiro. Ele construiu famÃlia e tem uma filha
[/g1_quote]A maioria dos alunos veio da periferia de São Paulo. Muitos deles chegaram a passar fome e, como lembra o fundador da ONG, não tinham nenhuma perspectiva de vida. “Hoje, alguns deles são empresários, outros passaram em concursos. Tivemos um caso de um aluno que apanhava muito dos pais e decidiu fugir. Soubemos que ele estava na Cracolândia e não desistimos dele. Como sabÃamos que gostava de samba, ensinamos cavaquinho e ele começou a fazer shows e ganhar dinheiro. Ele construiu famÃlia e tem uma filha”.
Depois desse caso, ficou claro que era necessário fazer um trabalho com a famÃlia. O passo seguinte foi convidar os pais para conhecer a instituição e assistir aos shows.
