âAinda acontece de faltar comida! Quando não tem carne, a gente come mortadela e quando não tem nada, come só verdura. Não é facilâ. O desabafo é de Francisca Arcelino da Silva, de 63 anos, moradora do bairro Messejana, na periferia de Fortaleza, avó e única responsável pelos cuidados e pelo sustento de quatro netos com idades entre 2 e 13 anos. Antes, o sustento da casa vinha exclusivamente da renda de Francisco Martins, de 79 anos, que também ajudava com os cuidados dos netos. Em 2020, ele morreu de Covid-19, deixando luto, traumas, e Dona Francisca, sozinha, contando apenas com os R$ 600 do AuxÃlio Brasil para sobreviver com quatro crianças.Â
O caso é um retrato das dificuldades enfrentadas pelos mais de 113 mil órfãos deixados pelos quase 700 mil mortos na pandemia de Covid-19 no Brasil, número estimado pela Escola de Saúde Global de Harvard. Isso quer dizer que pouco mais 0,5% da população brasileira perderam mãe ou pai, avó ou avô ou ambos para o SARS-CoV-2. Esses números colocam o Brasil em segundo lugar no ranking dos paÃses com mais órfãos em consequência da pandemia, atrás apenas do México.
A orfandade monoparental de mãe apresenta números que chamam a atenção. Um estudo realizado pela Fiocruz e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que pouco mais de 40 mil crianças e adolescentes perderam a mãe para a Covid-19. Os números se baseiam nos óbitos por Covid-19 registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do perÃodo entre 2020 e 2021; e nos dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) dos perÃodos de 2003 e 2020. Apesar dos números expressivos, muitas dessas crianças e adolescentes, além de ainda não serem conhecidas do poder público, não contam com polÃticas de apoio financeiro e de proteção social.
Uma das razões da invisibilidade é o fato de a maior parte desses órfãos ter sido acolhida por famÃlias estendidas, formadas por parentes de segundo grau, ou seja, os avós, e de terceiro grau, tios e primos. âMesmo após a pandemia, o Brasil manteve-se com cerca de 30 mil órfãos em instituições de acolhimento, portanto, eles [os órfãos da Covid-19] não passaram pelos registros dos sistemas públicos de assistência social, pois foram acolhidos por famÃlias estendidas”, explica a coordenadora do Instituto Geração Amanhã,Sandra Sobral.
Segundo AldaÃza Sposati, professora da PUC-SP e membro da Coalizão Nacional dos Direitos da Orfandade da Covid-19, a pandemia lançou luz sobre duas lacunas em relação à orfandade no Brasil. A falta de recursos de identificação de órfãos por parte das instituições brasileiras e a ausência de uma abordagem especÃfica a esse público no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).Â
âOs cartórios só forneciam informações, de maneira bruta, que permitiam acesso aos órfãos em caso de segurados que tinham direito aos benefÃcios do INSS. O ECA não menciona a questão da orfandade especificamente, cita afastamento da famÃlia, que não ocorre necessariamente por orfandade. Diante desse cenário, do ponto de vista material, temos um recurso que auxilia, em parte, a notificação pelo INSS, e do ponto de vista assistencial, não temos nadaâ, resume.
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Veja o que já enviamosDe março de 2020 até hoje, passaram-se quase três anos do inÃcio da pandemia no Brasil e, até o momento, nenhuma polÃtica pública nacional foi adotada para proteger os órfãos da Covid-19. A iniciativa mais concreta vem da região Nordeste, com cerca de 26 mil órfãos, segundo estimativas da Câmara Temática de Assistência Social do Consórcio Nordeste.
Com foco nesse público, o consórcio criou o Programa Nordeste Acolhe, que oferece um auxÃlio financeiro de R$ 550 para cada órfão, com idade até 18 anos, e institui diretrizes para o acompanhamento especial dessas crianças e adolescentes na Rede de Assistência Social. São elegÃveis ao programa, crianças e adolescentes órfãos monoparentais, quer dizer quando o único responsável pela famÃlia vem a falecer, ou bilaterais, quando ambos os responsáveis falecem.
Em âmbito nacional, alguns projetos de lei foram pensados, mas não saÃram do papel. No Senado, o PL 2.180 de autoria da senadora Eliziane Gama, do Cidadania do Maranhão, prevê a criação do Fundo de Amparo à s Crianças Ãrfãs pela Covid-19 para garantir o pagamento de um auxÃlio financeiro a menores de 18 anos. Na Câmara, o PL 439/22 prevê a inclusão de crianças e adolescentes que se tornaram órfãs de forma trágica na lista dos elegÃveis ao BenefÃcio de Prestação Continuada (BPC), o que pode vir a beneficiar os órfãos da Covid.Â
Pouco apoio aos órfãos no Nordeste
Apenas PiauÃ, Sergipe, ParaÃba e Rio Grande Norte estão realizando o pagamento do benefÃcio e adotando as diretrizes de proteção social. O Maranhão, embora tenha sido o pioneiro na instituição da polÃtica, não iniciou o pagamento do benefÃcio âdevido a dificuldades enfrentadas pelas equipes na realização da busca ativa dos órfãosâ, informa a coordenadora da Câmara Técnica de Assistência Social do Consórcio Nordeste, Ãris Oliveira.
Em Pernambuco, o programa foi sancionado, porém, as ações não foram iniciadas, pois âa implantação ainda está na fase de cruzamento de dados sobre os óbitos registrados nos serviços de saúde e do CadÃnicoâ. A informação é de Michele Rodrigues, que na época da apuração desta reportagem, atuava como coordenadora Geral de Vigilância Socioassistencial da Secretaria Executiva de Assistência Social de Pernambuco (SEASS). Por fim, os estados de Alagoas, Bahia e Ceará ainda não instituÃram o programa legalmente. No frigir dos ovos, até agora, quatro dos nove estados da região contam com o programa efetivamente implementado.
Em números atuais fornecidos pelo Consórcio Nordeste, o Piauà Acolhe atende 89 órfãos, seguido do ParaÃba que Acolhe, com 49 beneficiários. O Sergipe Acolhe atende dez órfãos e, por fim, o Rio Grande do Norte beneficia, até o momento, cinco órfãos. Só para ter uma ideia, esses beneficiários somam 153, muito pouco perto dos cerca de 113 mil órfãos da Covid existentes no paÃs.Â
Segundo Ãris, as dificuldades de implementação do Nordeste Acolhe passam pela falta de retorno dos municÃpios e pelas restrições impostas ao longo do perÃodo eleitoral, impedindo a divulgação do serviço. No Rio Grande do Norte, de um total de 167 municÃpios que receberam o questionário, 95 responderam, identificando 115 órfãos. âA gente não tem muita resposta dos municÃpios, e o perÃodo, no qual o programa foi implementado, coincidiu com as eleições, quando a divulgação é proibida. As pessoas não sabem que o programa existe, onde e quem procurar para obter informações sobre como ter acessoâ, explica.
Fome em meio à dor
Dona Francisca conta que, no dia 2 de abril de 2021, o marido, Francisco, se internou na UPA Messejana, queixando-se de cansaço e falta de ar. A famÃlia preferia que ele ficasse por lá, pois havia a possibilidade de manter contato por chamada de vÃdeo, fora do horário das visitas, o que aliviava um pouco a apreensão. A idosa se preocupava com o fato de o marido precisar de uma UTI e não ter acesso em tempo, uma vez que a UPA não dispunha do equipamento.
Por telefone, seu Francisco falava que o local era bom, que estava sendo bem tratado, mas confirmou que teria que ser transferido, caso precisasse de UTI. No dia 9 de abril, a pior de todas as notÃcias chegou para a famÃlia: seu Francisco não resistiu a doença e faleceu. âAté hoje, a gente não sabe se ele morreu porque demorou a ser transferido para a UTIâ, lamenta dona Francisca.
A morte de seu Francisco permanece um assunto caro para a famÃlia. A dor da perda, ainda muito presente, levou alguns membros da famÃlia a tomarem remédios controlados, conta dona Francisca, em lágrimas. Em meio a essa condição de fragilidade, a avó cuida de quatro crianças sob a incerteza do que vai comer no dia seguinte. âA gente prefere ter barriga cheia. Os R$ 600 do AuxÃlio, única renda que a gente tem, são só para comerâ, frisa. Infelizmente, mesmo gastando tudo que tem com alimentos, a sensação de barriga cheia é algo que ela e os quatro netos não experimentam há tempos, pois a renda não é suficiente para garantir a segurança alimentar.Â
Elohá, a neta de 2 anos, é filha de Ana Kelly, de 16 anos, a caçula de dona Francisca. Maria Valentina, de 8 anos, vive sob a responsabilidade da avó porque a mãe sofre com doença mental. Os pais dos outros dois netos só veem os filhos à noite, pois passam o dia em trabalhos informais.
No PiauÃ
O Piauà Acolhe foi implementado em dezembro de 2021. O programa mudou as regras que, antes beneficiavam órfãos bilaterais, e passou a contemplar também órfãos unilaterais, ampliando o número de atendidos. A iniciativa garante um auxÃlio de R$ 550 por mês e acompanhamento especial da rede de proteção social a órfãos com menos de 18 anos, que vivem em uma famÃlia com renda de até três salários mÃnimos. Para regularizar o acesso, é necessário que o responsável adquira a guarda judicial do órfão, entretanto, o inÃcio do pagamento do benefÃcio não está condicionado à oficialização da guarda.
Nós estamos trabalhando com famÃlias com até três salários mÃnimos, mas tem muitas outras famÃlias que precisam de atendimento, que, mesmo antes de receberem os órfãos, mal tinham comida
A diretora de Gestão do Sistema Ãnico de Assistência Social, da Secretaria Estadual de Assistência Social do Piauà (SASC), Rosângela Sousa, explica que, no momento em que os órfãos são acolhidos pelas famÃlias estendidas, torna-se uma questão do espaço privado, doméstico, por isso o Estado tem dificuldades de acesso à s informações. A falta de apoio do Governo Federal é outro problema apontado. Hoje, o Piauà Acolhe é totalmente financiado com recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop).
âNós estamos trabalhando com famÃlias com até três salários mÃnimos, mas tem muitas outras famÃlias que precisam de atendimento, que, mesmo antes de receberem os órfãos, mal tinham comida. Se recebessemos uma ajuda do Governo Federal, poderÃamos atender mais pessoas. O Governo Federal também poderia disponibilizar uma ferramenta avançada, que desse celeridade à busca ativa dos órfãosâ, destaca Rosângela.
A realidade do Piauà se estende ao longo de toda a região Nordeste. A coordenadora da Câmara Técnica de Assistência Social, Ãris Oliveira, afirma que âo programa [Nordeste Acolhe] foi implementado com recursos e conhecimento técnico exclusivos de cada estado, sem apoio algum do Governo Federal. Após as eleições, vamos retomar a discussão sobre os critérios de acesso ao benefÃcio. Outra coisa importante é saber se o Censo atual incluiu essa questão na pesquisa, ajudando na identificação desses órfãosâ, destaca.
Morte depois do parto
Um misto de alegria e apreensão tomou conta da famÃlia quando Flávia de Sousa, esposa de Rodrigo da Silva, morador do bairro Pedra Mole, na periferia de Teresina, capital do PiauÃ, sentiu as primeiras contrações, dando sinais de que o bebê estava a caminho. A alegria era pela chegada de mais um membro da famÃlia. Já a apreensão devia-se ao fato de ter que ir ao hospital no momento mais crÃtico da pandemia, o que significava correr um risco maior de contrair Covid-19. Rodrigo levou a esposa ao hospital, porém, depois de examinada, ela foi encaminhada de volta para casa, pois os médicos avaliaram que o parto demoraria.
Foi a maior dor do mundo! Eu pensei: e, agora? Como vai ser para criar esses meninos? E a bebezinha, como vai ser amamentada?
No mesmo dia, à noite, ela voltou a ter contrações e, desta vez, ficou no hospital para dar à luz. No dia seguinte, Rodrigo visitou a filha que já havia nascido, mas já encontrou a esposa no isolamento, relatando cansaço, falta de ar e muito medo de morrer. O médico disse que ela estava com o pulmão inflamado. Flávia havia contraÃdo Covid-19. Após 15 dias de internação, Rodrigo chegou ao hospital e descobriu que a esposa não voltaria para casa para encontrar a bebê e os outros quatros filhos. Flávia havia falecido.
âFoi a maior dor do mundo! Eu pensei: e, agora? Como vai ser para criar esses meninos? E a bebezinha, como vai ser amamentada? Logo no inÃcio, o pessoal do hospital doou leite e fralda. O médico ajudou reformando a nossa casa, e os vizinhos ajudaram também, pois eu estava desempregado”, conta Rodrigo.
Hoje, os cinco filhos de Rodrigo vivem sob os cuidados de sua mãe, Alda Maria, de 58 anos. Todos estão inseridos no Piauà Acolhe e recebem o auxÃlio financeiro, juntamente com o acompanhamento socioassistencial. âA ajuda veio em boa hora, porque a minha renda vinha de bico. Como eu ia ficar com essas cinco crianças?â, destaca Rodrigo.
Para os órfãos, a pandemia não acabou
O Brasil alcançou a triste marca de quase 700 mil mortes por Covid-19. Mesmo com a redução no número de óbitos, os órfãos da pandemia ainda sentem os seus efeitos muito presentes em suas vidas. Além do luto pela perda dos pais ou avós, Sandra Sobral afirma que há ainda os efeitos de ordem âfinanceira, social e emocionalâ. A falta do responsável e a desestruturação familiar aumentam os riscos de o órfão sofrer com efeitos como evasão escolar, trabalho infantil, depressão e abuso sexual.
As famÃlias chefiadas por Francisca da Silva e Rodrigo da Silva tornam públicos alguns dos rostos dos 33,1 milhões de pessoas que dormem sem saber o que vão comer no dia seguinte. Também são retratos dos cerca de 50% dos lares do Nordeste com crianças menores de 10 anos, em que há dificuldade de conseguir alimento. Esses números foram revelados no 2º Inquérito VIGISAN, que também identificou que mulheres negras, rurais e com baixa escolaridade sofrem mais com a fome.Â
As estatÃsticas sobre orfandade da Covid-19 ainda nem foram levantadas e essas famÃlias já se apresentam entre elas. Negras, pobres, moradoras de periferia e com baixa escolaridade, elas têm um perfil que está no olho do furação da desigualdade que estrutura o Brasil. Sendo assim, destino e coincidência são palavras que não cabem ser cogitadas para avaliar essa justaposição em tantas estatÃsticas. Por essa razão, enquanto para muitas pessoas a pandemia parece cada vez mais distante, para os órfãos da Covid-19, ela é muito presente na forma das dores do luto e da sensação de barriga vazia.
O que esperar para 2023
A questão dos órfãos da Covid-19 chegou ao Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) trazida pela Coalizão Orfandade de Direitos, grupo de organizações da sociedade civil que surgiu na pandemia para defender polÃticas de proteção aos órfãos da doença.Â
Fruto desse diálogo, o Conanda incluiu no documento base que orienta a realização das Conferências de Crianças e Adolescentes nos estados e municÃpios, um capÃtulo que recomenda atenção especial aos problemas oriundos da orfandade pela Covid-19.Â
O eixo temático 2, que se inicia na página 13, cobra a adoção de iniciativas de reparação das âviolações e vulnerabilidades resultantes da pandemiaâ. Já o eixo 5, na página 20, recomenda a âgarantia de recursos para o custeio de polÃticas públicas direcionadas aos órfãos da Covid-19â, cita o documento.
O presidente do Conanda, Diego Alves, destaca a importância de assegurar o direito à memória em uma polÃtica pública de proteção. âà necessária uma polÃtica de direito à memória, que permita [aos órfãos] saberem como tudo aconteceu, que foram atingidos também pela negligência do Estado, que poderia ter evitado muitas dessas mortesâ, defende.
A Agenda 227, um movimento formado por 18 entidades que defendem a garantia de direitos da infância e adolescência, realizou diálogos com representantes dos partidos que concorriam à s eleições nos estados e com candidatos à presidência da república. O objetivo era fazer com que eles se comprometessem com as propostas da Agenda 227/Plano PaÃs, algumas delas, inclusive, voltadas aos órfãos da Covid-19, presentes nos capÃtulos 61 e 63.Â
A conversa, realizada em julho de 2022, contou com representantes do MDB, PSB, PT, PDT, PSDB e União Brasil. Já em agosto, a agenda envolveu os então presidenciáveis Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União) e Vera Lúcia (PSTU). Bolsonaro não atendeu ao convite das organizações.Â
Com a eleição de Lula a possibilidade de medidas para esse público avança. A equipe de transição anunciou que incluiu uma sugestão para o pagamento de pensão aos órfãos da Covid-19 no próximo governo.Â
Além disso, o plano de governo do presidente eleito afirma na página 9, tópico 44, que as crianças e adolescentes que se tornaram órfãos da Covid-19 terão prioridade em polÃticas de combate à pobreza e de promoção à saúde, alimentação, educação e bem-estar.
A representante da Coalizão Nacional dos Direitos da Orfandade da Covid-19, AldaÃza Sposati, destaca que o Brasil possui equÃvocos na forma de pensar as polÃticas sociais. BenefÃcios como o AuxÃlio Brasil, por exemplo, não fazem distinção da criança como sujeito de direitos, mas, sim, âas relega à condição de provedoras, à medida que lhes concede o benefÃcio vinculado a condicionalidadesâ, crÃtica. Â
Ela explica que o AuxÃlio Brasil considera a soma da renda familiar, mais o valor de R$ 65 pagos por criança e divide pelo total de membros da famÃlia. Caso o resultado per capita seja inferior a R$ 211, é realizado um complemento com recursos do BenefÃcio de Superação da Pobreza.
Ainda segundo AldaÃza, a Coalizão segue defendendo um benefÃcio nacional para os órfãos da Covid-19. âTemos o Nordeste Acolhe, que é importante, mas não é uma solução nacional. Por isso, defendemos um benefÃcio que seja nacional, tenha um caráter de reparação e que seja ofertado como uma forma de pensão, ou seja, um valor fixo até os 18 ou 20 anosâ, conclui. Sobre o foco social do programa, AldaÃza enfatiza que a proposta polÃtica defendida pela Coalizão é focada na preservação da ancestralidade das crianças, para que estas não percam a sua história, origem e tradições familiares.
