O Brasil inicia a disputa dos Jogos ParalÃmpicos de Paris 2024 com a meta de realizar a campanha mais vitoriosa de sua história. Para isto, o Comitê ParalÃmpico Brasileiro (CPB) enviou para a capital francesa a maior delegação brasileira da história da competição: o total de 280 atletas, sendo 255 com deficiência, 19 atletas guia (18 para o atletismo e 1 para o triatlo), três calheiros da bocha, dois goleiros do futebol de cegos e um timoneiro do remo. O Brasil busca a 400ª medalha nos Jogos ParalÃmpicos que são disputados desde Roma 1960: o paÃs acumula 373 medalhas – 109 ouros, 132 pratas e 132 bronzes – e faltam 27 pódios para a marca histórica.
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O objetivo estabelecido pelo CBP é ultrapassar as campanhas dos Jogos do Rio (2016) e de Tóquio (2020), nos quais, em cada, o Brasil conquistou o total de 72 medalhas. Porém, foi no Japão que o paÃs estabeleceu o recorde de ouros, 22, superando a marca dos Jogos de Londres (2012), quando 21 brasileiros subiram ao lugar mais alto do pódio. No Rio 2016, foram conquistados 14 ouros. âTemos, no nosso plano estratégico, formulado em 2017, a meta de conquistar entre 70 e 90 medalhas e de ficar entre os oito primeiros. Mas a nossa real expectativa é de que o Brasil possa fazer em Paris a melhor campanha de todos os temposâ, declarou o presidente do CPB, Mizael Conrado, à Agência Brasil, sobre a expectativa de campanha do Brasil nos Jogos de Paris 2024, abertos nesta quarta-feira (28/08) – o encerramento será no dia 8 de setembro.
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Veja o que já enviamosEm Paris 2024, o Brasil estará representado em 20 das 22 modalidades: atletismo, badminton, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol de cegos, goalball, hipismo, halterofilismo, judô, natação, remo, tênis em cadeira de rodas, taekwondo, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo e vôlei sentado. Só não haverá brasileiros no basquete em cadeira de rodas e no rúgbi em cadeira de rodas. Ao todo, 23 dos 26 estados do Brasil, além do Distrito Federal, estarão representados na delegação brasileira que vai disputar os Jogos ParalÃmicos.
Os atuais campeões paralÃmpicos Beth Gomes (atletismo) e Gabriel Araújo (natação) foram escolhidos como os porta-bandeiras da delegação brasileira na abertura oficial dos Jogos de Paris 2024, realizada, pela primeira vez fora de um estádio, com o desfile dos atletas partindo da parte inferior da famosa avenida Champs-Elysées se estendendo pelo coração da capital francesa até a histórica Place de la Concorde. Aos 59 anos, a multicampeã Beth, medalhista no lançamento de disco e arremesso de peso, desfilaou ao lado de Gabrielzinho, de apenas 22, que faturou dois ouros e uma prata em Tóquio, na sua primeira ParalimpÃada.
Resultados expressivos
De acordo com o CPB, a delegação brasileira chega a Paris em um dos melhores ciclos de sua história em diversas modalidades, com resultados relevantes em Mundiais. No atletismo, que é a modalidade com a maior quantidade de convocados para Paris 2024, com 71 atletas e 18 atletas-guia, o paÃs obteve campanhas históricas nos Mundiais de Paris 2023 e de Kobe 2024. No Japão, os brasileiros conquistaram o maior número de ouros na história do paÃs na competição, com 19 pódios dourados, superando as 16 vitórias registradas na edição de Lyon 2013. O atletismo é o esporte em que o Brasil mais conquistou medalhas em Jogos ParalÃmpicos, com 170, somando os pódios das provas nas pistas e no campo â foram 48 de ouro, 70 de prata e 52 de bronze.
A natação tem o segundo maior número de atletas em Paris, 37 nadadores ao todo. à também a segunda modalidade em que o Brasil mais conquistou medalhas na história dos Jogos, com 125 (40 ouros, 39 pratas e 46 bronzes). Os nadadores do paÃs conseguiram uma campanha histórica no Mundial da Ilha da Madeira 2022 ao ficarem na terceira colocação do quadro de medalhas do evento, com 53 no total, sendo 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze.
O pernambucano Phelipe Rodrigues, 34, é o atleta brasileiro convocado para os Jogos ParalÃmpicos de Paris com mais medalhas na história da competição. O nadador da classe S10 (limitações fÃsico-motoras) é o único a ter oito pódios paralÃmpicos na carreira. Phelipe conquistou ao menos uma medalha em cada uma das quatro edições dos Jogos que disputou, de Pequim 2008 a Tóquio 2020. Especialista nas provas de velocidade (50m e 100m) do nado livre, ele soma cinco pratas e três bronzes no currÃculo. âSer o atleta do Brasil com mais medalhas nesta edição me faz acreditar que todo o esforço nos últimos anos valeu a pena e que, olhando para trás e vendo a minha trajetória, eu posso ficar extremamente feliz por estar contribuindo com o nosso paÃs da melhor formaâ, afirmou Phelipe, que nasceu com má-formação no pé direito e, depois de algumas cirurgias para correção, como forma de reabilitação, passou a ter aulas de natação.
Houve também resultados expressivos na canoagem, que conquistou seis medalhas no Mundial de Szeged (Hungria) 2024, recorde na competição, com duas de ouro, duas de prata e duas de bronze. São oito atletas convocados para Paris na modalidade.
No vôlei sentado, o Brasil terá 12 atletas no masculino e 12 no feminino, com 24 no total, o que faz com que seja a terceira modalidade com mais competidores nos Jogos ParalÃmpicos de 2024. E as mulheres chegam com status de atuais campeãs mundiais, com o tÃtulo conquistado na Bósnia, em 2022.
Mulheres em destaque
Dos 255 atletas com deficiência convocados, 117 são mulheres, ou 45,88% do total dos competidores. O número representa a maior convocação feminina brasileira na história dos Jogos ParalÃmpicos, tanto em quantidade quanto em termos percentuais. Em números, as atletas que estarão na capital francesa vão superar as convocadas para a edição de 2016, no Rio de Janeiro, quando o Brasil teve 102 mulheres, o que representou 35,17% do total da delegação.
Em termos percentuais, a maior representatividade de mulheres na delegação havia sido em Tóquio 2020, quando elas foram 41,03% do total dos convocados â 96, ante 138 homens. O aumento da participação das atletas em todas as modalidades paralÃmpicas é um dos pilares do planejamento estratégico do CPB, elaborado em 2017 e revisado em 2021.
Entre as mulheres em Paris estará a catarinense Bruna Alexandre, mesatenista de 29 anos. Ela foi a primeira atleta brasileira apta a defender o Brasil nos Jogos ParalÃmpicos e OlÃmpicos no mesmo ciclo, já que participou dos Jogos OlÃmpicos de Paris, entre julho e inÃcio de agosto, e agora estará nos Jogos ParalÃmpicos.âEssa experiência na OlimpÃada com certeza vai me ajudar nos Jogos ParalÃmpicos. Eu joguei nas principais mesas da arena, enfrentei atletas olÃmpicos, e isso pode sim fazer a diferençaâ, disse Bruna Alexandre. Ela compete na classe 10 (para andantes) e disputará nas duplas mistas, nas duplas femininas e no individual. Aos seis meses de vida, Bruna foi submetida à amputação do braço direito por consequência de uma trombose.
A cearense Edênia Garcia, 37, é a atleta da delegação com maior número de participações em Jogos ParalÃmpicos. Em Paris, a nadadora da classe S3 (limitações fÃsico-motor) estará em sua sexta edição após competir em Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020. Ela conquistou três medalhas paralÃmpicas, duas pratas e um bronze, todas na prova dos 50m costas, sua especialidade. âEu sabia que eu poderia estar em Paris. Não encaro como um desafio. Penso que a natação é algo natural para mim e também é um tratamento para minha condição fÃsica. Faço o que eu amo, trabalho com o que mais gosto e ainda estou cuidando da minha qualidade de vidaâ, afirmou a nadadora, que nasceu com doença de Charcot-Marie-Tooth, condição degenerativa que afeta os movimentos dos seus membros inferiores.
