Ainda vai chegar um tempo no qual a Humanidade estudará, com curiosidade e espanto, que, em pleno século 21, havia uma data destinada à luta pela igualdade de direitos femininos na sociedade. Mas enquanto esse futuro mais justo não vem, o Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março, é celebrado de diversas formas. Uma das ações mais criativas acontecerá no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, que, por dez dias, ganhará o nome da cearense Maria da Penha.
âPela minha história e minha luta, dou nome à principal lei brasileira contra a violência doméstica. E, neste mês de março, emprestei meu nome ao RioGaleãoâ, diz ela, em uma gravação que será reproduzida entre as chegadas e partidas do aeroporto, oficialmente batizado de Tom Jobim. Os pilotos da GOL Linhas Aéreas também adotarão em seus avisos de pousos e decolagens o nome âAeroporto Maria da Penhaâ temporariamente.
[g1_quote author_name=”Paulo Castro ” author_description=”Agência A3″ author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosMaria Penha é um Ãcone quando se fala na luta da violência contra a mulher. Ela abraçou nosso projeto que tem sido a causa dela.
[/g1_quote]Além de homenagear Maria da Penha, a campanha, idealizada pela agência A3, procura dar visibilidade às questões femininas em um espaço de grande circulação. E ainda há outro apelo importante: nenhum aeroporto brasileiro foi batizado com nome de mulher. O único mais próximo disso é o Santa Genoveva, em Goiânia.
Paulo Castro, vice-presidente de criação da Agência 3 entende que, além de visibilidade, a campanha vai despertar discussão sobre o doloroso tema.
– Maria Penha é um Ãcone quando se fala na luta da violência contra a mulher. Ela abraçou nosso projeto que tem sido a causa dela. Não podemos mudar a legislação, mas como agentes de comunicação, temos o dever social de espalhar campanhas como essas, disse o publicitário.
Outra voz icônica nas chegadas e partidas também será ouvida: Iris Lettieri, locutora oficial do aeroporto, vai emprestar seu timbre aveludado à campanha, que se estende também à Rádio Galeão. O programa âAgora é que são elasâ será apresentado uma hora por dia, com o repertório de compositoras e cantoras da Música Popular Brasileira, até o final do mês.
âVocê está ouvindo a rádio Aeroporto Maria da Penha. Em março, a RioGaleão emprestou o seu nome para trocar o destino de muitas mulheres. E, para provar que aqui elas têm voz, a nossa programação vai ser toda delasâ, diz Iris, na chamada da programação.
Na área interna do aeroporto estarão expostos painéis, banners e outras peças da campanha. A alteração do nome também incluirá a troca do letreiro da estação de BRT.
Apesar de a Lei Maria da Penha completar 11 anos em 2017, aumentando o rigor das punições à s agressões contra a mulher ocorridas no ambiente doméstico ou familiar, as estatÃsticas ainda refletem a gravidade do problema. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmam que a cada 1h30 uma mulher é assassinada por um homem, no Brasil, simplesmente por ser mulher â o que totaliza 13 casos de feminicÃdio por dia.
De acordo com o âPanorama da Violência contra as Mulheres no Brasilâ, uma compilação de indicadores nacionais e estaduais realizada pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Instituto de Pesquisa DataSenado, mais de 4.800 mulheres foram assassinadas em 2014 em todo o paÃs. O estudo leva em conta o número de homicÃdios de mulheres registrado em 2014 no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Para cada 100 mil mulheres no paÃs, a taxa foi de 4,6% de assassinatos. Ainda, durante o carnaval, na última semana, o Rio registrou uma agressão a mulheres a cada quatro minutos, segundo dados da PolÃcia Militar.
