Luize Sampaio*
A cidade de Japeri tem pouco mais de 100 mil habitantes e faz parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde diariamente dois milhões de pessoas se deslocam para capital em busca de oportunidades de trabalho e acesso a serviços públicos. E os japerienses são os que mais sente na pele como a falta de planejamento pode afetar a mobilidade. Segundo o Mapa da Desigualdade de 2017, o municÃpio de Japeri, na Baixada Fluminense, tem o maior tempo médio de deslocamento casa-trabalho do paÃs, uma média de três horas gastas no transporte.
Com a falta de oportunidades de emprego dentro do municÃpio, esse cenário se torna comum para boa parte da população do municÃpio, a cerca de 60 quilômetros do centro da capital, que concentra as oportunidades de trabalho; a nova edição do Mapa da Desigualdade aponta que há apenas seis vagas de emprego formal a cada 00 habitantes da cidade.
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Veja o que já enviamosEsses dados mostram como a mobilidade afeta o desenvolvimento da cidade de Japeri e sua população. O tema é pauta de reivindicação antiga dos coletivos locais como o Mobiliza Japeri, Fórum Popular Permanente de Japeri, Grupo Código, o núcleo da cidade do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) entre outros. “Nós temos apenas duas linhas de ônibus de municÃpios vizinhos que passam por Japeri e seguem em direção à capital do estado. Sabemos que é possÃvel pensar e fazer mais conexões, e vamos lutar para que estudos sobre isso estejam presentes no plano de mobilidade da cidadeâ, apontou Esdras, integrante do Conselho da Cidade e do grupo que construiu Agenda Japeri 2030 com propostas de mudanças voltadas para o território.
[g1_quote author_name=”PatrÃcia Alves” author_description=”Diretora administrativa do Mobiliza Japeri” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]
Estamos buscando uma transformação na cidade, para que as pessoas tenham direito de ir e vir, emprego, cultura e lazer. E queremos poder fazer todas essas coisas sem sair da nossa cidade, mas também ter a opção de se deslocar para outros lugares com facilidade quando quisermos
[/g1_quote]A ausência de linhas de ônibus partindo de Japeri para a capital, que concentra a imensa maioria dos empregos da Região Metropolitana do Rio, é uma das preocupações dos coletivos locais, principalmente agora que a prefeitura contratou, recentemente uma empresa terceirizada que vai produzir o Plano de Mobilidade Urbana do municÃpio e planejar as licitações dos ônibus municipais.Â
A participação popular na cidade da Baixada já rendeu avanços significativos como, por exemplo, a elaboração do Plano Diretor de 2019. O mesmo grupo que acompanha e torna essas mudanças possÃveis agora se prepara para lançar a Agenda Japeri 2030, que será realizada simultaneamente a agendas de polÃticas públicas de outras regiões da metrópole fluminense, no dia 24 de outubro, à s 10h, com transmissão ao vivo pelas redes sociais da Casa Fluminense.Â
Com o tÃtulo âJaperi Humana e Sustentávelâ, o grupo escolheu quatro eixos de monitoramento: economia, sociedade, meio ambiente e governança. âEstamos buscando uma transformação na cidade, para que as pessoas tenham direito de ir e vir, emprego, cultura e lazer. E queremos poder fazer todas essas coisas sem sair da nossa cidade, mas também ter a opção de se deslocar para outros lugares com facilidade quando quisermos. Termos o direito à escolhaâ, destaca a diretora administrativa do Mobiliza Japeri, PatrÃcia Alves.Â
Uma outra pauta da agenda é a valorização do turismo local. Um dos marcos dessa demanda é a antiga Estação de Belém, construÃda em 1858 e tombada pelo Patrimônio Histórico e ArtÃstico (IPHAN). Por alguns anos, a plataforma de trem ficou abandonada mas passou por reforma em 2019. Porém, em julho deste ano, o prédio foi tomado por chamas e até hoje os moradores desconhecem o que causou o incêndio.
Agendas locais 2030Â
Elaboradas por lideranças e grupos da região de Japeri, Queimados, São Gonçalo, Maré e Santa Cruz, as agendas locais são resultado de um trabalho de escuta e análise de dados territoriais. Elas surgiram como uma forma ampliar e territorializar a Agenda Rio 2030, conjunto de propostas de polÃticas públicas, atualizada e produzida pela Casa Fluminense â associação civil com foco em polÃticas públicas para a redução das desigualdades â e sua rede de parceiros na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As agendas locais têm como objetivo amplificar o debate público e o monitoramento social, não só aquele que é feito na academia e nos órgãos de governo, mas também nos territórios.
*Casa Fluminense
