Paris, uma das mais belas capitais do mundo, sofre um ataque brutal, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. O número de mortos varia de acordo com as fontes, 123, 140, 153. Cerca de 80 morreram enquanto assistiam a um show de rock no Bataclan, famosa casa de espetáculos. Fronteiras fechadas, milhares de soldados nas ruas. Quem fez isso? Homens-bomba, atiradores que passaram dias ou meses se preparando para morrer em nome de uma causa. Causa? O que justificaria tanta violência? Religião, poder, territórios. Acabou. Game over. O mundo está perdido, vamos desistir.
Talvez não. No meio desse pesadelo pipocavam nas redes sociais os primeiros sinais de que ainda havia esperança. Acompanhado da hashtag â#porteouverteâ, os parisienses começaram a mandar mensagens oferecendo suas casas para receber todos que estavam perdidos nas ruas, com medo, sem saber para onde ir: âQuem precisar de um lugar seguro, mande uma mensagemâ, dizia Florian Duretz, à s 20h20. âSe necessitar de ajuda, eu tenho um lugar para você dormir no quinto distritoâ, completava Thomas Nigro. E assim seguiu a noite toda:
âTenho dois lugares na rua Ordener, 43â, Julien Phillippe â 22h
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Veja o que já enviamosâAqui vão os telefones das Embaixadas em Parisâ, George Aillet â 22:12
âMotoristas de taxi estão oferecendo corridas gratuitasâ, Gemma Bonvenizer â 23:23
A expressão â#porteouverteâ foi repetida quase 500 mil vezes ao longo da noite. Só sendo superada, no Twitter, pela â#fusilladeâ (disparo). Uma outra hashtag também fez muito sucesso nesta noite sangrenta, a â#rechercheParisâ, com apelos comoventes de pessoas procurando notÃcias de parentes e amigos. âSe alguém tiver notÃcias de Lola, 17 anos, no #Bataclan, entre em contato conoscoâ, dizia um dos posts. Outro se mostrava preocupado com o amigo Thibault: âEle não está respondendo à s minhas mensagens. Me ajudemâ. No entanto, um dos mais comuns era: âObrigado a todos pelos seus RT (retweets), fulana está bemâ.
O Facebook também lançou um recurso de check-in para que as pessoas soubessem que os amigos estavam a salvo em Paris. E dizia: âMarque seguro, se você sabe que o que amigo está OKâ. Daria para encher páginas e páginas com essas demonstrações de solidariedade. Elas são muito, mas muito mais numerosas do que as notÃcias de mortos e feridos. A sexta-feira, 13 de novembro, de 2015, certamente terá um lugar de destaque numa das páginas tristes da nossa história. Mas neste dia, ficou claro mais uma vez, que a luta não está perdida: os bons ainda são maioria.
