Desde 2013, alguns produtores de café especial de sombra do Maciço de Baturité passaram a abrir suas propriedades para visitantes, que viajam à região para conhecer a Rota Verde do Café. O roteiro de ecoturismo é fruto do trabalho do Sebrae Ceará junto aos cafeicultores, com foco no fomento ao desenvolvimento sustentável.
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A renda obtida é, para muitos produtores, uma forma de seguir investindo no aprimoramento de seus cafés e de manter vivo o trabalho iniciado por seus familiares tantos anos atrás. No caso do SÃtio São Roque, é também uma maneira de viabilizar a revitalização dos cafeeiros da região, preservando a variedade do café arábica typica â apelidado carinhosamente de âtypicamente cearenseâ.
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Veja o que já enviamosâEsse café está em extinção porque ele demora mais a produzir e tem menos quantidade, mas é de um sabor inigualável, considerado um dos cafés exóticos. Era o café que papai plantava e o que a gente defendeâ, ressalta a produtora Mônica Farias, atual presidente da Associação dos Produtores Ecológicos do Maciço de Baturité. A partir do trabalho junto à associação, mudas selecionadas do café typica estão sendo plantadas nas propriedades para substituir os pés mais velhos, já centenários. Só no SÃtio São Roque, milhares dessas mudas foram plantadas debaixo da copa das árvores nos últimos anos.
Para Seu Uchôa, o turismo é também uma chance de fazer com que mais pessoas valorizem todo o trabalho que existe por trás de uma xÃcara do café especial do Maciço. âO pessoal vem para cá e se encanta, porque o nosso café é realmente diferente. Eu digo assim: quando você bebe um café ruim, ele desce na boca. Já o café bom sobe. O nosso café, além de subir e ser bom, enche a boca. Esse é a nossa diferença. E depois que você experimenta, é difÃcil voltar para um café ruimâ, defende, orgulhoso.
No que cabe a esta repórter atestar, Seu Uchôa está coberto de razão. Beber o café do Maciço de Baturité é um caminho sem volta.
