Um bonde chamado saudade

Obras em Santa Teresa, que já estavam em marcha lenta, são paralisadas com apenas 3km de trilhos instalados

Por Luciana Conti | Mobilidade UrbanaODS 11ODS 16 • Publicada em 8 de outubro de 2016 - 10:00 • Atualizada em 2 de setembro de 2017 - 22:56

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Obras paralisadas em Santa Teresa: rua ficou sem capeamento (Foto Luciana Conti)

Nada mais moderno no Rio contemporâneo do que andar de bonde, ou melhor, no  hi-tech VLT do Centro do Rio de Janeiro, sempre lotado de cariocas e turistas. Mas a euforia que viaja no conforto do veículo leve sobre trilhos, inaugurado em julho ao custo de R$ 1,157 bilhão, não contagia os usuários de sua versão vintage, o bondinho de Santa Teresa. Os moradores veem o meio de transporte mais tradicional do bairro voltar aos trilhos em marcha lenta, desde que, em 2011, foi retirado das ruas, depois de um acidente com seis mortos e 50 feridos.

A situação é tão absurda que os moradores já fizeram até uma horta aqui na rua para denunciar o abandono da obra

Claudia Helena Schuch Pinto
da Associação de Moradores de Santa Teresa

Dos 10,5 quilômetros de trilhos prometidos, foram entregues apenas 3 mil metros. E há mais de dois meses as obras de expansão estão paradas. Foram interrompidas pela Secretaria estadual de Transportes, para desânimo maior dos moradores, de um dia para o outro.  Quem passa hoje na Rua Almirante Alexandrino, a principal do bairro, se espanta com o estado da pista no trecho entre o Hospital Quarto Centenário e o Morro do Fallet.  São cerca de 350 metros em que a rua ficou sem capeamento em uma de suas duas faixas, o que fez o trilho se destacar no meio da terra e da brita que cobrem o chão esburacado, deixando motoristas e ciclistas em risco.

“Essa situação é tão absurda que os moradores já fizeram até uma horta aqui na rua para denunciar o abandono da obra”, diz a jornalista Claudia Helena Schuch Pinto, diretora de comunicação da Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast).

Luciana Conti

Jornalista há 25 anos, mantém na web o blog Gato de Sofá sobre literatura para crianças e jovens. Apaixonou-se pelo ofício de repórter no dia a dia das redações do Jornal do Brasil e de O Globo, tendo graduado-se em Comunicação Social e em Sociologia e Política, ambas pela PUC-Rio. É também especialista em literatura infantil e juvenil pela UFF e cursa a pós-graduação em Literatura, Artes e Pensamento Contemporâneo da PUC-Rio.

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