Rio de Janeiro (RJ) – Foram sete dias ininterruptos de forte dor de cabeça, ardência nos olhos, falta de ar e enjoo, muito enjoo. Os sintomas começaram a ser sentidos pela produtora agroecológica Graciela de Almeida há cerca de um mês no Assentamento Santa Rita de Cássia II, no municÃpio gaúcho de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre (RS). A intoxicação teria ocorrido entre os dias 11 e 12 de novembro. Menos de um mês depois, assentados de Eldorado do Sul, no municÃpio vizinho, tiveram os mesmos sintomas.
[g1_quote author_name=”Graciela de Almeida” author_description=”Produtora agroecológica do assentamento Nova Santa Rita de Cássia II” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Exigimos investigação, justiça e reparação de danos
[/g1_quote]âIntencional ou não, o fato é que tivemos prejuÃzos na saúde, na produção, no ambienteâ, comenta, indignada, Graciela. Ela pagou130 reais do próprio bolso para coletar sangue e anexar no processo. âExigimos investigação, justiça e reparação de danosâ, cobra, lembrando que Nova Santa Rita é conhecido por ser âa capital da agricultura orgânica no paÃsâ.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosMaiores produtores de arroz orgânico da América Latina, os assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Nova Santa Rita e também os de Eldorado do Sul são as mais novas vÃtimas da deriva no Rio Grande do Sul. A contaminação já havia sido detectada pelos produtores gaúchos de uvas, que tiveram suas parreiras destruÃdas pelo herbicida 2,4-D, muito usado na produção de soja.
Uma investigação está em curso, desde que alguns assentados de Nova Santa Rita fizeram um Boletim de Ocorrência na PolÃcia Civil denunciando pulverização de agrotóxico em suas produções agroecológicas.  Uma das vÃtimas relatou que, após o avião passar, suas âplantações começaram a morrerâ. O avião supostamente âestaria transportando venenoâ, diz um dos BO. O laudo técnico solicitado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) ainda não ficou pronto. A previsão é janeiro de 2021.
A pulverização aérea de um agrotóxico, ou um coquetel deles, por fazendeiros de arroz não orgânico da região vem causando prejuÃzos na saúde dos assentados de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, e nas suas finanças.  à a deriva do herbicida Loyant (composição quÃmica é o Florpirauxifen-Benzil) que estaria causando a contaminação. à mercê do vento, o produto quÃmico chega a percorrer 30km de distância, após o rasante de um avião sobre uma plantação de terceiros.
[g1_quote author_name=”Emiliano Maldonado” author_description=”Membro da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Posso afirmar que, no mÃnimo, 25% dos assentados foram atingidos
[/g1_quote]âPode ter sido usado também um coquetel de quÃmicos, além do Loyantâ, comenta Emiliano Maldonado, da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap). Ainda é prematuro calcular o tamanho do prejuÃzo dos assentados. O advogado explica que alguns deles foram atingidos pela deriva do agrotóxico diretamente no seu lote, enquanto outros foram afetados na produção coletiva que envolve todos os assentados. âPosso afirmar que, no mÃnimo, 25% dos assentados foram atingidosâ, antecipa o advogado, comentando que o ânúmero pode ser ainda maior se somarmos a produção coletivaâ.
Já em relação a produção de hortaliças e frutas, a maioria das famÃlias perdeu de 80% a 100% da sua produção, o que compromete o rendimento dos assentados. “Eles foram gravemente afetados, o que compromete a atividade comercial nas feiras orgânicas de Porto Alegre”, acrescenta Maldonado.
Há uma década, o Brasil ostenta o tÃtulo de um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxico. No caso do Rio Grande do Sul, a soma e combinação de fatores como vento e umidade do ar ajudam a dispersar os defensivos agrÃcolas.
[g1_quote author_name=”Leonardo Melgarejo” author_description=”Membro da Associação Brasileira de Agroecologia” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]A solução exige proibição da pulverização aérea na região
[/g1_quote]A contaminação é visÃvel a olho nu. As plantas ficam queimadas constatou o agrônomo Leonardo Melgarejo, após percorrer alguns locais. As plantas de folha larga foram as mais afetadas, o que sugere o uso de um herbicida hormonal. âQuando as aeronaves fazem o retorno, para voltar a pulverizar sobre a lavoura de interesse, estas distâncias lineares, no solo, entre lavoura de interesse e lavoura prejudicada perdem eficácia de medidaâ. Melgarejo também é membro da Associação Brasileira de Agroecologia (Abrasco). âA solução exige proibição da pulverização aérea na regiãoâ, defende. Se não proibir, vai voltar a ocorrer. âAmeaça o direito ao trabalho e a saúdeâ.
O Rio Grande do Sul passa por um momento conflituoso. O governador Eduardo Leite (PSDB) defende a alteração da Lei dos Agrotóxicos, de dezembro de 1982, considerada um marco no paÃs, por vetar o uso de agrotóxicos proibidos em seus paÃses de origem. O Projeto de Lei 260/ 2020 vem enfrentando resistência da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável. Ampliar a liberação de agrotóxicos é uma forma de aumentar o problema da deriva nas lavouras, sendo a denúncia de contaminação nos assentamentos da reforma agrária em Nova Santa Rita e Eldorado do Sul as vÃtimas mais recentes.

Pulverizar o alvo errado? Acidente ou crime? Não importa, o prejuÃzo é imenso para a saúde e para a produção de alimentos livres de venenos. Quem deveria pagar a indenização? Eu sugiro que quem fabrica pague esta conta, só assim, vão investigar e controlar seus compradores irresponsáveis ou bandidos. Depois, eles (os fabricantes) que processem quem pulverizou para tentar reaver o prejuizo. Não é mais simples?
bom vou dizer se eles fica nos imcomodando eu vou é joga veneno na cara deles e de verdade