Vinte e cinco de novembro de 2011, em pleno Black Friday, dia de maior venda do comércio, a Patagonia, uma das mais famosas marcas de roupas esportivas do planeta, decide publicar um anúncio de página inteira no jornal The New York Times. Até aÃ, nada demais. Certo? Na foto que ilustrava a publicidade, uma jaqueta azul, um dos produtos mais cobiçados e vendidos da companhia â custa uns US$ 150 -, acompanhada de uma inusitada mensagem: âNão compre esta jaquetaâ. Se este fosse um post do Instagram teria uma carinha de espanto. Mais uma jogada inteligente de marketing ou um compromisso honesto com o consumidor? Talvez as duas coisas.
Embaixo da foto e da frase, mensagens que resumiam um pouco a história da Patagonia, uma empresa que mais de 50 anos: âReduzir: Não compre o que não precisaâ, âReparar: Nós te ajudamos a consertar seu equipamentoâ, âReuso: Nós ajudamos a encontrar um lar para os produtos da Patagônia que você não precisa maisâ, âReciclar: Recuperamos o seu equipamento usadoâ, âReimaginar: Juntos reimaginamos um mundo onde levamos apenas o que a natureza pode substituirâ.
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Veja o que já enviamosHá quinze dias, o alpinista, ambientalista e dono da Patagonia, Yvon Chouinard, decidiu dar mais uma demonstração de coerência explÃcita. Junto com a esposa e os filhos, ele doou todo capital da empresa, avaliada em US$ 3 bilhões, para Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam no combate à mudança climática, a maior delas é a Holdfast Collective, que ficará, a partir de agora, com todo o lucro da companhia (algo em torno de US$ 100 milhões por ano.
“Esperamos que isso influencie uma nova forma de capitalismo que não acabe com algumas pessoas ricas e um monte de pessoas pobres”, disse Chouinard em entrevista ao The New York Times. E continuou: âVamos doar o máximo de dinheiro para as pessoas que estão trabalhando ativamente para salvar este planeta.â
O comunicado oficial que informava sobre a doação recebeu o seguinte tÃtulo: âA Terra é o nosso único shareholderâ. Praticamente desde o seu lançamento, no inÃcio dos anos 70, a Patagonia vem apoiando movimentos em favor de uma moda mais consciente, abdicando de matérias-primas poluentes e contrariando a lógica consumista de substituição rápida de peças. Ao abrir mão da companhia, Chouinard engrossa o coro dos bilionários que se dispõem a renunciar de suas fortunas, ou de parte delas, em favor de um mundo mais justo e sustentável. Nesse grupo já estão nomes como Bill Gates, fundador da Microsoft, Warren Buffet e mais recentemente, David Vélez, fundador do Nubank. Um legado de coerência que deveria ser copiado.
