Escolher é um verbo que os mais destituÃdos mal conseguem conjugar. à um privilégio que os moradores de rua não têm. Eles se acostumam a aceitar o que lhes é dado, gostem ou não do que é oferecido. No entanto, uma experiência que começou na Cidade do Cabo, na Ãfrica do Sul, em 2014, e fez sucesso em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, começa a mudar essa realidade, mesmo que seja por apenas um dia.
[g1_quote author_name=”Marcus Lima” author_description=”Empresário” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Quando você vai ao shopping, escolhe o que quer comprar, o que vai comer e beber. Você decide que corte de cabelo deseja. Quando um morador de rua tenta entrar em um shopping center, ele é barrado. Meu intuito é resgatar a autoestima deles e proporcionar esta experiência de cidadão com capacidade de escolha, nem que seja por um dia.
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Veja o que já enviamosO projeto âThe Street Storeâ (âLoja de ruaâ) já atendeu milhares de pessoas e vêm inspirando voluntários no mundo inteiro. Um dos brasileiros que abraçou a ideia foi o cirurgião-dentista e empresário Marcus Lima, de São Paulo. No ano passado, o evento que ele ajudou a organizar na cidade arrecadou cinco mil roupas, 800 sapatos e 300 brinquedos em 4 meses. Mais de 400 pessoas foram atendidas. Para muitos, foi a primeira experiência de escolha de suas vidas.
Este ano, os organizadores da âLoja de Ruaâ esperam atrair cerca de 700 moradores de rua, que poderão escolher com dignidade as suas próprias roupas, sapatos, acessórios, seu corte de cabelo e o prato que querem experimentar.
âQuando você vai ao shopping, escolhe o que quer comprar, o que vai comer e beber. Você decide que corte de cabelo deseja. Quando um morador de rua tenta entrar em um shopping center, ele é barrado. Meu intuito é resgatar a autoestima deles e proporcionar esta experiência de cidadão com capacidade de escolha, nem que seja por um dia. Estas pessoas estão à margem, acostumadas a aceitar qualquer coisa que lhes é oferecida. No nosso evento, eles não recebem esmola, mas escolhem o que quiseremâ, disse. Não se trata apenas de oferecer a experiência da compra, explica Lima, mas também de entretenimento, lazer, saúde, beleza e alimentação.
O shopping improvisado, com opções de compras, alimentação e lazer, terá voluntários que servirão como atendentes, oferecendo logo de inÃcio sacolas aos interessados. Camisetas, blazers, casacos, calças, saias, vestidos e calçados estarão separados por numeração, como numa loja.
Na praça de alimentação, eles poderão pedir os pratos relacionados em um menu: nesta seção, o evento contará com o apoio de food trucks. Uma equipe de dentistas voluntários estará disponÃvel na praça para orientar e atender as pessoas e doar kits de prevenção bucal. Haverá psicólogos e um caminhão com chuveiro. Até mesmo seus animais de estimação serão atendidos por uma equipe de veterinários. Neste ano, haverá ainda uma exposição de fuscas antigos no local e um palco com música e atrações.
Há uma diferença em relação ao projeto sul-africano: lá a ONG coletava os itens em um dia e imediatamente colocava à disposição dos moradores de rua. âAqui se arrecada meses antes e organizamos as coisas como um shoppingâ, explicou Lima, que prepara uma edição bem mais ampliada neste ano, algumas semanas antes do Natal, no dia 4 de dezembro. Será das 8h à s 17h, no Largo do Rosário, no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo.
