Quantas vezes você já comprou algo e depois descobriu que tinha em casa? Algo durável, que ocupa espaço na sua casa e que, daqui a alguns anos, estará num lixão? Quanto maior a bagunça na sua casa, maior a chance de isso acontecer. Mas a bagunça não é só o que está à vista. Objetos se escondem nas gavetas da escrivaninha, nas prateleiras abarrotadas ou em armários de uma casa que parece arrumada.
O verdadeiro motivo da bagunça é o excesso â essa é opinião de Priscila Saboia, autora do blog Reorganize: âNormalmente, um local desorganizado tem coisas acumuladas. Ter muitas coisas, ainda que você tenha espaço para guardá-las, demanda cuidado e administração. Só que administração é tempo, e tempo é dinheiroâ, ela diz.
Priscila faz parte de uma nova geração de profissionais, os personal organizers. Pessoas contratadas para tratar um sintoma do mundo moderno, o acúmulo, que ela define como âtudo que está guardado no fundo de um armário que você ganhou ou comprou por impulso, não lembra quando usou e não te provoca nenhuma lembrança felizâ.
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Veja o que já enviamosA felicidade é um dos principais objetivos de quem trabalha com organização. No livro âA mágica da arrumaçãoâ, Marie Kondo mostra a metodologia que desenvolveu ao longo de anos. Ela faz os clientes reunirem todos os objetos que têm, categoria por categoria, segurarem cada item e se perguntarem: âisso me traz alegria?â. Em vez de pensar se pode jogar aquilo fora, a pessoa precisa ponderar por que quer ficar com aquele objeto.
[g1_quote author_name=” Priscila Saboia” author_description=”personal organizer” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Acúmulo é tudo que está guardado no fundo de um armário que você ganhou ou comprou por impulso, não lembra quando usou e não te provoca nenhuma lembrança feliz
[/g1_quote]O livro chegou ao topo da lista de best sellers do âNew York Timesâ na categoria autoajuda. Sim, autoajuda, pois a autora defende que a organização da casa é só o começo. Depois de repetir o processo com todos os objetos que possui, a pessoa treina a capacidade de tomar decisões â e aprende a identificar suas paixões. âQuem não consegue tomar decisões , em geral, não tem confiança em si próprio. Sei disso por experiência própria. O que me salvou foi a organizaçãoâ, escreveu Marie.
A proposta da personal organizer é válida, mas levanta uma questão: os objetos deveriam nos trazer alegria? Marie esclarece, mais para o fim do livro, que sempre teve dificuldades para se relacionar com outras pessoas, fazendo com que ela se âapegasse exageradamente à s coisasâ. Ela personifica objetos no dia a dia: agradece à s roupas que tem depois que as usa, pede desculpas quando maltrata algo e parabeniza os objetos depois do uso. E incentiva os leitores a fazerem o mesmo.
Será que essa postura é saudável? Por um lado, sim, pois é uma forma de valorizar o que temos. Um dos legados deixados pela organização é perceber o que precisamos para viver, e passar a comprar menos, de acordo com Marie, que admite já ter feito muitas compras para relaxar. Ela aponta a organização como a chave para reduzir o consumo.
Por outro lado, pode-se dizer que a autora defende o apego emocional a objetos, em vez de usá-los como as ferramentas que são. Uma roupa, um celular, um carro â cada um tem uma função. No momento em que eles ganham outra função, a de trazer felicidade, o objetivo inicial dessas coisas pode ficar em segundo plano. AÃ, caÃmos no acúmulo de objetos sem necessidade e voltamos à estaca zero. A solução é, sim, colocar cada objeto em seu lugar, mas não apenas num espaço fÃsico: no lugar que ele merece em nossas vidas.
