O chefão da Volkswagen mundial, Herbert Diess, anunciou, no Salão de Genebra, que a empresa finalmente decidiu fabricar a sucessora da Kombi, cuja produção foi encerrada na Alemanha em 1978 (como a conhecemos no Brasil) e em 2013, em nosso paÃs.
O nome escolhido, por enquanto, é ID Buzz â  ecoando o VW Bus, como era mais conhecida nos EUA, e imitando o som do motor elétrico. Sim, a ânova Kombiâ será elétrica, em nada lembrando o antigo modelo, inseguro, poluente e incapaz se adaptar à s modernas exigências de segurança.
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Veja o que já enviamosEnquanto o futuro não chega, quem segue dando as cartas é a âvelha senhoraâ. Os modelos mais antigos estão na mira de colecionadores do mundo todo. Os preços dispararam
[/g1_quote]O ID Buzz será construÃdo sobre a plataforma destinada à linha de veÃculos elétricos da VW, que deverá estar no mercado a partir de 2025. Terá versões autônomas, que prescindem do motorista, e poderá ter um motor elétrico em cada eixo, com nada menos do que 370hp. Os admiradores do modelo devem ter posto as barbas de molho: a VW já fez anúncios semelhantes em várias oportunidades, e nada aconteceu.
Enquanto o futuro não chega, quem segue dando as cartas é a âvelha senhoraâ. Os modelos mais antigos estão na mira de colecionadores do mundo todo. Os preços dispararam. Uma olhada em anúncios classificados do Rio em junho encontrava uma âcorujinhaâ (como são conhecidas as mais antigas, com o para-brisas dividido) de 1973, em estado regular, por R$ 14,5 mil. Outra coruja, de 1975, restaurada, estava à venda por R$ 40 mil. E uma 2013 âLast Editionâ, produção limitada que marcou o encerramento da fabricação no paÃs após 56 anos, beirava os R$ 90 mil.
Nada, no entanto, que chegasse perto do equivalente a R$ 380 mil pedidos num leilão da Bonhams em junho, na Inglaterra, por uma corujinha alemã impecavelmente restaurada e equipada. Ou aos estonteantes R$ 700 mil pelos quais foi arrematado, em 2014, um modelo 1955, um dos 11 desse ano ainda existentes, construÃdo na fábrica da Porsche, na Ãustria.
O Brasil, paÃs que por mais tempo fabricou a Kombi (no México, foi até 1995), tornou-se um verdadeiro paraÃso para colecionadores estrangeiros pela grande disponibilidade dos exemplares mais antigos, com motores refrigerados a ar, que deixaram de ser produzidos na Alemanha (lá foi lançado, como modelo 1968, um veÃculo modernizado, que no Brasil só entrou em produção em 1976, como Kombi Clipper, mesmo assim sem grande parte das inovações da alemã). Em 1979, o utilitário ganharia uma terceira geração na Alemanha, que não chegou ao Brasil.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Não há mais Kombis novas no Brasil porque sua adaptação à s exigências antipoluição e de segurança tornaria seu preço inviável. Muitas das antigas continuam rodando, poluindo,  pondo em risco a vida dos passageiros e também transportando carga. Outras entraram na onda dos food trucks
[/g1_quote]Porém, os colecionadores europeus e americanos estão mais interessados nas corujinhas brasileiras, que ainda podem ser adquiridas por preços relativamente baixos diante do poder da libra, do euro e do dólar. Com isso, importadores estrangeiros criaram operações de compra de modelos brasileiros, como dão conta sites tipo  http://www.kombiforyou.com/ – note-se que todas as kombis mostradas no vÃdeo de apresentação são brasileiras, com placas daqui, mas já de passaporte pronto para emigrar. E que entre as alternativas apresentadas aos interessados está o porto de Santos e o item âSearching Kombisâ (à procura de Kombis).
Então, ficamos assim: não há mais Kombis novas no Brasil porque sua adaptação às exigências antipoluição e de segurança tornaria seu preço inviável. Muitas das antigas continuam rodando, poluindo,  pondo em risco a vida dos passageiros e também transportando carga. Outras entraram na onda dos food trucks.  Uma delas produz poluição zero. Virou um quiosque de venda de coxinhas no Plaza Shopping, em Niterói. Na verdade, aproveitou-se apenas a frente e a traseira de uma Kombi depenada.
Um bom punhado delas deixa de oferecer risco aqui porque são exportadas. No exterior, esses modelos antigos são tolerados como veÃculos históricos, com licença especial para encontros de colecionadores e exposições. Ainda fala alto o papel da Kombi como uma das âmusasâ dos movimentos hippie e da contracultura nos anos 1960/70, principalmente nos EUA. Afinal, era um grande painel ambulante para os sÃmbolos do âflower powerâ. E o que poderia ser mais contracultura do que um espartano e tosco veÃculo alemão diante do âamerican way of lifeâ?
Só o futuro â e o mercado â dirá se o ID Buzz vingará, se vier mesmo a ser fabricado. Ele promete baixÃssima poluição e potência impensável para seu ancestral. Enquanto isso, as velhas corujinhas continuarão subindo de preço. Mas ainda restam muitos modelos a custo razoável para quem se dispuser a restaurar um veÃculo que, para muitos, é um mito. Este ano, os clubes de antigomobilismo estão agitados com os 60 anos do inÃcio da produção da Kombi no Brasil (1957).
