Qualquer pessoa que já passou pela Dinamarca nota que as turbinas eólicas fazem parte da paisagem nacional. O paÃs é o recordista mundial em produção e exportação nesta que é considerada a fonte mais limpa entre as renováveis. Não à toa, a expectativa de novos negócios exaltou os ânimos de dinamarqueses neste domingo, após o fim da COP 21, em Paris, que fixou um acordo de transferir, a partir de 2020, no mÃnimo US$ 100 bilhões por ano, de paÃses ricos a pobres, para controlar o aquecimento global. Porém, enquanto nações se comprometem em investir mais em projetos verdes para combater os combustÃveis fósseis, a nação que já é verde amarga recentes cortes do governo federal no setor para o ano que vem.
[g1_quote author_name=”Søren Hermansen” author_description=”Diretor da Academia de Energia” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Eu realmente não entendo o atual governo cortando o orçamento do setor verde e me pergunto por que ele não apoia talvez os projetos mais famosos como modelo de desenvolvimento sustentável do paÃs.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosO governo que assumiu em junho, do partido liberal Venstre, decidiu reduzir em cerca de 50% o montante destinado à pesquisa de energias renováveis, passando o orçamento de 385 milhões de coroas dinamarquesas (R$ 220 milhões) para 127 milhões.
– Para desgosto do setor, o governo da Dinamarca retrocedeu no financiamento da pesquisa energética, que é o que leva à redução de custos da energia â criticou o CEO da Associação Dinamarquesa das Indústrias de Energia Eólica, Jan Hylleberg.
– Ao mesmo tempo, o governo aventou que as reduções de emissões de CO2 não ocorreriam na velocidade proposta pela administração anterior (de redução em 40% até 2020 das emissões de gases do efeito estufa). Seja qual for o tamanho da ambição, minha esperança é que a Dinamarca continue a empunhar essa bandeira, mostrando o caminho para outros paÃses â afirma.
Procurado pelo âColaboraâ, o governo dinamarquês não comentou as razões para a redução de investimentos e metas menos ambiciosas. Há um mês, no entanto, o ministro de Energia, Lars Christian Lilleholt, afirmou ao jornal âPolitikenâ que âas crÃticas são exageradasâ.
– Há menos dinheiro, mas ainda há muito. E estou numa posição em que preciso encontrar uma forma de a economia da Dinamarca cumprir com as despesas â argumentou.
O governo também pretende cortar três programas de apoio a mais de 90 negócios verdes, com benefÃcios distribuÃdos que beiram o valor de 300 milhões de coroas. Um dos projetos mais conhecidos, a Academia da Energia abastece a ilha de Samso e conta com incentivos do governo para manter 20% de seu orçamento de 677 mil coroas. O diretor do projeto, Søren Hermansen, admite que está preocupado:
– Eu realmente não entendo o atual governo cortando o orçamento do setor verde e me pergunto por que ele não apoia talvez os projetos mais famosos como modelo de desenvolvimento sustentável do paÃs.
Além disso, assim como Hylleberg, Søren Hermansen também enxerga o paÃs como um norteador para outras nações:
– O mundo precisa implementar medidas necessárias para manter as metas do acordo da COP 21. A Dinamarca é lÃder em desenvolvimento verde, mas isso não é o suficiente. Ela precisa também se comprometer em ajudar o resto do mundo a avançar.
Energia abundante
O vento é um dos poucos recursos naturais disponÃveis no paÃs. Por isso, já nos anos 1970 os dinamarqueses foram pioneiros, agarraram com unhas e dentes esse bem e hoje acumulam recordes. Em 2014, a energia eólica atingiu o recorde mundial de 39,01% da eletricidade consumida internamente, um total de 4,8 gigawatts (GW) de capacidade acumulada. Patamar que, apesar de algumas flutuações, vem crescendo desde 2005, quando a energia eólica representava 19% do total, de acordo com dados da âEnerginetâ, organização ligada ao Ministério de Energia da Dinamarca.
à claro que esses Ãndices devem levar em conta o tamanho do paÃs, de 5,3 milhões de habitantes. A tÃtulo de comparação, o Brasil, que tem uma crescente e animadora instalação eólica e inclusive mantém negócios com empresas dinamarquesas, começou 2015 com 214 usinas eólicas, num total de 6 GW de capacidade acumulada. Ainda assim, para o paÃs continental, este valor representa 4,5% de sua matriz energética.
A eletricidade proveniente da energia eólica é constantemente comercializada entre Dinamarca, Suécia e Noruega, balanceando o abastecimento e a demanda, assim como reduzindo os preços e amenizando as flutuações. E ano passado, a Dinamarca experimentou um salto de 17% nas exportações, chegando a 53,5 milhões de coroas, contra 45,8 milhões em 2013. Hoje cerca de 5% de todas as exportações do paÃs vêm da energia eólica. A COP 21 traz, portanto, possibilidades de incremento do setor.
– A energia eólica é uma tecnologia madura, barata e escalável, que tem grande potencial de preencher as necessidades do acordo da COP 21. Obviamente, como um paÃs lÃder em produção e exportação, a Dinamarca tem muito com que se beneficiar do resultado da conferência, e eu espero que as exportações aumentem agora com o acordo global â defendeu Jan Hylleberg.
