O poetinha escreveu em âSamba da Bênçãoâ que é melhor ser âalegre que ser triste/ A alegria é a melhor coisa que existeâ. Como nem sempre é possÃvel fazer essa escolha, o jornal britânico âThe Guardianâ optou em publicar esta semana um balanço equilibrado com os  prós e os contras que rondam a COP21.
O periódico levantou quatro razões para acreditar numa conferência com final feliz e outras quatro bem menos alvissareiras. Chamou a atenção para o fato de que restam ainda grandes obstáculos a serem superados para reduzir a distância entre os paÃses ricos e os pobres, e que as discussões em torno de quem vai pagar a conta continuam emperrando os debates. Outro impasse são as metas obrigatórias.
A primeira semana da reunião em Le Bourget vai chegando ao fim sem que os temas mais espinhosos do documento tenham sido sanados.
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Veja o que já enviamosRazões para apostar em um final feliz:
à a primeira vez que parece haver um consenso entre chefes de estado e de governo de que é preciso conter as mudanças climáticas. Um sinal claro de que não é mais uma opção polÃtica ou moral ignorar as evidências levantadas pelos cientistas de que a mudança climática precisa ser contida, especialmente depois que o ano de 2015 foi considerado o mais quente da história. A opinião pública também está convencida de que é preciso agir. As organizações do Terceiro Setor no mundo todo uniram esforços em torno da ideia de que o mundo chegou a um impasse e a reunião em Bourget é a última chance de se evitar uma catástrofe ambiental. Até o presidente americano Barack Obama já se declarou âotimistaâ em relação à obtenção de um acordo climático em Paris.
- Economia verde é uma opção rentável
à grande a expectativa em torno da ideia de que um acordo que obrigue os paÃses a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa venha a se transformar em uma opção economicamente sustentável a longo prazo. Um acordo assinado durante a conferência é um sinal claro de que haverá um comprometimento dos governos, o que será entendido pelo setor privado e financeiro como um sinal claro de que apostar numa economia de baixo carbono é um bom negócio. ONGs como Amigos da Terra, BankTrack, Urgewald e Rainforest Action Network fizeram um apelo para que os bancos transfiram rapidamente os investimentos do setor de carvão para as energias renováveis. Os investimentos cada vez mais crescentes em tecnologias renováveis tende, em médio e longo prazos, a reduzir os custos das energias eólica e solar. A expectativa é de que, dentro de 20 anos, os preços de energia renovável caiam enquanto os de combustÃveis fósseis venham a ficar mais caros.
2. Compromissos à vista
Antes mesmo do inÃcio da COP21, mais de 180 paÃses já haviam apresentado suas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. à a primeira vez, desde que tiveram inÃcio as negociações climáticas, que praticamente todas as nações têm metas autoimpostas. Uma mudança significativa em comparação há 20 anos quando apenas 37 paÃses assinaram o Protocolo de Kyoto, que não foi referendado pelos maiores poluidores mundias, a China e os Estados Unidos.
3. A chance de sucesso
à alta a expectativa que ronda a COP21. A chance de sucesso é elevada especialmente se comparada com a reunião de Copenhague, em 2009, que foi considerada um fracasso retumbante. Ao contrário das outras conferências, o texto  à mesa é mais curto, mas também mais objetivo. Sem falar no fato de que algumas pendências já foram acertadas. Os maiores poluidores do mundo â China e Estados Unidos, estão mais alinhados e, ao contrário do que ocorreu nos últimos encontros, mais abertos a negociar. Sem falar no fato de o paÃs anfitrião da conferência ser considerado um negociador experiente, o que pode facilitar decisões potencialmente difÃceis relativas a finanças.
4. Juntos e misturados
O atentado em Paris à s vésperas do inÃcio da Conferência do Clima, a COP21, pode levar os lÃderes mundiais a se sentirem obrigados a uma declaração de impacto ao final do encontro. Nenhum paÃs vai querer chegar ao fim desta conferência sendo identificado como aquele que inviabilizou um acordo para conter as mudanças climáticas. A recente declaração do presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, é uma aposta clara no sucesso da conferência. Na abertura do encontro ele declarou que âParis ficará conhecida como a cidade onde os lÃderes mundiais estiveram juntos no lado certo da históriaâ.
Razões para não apostar em um final feliz:Â
- Duas décadas e poucos avanços
Duas décadas depois de negociações infrutÃferas, ronda a COP21 o temor de que, novamente, o encontro não tenha um final feliz. O herdeiro da coroa do Reino Unido, prÃncipe Charles, cobrou um engajamento mais efetivo dos paÃses. Ativista da luta pela proteção de florestas tropicais, defendeu no primeiro dia da conferência o desmatamento zero: âzerar o desmatamento precisa se tornar a norma, e não a exceçãoâ. O apelo foi aplaudido, o que não significa que as principais disparidades entre os paÃses venham a ser equacionadas. Quem vai pagar a conta é um dos temas mais polêmicos do encontro.
2. Metas insuficientes
Os planos apresentados até agora pelos maiores emissores do mundo conseguiram tirar o planeta Terra de um rumo perigoso: aquecer 3,1ºC até o final do século. Só que ainda não é suficiente para limitar o aquecimento a 2ºC. Se as metas não forem mais ousadas, estaremos caminhando para um aquecimento de 2,7ºC.
3. Fracasso à mesa
Redução das emissões, financiamento e tecnologia são os três assuntos que dividem opiniões na COP21. PaÃses industrializados como Estados Unidos, Reino Unido e Japão são vistos como aqueles que deveriam ser obrigados a cortar mais do que os paÃses em desenvolvimento. A Ãndia, em nome dos paÃses pobres, defende a tese de que deve haver diferenciação entre ricos e pobres. à um embate difÃcil de se chegar a um consenso.
4. Quem vai pagar a conta?
O Fundo Verde do Clima foi aprovado em 2010, na COP16, em Cancun. Desde então, saiu do papel apenas parcialmente. O objetivo é atingir a cifra de US$ 100 bilhões até 2020. Os primeiros recursos só começaram a ser efetivamente depositados no ano passado, quando foi arrecadado US$ 10 bilhões provenientes de 29 paÃses. Não é de hoje que financiar o fim da crise ambiental é um dos entraves das negociações. Na COP21 não está sendo diferente, o que levou o G77 (o grupo de paÃses em desenvolvimento) mais a China, a apresentar um manifesto contra a proposta de ampliação da base de doadores para conter o aquecimento global.
