Você muito provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas Charles Keeling, climatologista e quÃmico americano, criou a curva que lhe dá nome, um dos gráficos mais famosos da ciência e um sÃmbolo poderoso de nossos tempos. Por quê? Ela resulta do registro das concentrações de CO2 na atmosfera. E é alarmante.
[g1_quote author_name=”Andrew Manning” author_description=”Professor de ciência atmosférica e oceânica da Universidade de East Anglia, na Inglaterra” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosSem esta curva e o trabalho incansável de Keeling, não há dúvida de que nossa compreensão do aquecimento global induzido pelo homem estaria atrasado em 10 ou 20 anos.
[/g1_quote]O conceito do impacto dos gases de efeito estufa – o aquecimento global – foi postulado muito antes da mensuração de Keeling, e anunciado na década de 1820 pelo matemático e fÃsico francês Joseph Fourier (1768â1830).
O primeiro a tentar calcular como mudanças nos nÃveis de CO2 atmosférico poderiam afetar as temperaturas de superfÃcie foi Sven Arrenius, em estudo publicado em 1896. Arrenius era fÃsico e quÃmico sueco, detentor do Prêmio Nobel de QuÃmica de 1903 (uma das crateras da Lua leva seu nome).
Os cálculos de Fourier mostraram que a Terra deveria ser muito mais fria do que era, dada a quantidade de energia que recebe do sol. A explicação do cientista foi que a atmosfera forneceria um efeito isolante, retendo calor que de outra forma seria enviado de volta ao espaço.
Fourier, no entanto, não tinha à mão instrumentos que pudessem verificar com rigor sua teoria, mas sua intuição foi o pontapé inicial para o mundo se dar conta do perigo que corre.
Keeling, da Instituição Scripps de Oceanograpfia da Universidade da Califórnia-Davis, foi a primeira pessoa a registrar dados regulares das concentrações de CO2, tanto no Polo Sul quanto no observartório de Mauna Loa, no HavaÃ, a partir de 1950.
O trabalho de Keeling começou como parte de uma iniciativa de 12 meses, no Ano GeofÃsico Internacional, mas por conta de sua persistência continua. Após sua morte, em 2005, o trabalho passou a ser feito por seu filho, Ralph.
A elevação atual das concentrações se iniciou antes das observações do cientista. Pesquisas mais recentes mostram que os nÃveis pré-industriais delas (do ano 1000 até 1750) estavam entre 275 e 285 ppm (partes por milhão). Com nossas atividades, queimando combustÃveis fósseis, levamos este patamar a mais de 400 ppm (uma medida de concentração), mas o nÃvel considerado seguro é de 350 ppm.
Keeling aperfeiçoou e levou adiante o que se intuÃa. Notou que as concentrações de CO2 caÃam na primavera e verão no hemisfério norte, quando as plantas crescem e absorvem carbono da atmosfera para crescerem. No outono e inverno se desintegravam, liberando CO2 para a atmosfera e causando um pequeno aumento de temperatura.
Registros de cerca de 100 outros locais confirmaram a tendência de longo prazo mostrada por Keeling, embora nenhum deles tenha dados de tanto tempo.
Os dados de Keeling coletados em Mauna Loa são considerados os mais consistentes registros do clima em qualquer lugar, embora cientistas usem também outras fontes, incluindo ar armazenado por gelo polar, para analisar CO2 no último milênio.
“Sem esta curva e o trabalho incansável de Keeling, não há dúvida de que nossa compreensão do aquecimento global induzido pelo homem estaria atrasado em 10 ou 20 anos”, diz Andrew Manning, professor de ciência atmosférica e oceânica da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, um dos centros mundiais mais importantes de pesquisas do clima.
“O gráfico é icônico”, ecoa Andrew Watkinson, diretor do Centro Tyndall de Pesquisa do Clima e também professor na mesma universidade.
