Crianças e adolescentes estão sendo punidas e adoecendo pela falta de ação de governos para cortar as emissões de gases de efeito estufa, segundo relatório recente da ONU. Um novo Ãndice global mostra que crianças na Noruega, Coréia do Sul e Holanda têm melhor chance de sobreviver graças a investimentos em saúde, educação e nutrição. Mas os dados per capita de emissões colocam outras nações ricas, como Estados Unidos e Austrália, distantes do alto da lista como grandes contribuintes para ameaças à saúde induzidas pela mudança do clima.
Mas nenhum paÃs tem bom desempenho nas três categorias medidas no relatório produzido pela Organização Mundial de Saúde, a Unicef e a revista cientÃfica The Lancet: sustentabilidade, igualdade e florescimento infantil (Ãndice medido pelas taxas de sobrevivência infantil, anos de escola, mortalidade materna, incidência de violência, crescimento e nutrição, entre outras). “PaÃses precisam repensar sua abordagem para o problema, para assegurar não apenas que cuidarmos de nossas crianças como para proteger o mundo que herdarão no futuroâ, disse Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e uma das co-presidentes da comissão internacional que produziu o relatório.
Segundo a neozelandesa, foram feitos progressos para melhorar a vida das crianças nas últimas cinco décadas, mas, com as desigualdades econômicas, os benefÃcios não foram partilhados por todos. E o aquecimento do planeta e os danos ao ambiente deixam as crianças diante de um futuro incerto. âA disrupção do clima está criando riscos extremos de elevação do nÃvel do mar, eventos extremos do tempo, insegurança na distribuição da água e alimentos, stress do calor, a emergência de doenças infecciosas e uma migração em grande escala de populaçõesâ, afirma o documento produzido por mais de 40 especialistas.
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Veja o que já enviamosA saúde das crianças hoje está em grave risco por conta da degradação ambiental. Elas são vÃtimas de um problema que não causaram. A grande iniquidade que precisamos confrontar hoje é a iniquidade da mudança do clima
[/g1_quote]No ranking elaborado pelos especialistas com 180 paÃses, o Brasil está em 90º lugar – na América do Sul, aparece atrás do Chile (53º), do Uruguai (66º), da Colômbia (82º) e da Argentina (86º). O melhor paÃs latino-americano no ranking do florescimento infantil é Cuba, que aparece no 46º lugar. A lista dos 10 primeiros – além de Noruega ((1º), Coreia do Sul (2º) e Holanda (3º) – inclui ainda, pela ordem, França, Irlanda, Dinamarca, Japão, Bélgica, Islândia e Reino Unido.
A ambientalista e escritora indiana Sunita Narain, diretora-geral do Centro de Ciência e Ambiente, baseado em Nova Delhi, disse que, em sua região, no sul da Ãsia, as principais ameaças vêm da escassez e da contaminação da água, assim como da poluição do ar. âA saúde das crianças hoje está em grave risco por conta da degradação ambiental. Elas são vÃtimas de um problema que não causaramâ, afirmou Sunita Narain. âA grande iniquidade que precisamos confrontar hoje é a iniquidade da mudança do climaâ, acrescentou.
Outra ameaça importante identificada foram as táticas de marketing que incentivam o consumo por crianças de fast food, bebidas açucaradas, tabaco e bebidas alcoólicas – e isto cada vez mais em redes de mÃdia social. Segundo Anthony Costello, principal autor do relatório e professor de saúde global e sustentabilidade da University College London, dados das crianças estão sendo colhidos via videogames e vendidos para grandes empresas de tecnologia, que então miram jovens em campanhas de publicidade. “Não há qualquer regulação para isso. Pensamos que deve se dar muito mais atenção para a proteção delas em todo o mundoâ, disse Costello.
Ainda de acordo com o professor, crianças deviam ser vozes mais ouvidas em decisões de polÃticas que afetam seus futuros â algo que já têm exigido através de movimentos sociais mundiais como as greves pelo clima desde 2018. Jennifer Requejo, conselheira da Unicef para estatÃstica e monitoramento, disse que as crianças deviam ser envolvidas através de medidas como a criação de comitês locais e a informação sobre seus direitos e sua participação na coleta de dados. “Elas têm de estar no centro dos esforços para se chegar à s metas globais para o clima, de estabelecidas em 2015 pelo Acordo de Paris”, afirmou a conselheira.
