Rico em recursos florestais, o Brasil só não vira lÃder na geração de riquezas a partir da silvicultura de espécies nativas se não quiser. O cultivo na floresta de árvores nativas brasileiras tem o potencial de gerar um retorno do investimento, que pode variar de 9,5% a 28,4% ao ano. São mais de 500 milhões de hectares de florestas nativas e cerca de oito milhões de hectares de florestas plantadas. Mesmo sendo dono de uma das maiores biodiversidades do mundo, os produtos florestais brasileiros estão longe de atingirem seu potencial de suprir cadeias produtivas nacionais e globais.
Leu essa? Como descarbonizar a economia em um cenário de desmonte das polÃticas públicas?
Ao analisar 40 projetos de silvicultura implementados por agricultores familiares e empresas rurais, a CoalizaÌo Brasil Clima, Florestas e Agricultura, em parceria com o WRI Brasil, constatou que 32 destes modelos com espécies nativas trouxeram retorno do investimento num percentual bem acima da média de outros ativos financeiros. Apenas dois deles tiveram taxas internas de retorno (TIR) abaixo de 9% – percentual considerado competitivo na comparação com outras atividades agropecuárias.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosO estudo “Reflorestamento com espécies nativas: Estudo de casos, viabilidade econômica e benefÃcios ambientais” foi liderado pela Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão. Juntos, esses projetos ocupam uma área de 12 mil hectares e estão distribuÃdos por oito estados, com predominância nos dois principais biomas florestais do Brasil: a Amazônia e a Mata Atlântica. Os 40 casos estudados foram divididos em três categorias: silvicultura de espécies nativas, sistemas agroflorestais  e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
“Há um enorme potencial para os produtos florestais brasileiros nas cadeias produtivas nacionais e globais. No caso do mercado de madeira tropical, por exemplo, menos de 10% da produçaÌo mundial tem origem no Brasil”, explica Miguel Calmon, lÃder da Força-Tarefa Silvicultura de EspeÌcies Nativas da CoalizaÌo Brasil.
Segundo Daniel Soares, analista de investimento do WRI Brasil e um dos autores do estudo, o Brasil tem mais de 90 milhoÌes de hectares de pastagem com algum nÃvel de degradaçaÌo, dos quais 40 milhoÌes deles em estado severo. âEssa imensa fronteira que exige restauração pode ser uma oportunidade rentável de investimento para o produtorâ, sugere, acrescentando que a rentabilidade para o produtor é um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda. Só que, para isso, precisaria se aumentar e dar escala a atividades de silvicultura de espeÌcies nativas na produçaÌo de madeira, oÌleos vegetais, alimentos como castanhas, frutas e diversos outros produtos florestais.
Apostar na floresta em pé é bem para o bolso e para a natureza. Além da taxa de retorno do investimento, o estudo aponta que os serviços ambientais oferecidos pelas espécies nativas melhoram os recursos hiÌdricos, aumento da resilieÌncia e produtividade de outras atividades que podem ser consorciadas com as árvores. A pegada de carbono também diminuÃ, podendo retirar 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectares ao ano. Com o mercado de carbono enfim tendo sido aprovado durante a Conferência do Clima, a COP26, esse serviço ambiental é uma mais fonte de renda à disposição do produtor. O estudo apontou que uma das barreiras para que essa economia florestal ganhe escala é o baixo conhecimento sobre os modelos e experiências existentes, seus retornos econômicos e as organizações aptas a receberem investimentos.
