A crise climática está levando a geleira mais alta do Monte Everest, a montanha mais alta do planeta, a derreter em ritmo acelerado, de acordo com estudo de uma equipe internacional de pesquisadores, publicado em revista do grupo Nature. A pesquisa revela que a geleira South Col perdeu mais de 180 pés (54 metros) de espessura nos últimos 25 anos.
De acordo com os pesquisadores, a geleira, localizada quase 8 mil metros (7.906m) acima do nÃvel do mar, está afinando 80 vezes mais rápido do que o gelo que se formou na superfÃcie. “Esta pesquisa mais recente confirma as alturas que as mudanças climáticas de origem humana atingem e serve como um indicador para outros sistemas de geleiras de montanhas altas e os impactos potenciais à medida que a massa dessas geleiras diminui”, afirmou o glaciologista Paul Mayewski, diretor da Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade de Maine (EUA), em comunicado divulgado pela instituição.
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Liderados pelos pesquisadores da UMaine, uma equipe de 10 cientistas visitou a geleira em 2019, onde instalaram as duas estações de monitoramento meteorológico mais altas do mundo e extraÃram amostras de um núcleo de gelo de 10 metros de comprimento. No estudo publicado na revista NJC Climate and Atmosferic Science do grupo Nature, os autores destacam que o recuo mundial das geleiras nas montanhas e seus impactos estão bem documentados. “No entanto, os trechos superiores (acima de 5 mil metros de altitude ) das paisagens montanhosas receberam relativamente pouca atenção cientÃfica, deixando lacunas no conhecimento sobre os principais fatores que influenciam a circulação atmosférica, mudanças na extensão da neve e do gelo ao longo do tempo”, frisam os pesquisadores.
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Veja o que já enviamosFoi para preencher esta lacuna, que os cientistas protagonizaram a expedição Perpetual Planet Everest Expedition, apoiada pela National Geographic Society e pela Rolex, para instalar as estações de monitoramento no lado nepalês do Everest, na mais abrangente investigação cientÃfica nesta região da Cordilheira do Himalaia, incluindo estudos em biologia, geologia, glaciologia, meteorologia e mapeamento climático. “O resultado da pesquisa responde a uma das grandes questões colocadas pela nossa expedição ao Monte Everest â se as geleiras mais altas do planeta são impactadas pelas mudanças climáticas de origem humana. A resposta é um retumbante sim; e isso vem acontecendo de forma muito significativa desde o final da década de 1990”, acrescentou Mayewski, no comunicado da universidade.
As previsões climáticas para o Himalaia sugerem aquecimento contÃnuo e perda contÃnua de massa de geleiras, e até o topo do Everest é impactado pelo aquecimento de fontes antropogênicas
De acordo com os pesquisadores, a extrema sensibilidade das massas de gelo do Himalaia – em alta altitude e em rápido recuo – alerta para impactos “que podem variar desde o aumento da incidência de avalanches e a diminuição da capacidade da água armazenada na geleira, da qual mais de 1 bilhão de pessoas dependem para fornecer degelo para água potável e irrigação”.
A expedição ao Monte Everest estabeleceu três recordes registrados no Guiness Book: o núcleo de gelo extraÃdo da maior altitude – 8.020 metros (26.312 pés) – no alto da geleira South Cole, em uma operação complexa desenvolvida por mais de 30 cientistas e guias; o microplástico encontrado na maior altitude em terra, com fibras de polÃmero â provavelmente de roupas ou tendas â achadas a 8.440 metros (27.690 pés); e a estação meteorológica instalada na maior altitude, no alto da cordilheira, situada a 8.430 metros (27.657 pés) acima do nÃvel do mar.
No estudo publicado, os cientistas relatam ter descoberto, através das simulações realizadas, que a perda de massa de superfÃcie por derretimento ou vaporização pode ser acelerada por mais de 20 vezes caso a cobertura de neve der lugar ao gelo. E, apesar de o aquecimento das temperaturas do ar, ter provocado a maior parte do derretimento no alto do Everest, a diminuição da umidade relativa e os ventos mais fortes também foram fatores de impacto. âAs previsões climáticas para o Himalaia sugerem aquecimento contÃnuo e perda contÃnua de massa de geleiras, e até o topo do Everest é impactado pelo aquecimento de fontes antropogênicasâ, afirmou, no comunicado da Universidade de Maine, o glacioquÃmico Mariusz Potocki, doutorando no Instituto de Mudanças Climáticas, responsável por coletar o núcleo de gelo mais alto do planeta e um dos lÃderes da expedição que envolveu ainda cientistas do Reino Unido, da Ãndia, da China, da Alemanha, da SuÃça e do Nepal.
O derretimento acelerado do ponto mais alto da Terra pode tornar também muito mais difÃcil a escalada do Monte Everest, alertam os cientistas no estudo. Cerca de mil pessoas escalam o Everest todos os anos – esportistas, pesquisadores, guias – e nem todos com objetivo de chegar ao topo. Além de mais avalanches, os pesquisadores indicam que futuras expedições ao Monte Everest também se tornariam mais difÃceis, porque as rochas ficariam mais expostas devido à s mudanças climáticas.
