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A previsão de vazão é um dado fundamental para a gestão hÃdrica das usinas, utilizado para tentar assegurar que os nÃveis de água não fiquem baixos demais, como na crise que atingiu a Região Sudeste entre 2014 e 2015, em especial o Estado de São Paulo, e em perÃodos de seca severa que castigam a Região Nordeste. Em situações como essas, se agravam os riscos de apagões no paÃs, uma vez que a maior parte da energia elétrica no Brasil é produzida pelas usinas hidrelétricas. Esse cenário, aliás, foi a base da ideia da tese de doutorado de Paula Karenina, formada em engenharia civil e mestre em engenharia urbana e ambiental também pela UFPB.
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De acordo com a engenheira, o modelo baseado em redes neurais artificiais pode até ajudar a evitar o aumento das contas de fornecimento de energia elétrica em tempos baixo volume de água nas bacias hidrográficas, uma vez que facilita a gestão do recurso. âEle auxilia no processo de tomada de decisão. Os gestores têm informações sobre a vazão prevista para o futuro e, assim, podem otimizar o volume do reservatório para atender a seus múltiplos usos (geração de energia, agricultura, abastecimento, irrigação etc)â.
Modelo aplicado nas regiões Nordeste e Sul
Paula Karenina explicou que, para prever as vazões futuras de uma determinada bacia hidrográfica, o modelo usa dados das vazões e chuvas de anos anteriores naquela região fornecidos, respectivamente, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Tropical Rainfall Measuring Mission(TRMM)), missão conjunta das agências espaciais americana (Nasa) e japonesa (Jaxa).
[g1_quote author_name=”Paula Karenina de Macedo Machado Freire” author_description=”Doutora em Engenharia Civil e Ambiental pela UFPB” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]
As universidades públicas são responsáveis pela formação de qualidade de milhares de profissionais lançados no mercado de trabalho, pelo funcionamento da esmagadora maioria dos melhores programas de pós-graduação avaliados pela Capes, pela quase totalidade da ciência de ponta produzida no Brasil e pela promoção incessante de arte, cultura e cidadania em nosso paÃs
[/g1_quote]A tese foi desenvolvida, entre abril de 2014 e março de 2019, no Laboratório de Recursos HÃdricos e Engenharia Ambiental da universidade, sob orientação do professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental e pesquisador do CNPq Celso Augusto Guimarães Santos. O modelo está disponÃvel gratuitamente para aplicação e foi publicado nas revistas especializadas âApplied Soft Computingâ e âJournal of Hydrologic Engineeringâ. Os artigos, em inglês, podem ser consultados nos links: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1568494619302157?via%3Dihub e https://ascelibrary.org/doi/10.1061/%28ASCE%29HE.1943-5584.0001725
O modelo foi aplicado em reservatórios do Rio São Francisco (Sobradinho, Três Marias e Xingó), no Nordeste, e, na Região Sul, nos reservatórios 14 de Julho (RS) e Itaipu. Segundo a engenheira, ele pode ser utilizado em qualquer região do paÃs, independentemente das condições climáticas, uma vez que se adapta à s diferentes vazões e tipos de bacias.  Â
âRecursos aplicados na educação são investimentoâ
A vida acadêmica da engenheira já é um testemunho do respeito e confiança que ela tem pela universidade pública, onde se formou, fez mestrado e doutorado. âO desenvolvimento de um paÃs se dá por meio da ciência e tecnologia, o que, no Brasil, é maciçamente produzido nas universidades públicas. Para se ter uma ideia da importância das universidades públicas brasileiras para o desenvolvimento do paÃs, basta olharmos o ranking das dez primeiras instituições brasileiras que mais produziram pesquisas em ciências naturais entre 2017 e 2018, segundo a Nature Indexâ, disse. Â
âAs universidades públicas são responsáveis pela formação de qualidade de milhares de profissionais lançados no mercado de trabalho, pelo funcionamento da esmagadora maioria dos melhores programas de pós-graduação avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de NÃvel Superior(Capes), pela quase totalidade da ciência de ponta produzida no Brasil e pela promoção incessante de arte, cultura e cidadania em nosso paÃs. Sem elas não haverá ensino, pesquisa, extensão, ciência, tecnologia, inovação e cultura de qualidade disponÃvel para toda a sociedade brasileiraâ, completou Paula Karenina. Â
Para a engenheira, os cortes anunciados pelo Ministério da Educação nas verbas das universidades federais, das bolsas de pós-graduação das agências de fomento como Capes e CNPq vão afetar negativamente pesquisas realizadas no Brasil. Ela destacou impacto dos cortes na UFPB. âà preciso entender que recursos aplicados na educação não são despesa e sim, investimentoâ.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”none” size=”s” style=”solid” template=”01″]61/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse perÃodo, a importância das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil
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