Num pronunciamento que começou e terminou com o canto de “Olê, olê, olá, Lulá, Lulá”, puxado por integrantes de ONGs e ativistas ambientais que estão em Sharm el-Sheikh, no Egito, para a COP27 – a 27ª Conferência do Clima da ONU – e foi interrompido pelo coro, emprestado à s arquibancadas dos estádios de futebol de “Oh, o Brasil voltou, o Brasil voltou, o Brasil voltou”, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ação mundial contra a fome, criticou os paÃses ricos pela não implementação dos acordos climáticos, defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da ONU e o fim do veto, e defendeu o multilateralismo.
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Lula não deixou de fazer crÃticas ao governo Bolsonaro. “Infelizmente, desde 2019, o Brasil enfrenta um governo desastroso em todos os sentidos â no combate ao desemprego e à s desigualdades, na luta contra a pobreza e a fome, no descaso com uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, no desrespeito aos direitos humanos, na sua polÃtica externa que isolou o paÃs do resto do mundo, e também na devastação do meio ambiente”, afirmou.
Em 2009, os paÃses presentes à COP 15 em Copenhague comprometeram-se em mobilizar 100 bilhões de dólares por ano, a partir de 2020, para ajudar os paÃses menos desenvolvidos a enfrentarem a mudança climática. Não sei quantos representantes dos paÃses ricos estão aqui mas eu quero dizer que a minha volta é também para cobrar aquilo que foi prometido na COP15
Mas o presidente eleito priorizou, no discurso, suas visões para o futuro. “Quero dizer que o Brasil está de volta. Está de volta para reatar os laços com o mundo e ajudar novamente a combater a fome no mundo. Para cooperar outra vez com os paÃses mais pobres, sobretudo da Ãfrica, com investimentos e transferência de tecnologia. Para estreitar novamente relações com nossos irmãos latino-americanos e caribenhos, e construir junto com eles um futuro melhor para nossos povos”, enfatizou Lula no discurso escrito de 30 minutos, em que acrescentou de improviso a defesa de uma “nova governança global” e um “fórum multilateral com poder de decisão”.
Para seu terceiro mandato, o petista confirmou a prioridade ao combate a crise climática. “Quero aproveitar esta Conferência para anunciar que o combate à mudança climática terá o mais alto perfil na estrutura do meu governo. Vamos priorizar a luta contra o desmatamento em todos os nossos biomas. Nos três primeiros anos do atual governo, o desmatamento na Amazônia teve aumento de 73 por cento. Somente em 2021, foram desmatados 13 mil quilômetros quadrados. Essa devastação ficará no passado”, destacou, repetindo o compromisso com os indÃgenas. “Vamos criar o Ministério dos Povos Originários, para que os próprios indÃgenas apresentem ao governo propostas de polÃticas que garantam a eles sobrevivência digna, segurança, paz e sustentabilidade. Os povos originários e aqueles que residem na região Amazônica devem ser os protagonistas da sua preservação”, destacou.
Esperem um Lula muito mais cobrador para que a gente possa fazer um mundo efetivamente mais justo e um mundo humanamente muito melhor para cada um de nós
Lula também anunciou duas iniciativas, a serem apresentadas formalmente pelo seu governo: a realização da Cúpula dos PaÃses Membros do Tratado de Cooperação Amazônica, “para que Brasil, BolÃvia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela possam, pela primeira vez, discutir de forma soberana a promoção do desenvolvimento integrado da região, com inclusão social e responsabilidade climática” e oferecer o Brasil como sede da COP 30, em 2025, confirmando a proposta de realizar a conferência na Amazônia.
Seguem trechos do pronunciamento do presidente eleito Lula:
“Este convite, feito a um presidente recém-eleito antes mesmo de sua posse, é o reconhecimento de que o mundo tem pressa de ver o Brasil participando novamente das discussões sobre o futuro do planeta e de todos os seres que nele habitam”
“à preciso tornar disponÃveis recursos para que os paÃses em desenvolvimento, em especial os mais pobres, possam enfrentar as consequências de um problema criado em grande medida pelos paÃses mais ricos, mas que atinge de maneira desproporcional os mais vulneráveis”
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Veja o que já enviamos“Estou hoje aqui para dizer que o Brasil está pronto para se juntar novamente aos esforços para a construção de um planeta mais saudável. De um mundo mais justo, capaz de acolher com dignidade a totalidade de seus habitantes â e não apenas uma minoria privilegiada”
“Voltamos para ajudar a construir uma ordem mundial pacÃfica, assentada no diálogo, no multilateralismo e na multipolaridade. Voltamos para propor uma nova governança global. O mundo de hoje não é o mesmo de 1945. à preciso incluir mais paÃses no Conselho de Segurança da ONU e acabar com o privilégio do veto, hoje restrito a alguns poucos, para a efetiva promoção do equilÃbrio e da paz”
“Do resultado da eleição no Brasil dependia não apenas a paz e o bem estar do povo brasileiro, mas também a sobrevivência da Amazônia e, portanto, do nosso planeta”
“No pronunciamento que fiz ao fim da eleição, disse que não existem dois Brasis. Quero dizer agora que não existem dois planetas Terra. Somos uma única espécie, e não haverá futuro enquanto continuarmos cavando um poço sem fundo de desigualdades entre ricos e pobres”
“Não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida. Não mediremos esforços para zerar o desmatamento e a degradação de nossos biomas até 2030, da mesma forma que mais de 130 paÃses se comprometeram na Declaração de LÃderes de Glasgow sobre Florestas. A luta contra o aquecimento global é indissociável da luta contra a pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo”
“Estou certo de que o agronegócio brasileiro será um aliado estratégico do nosso governo na busca por uma agricultura regenerativa e sustentável, com investimento em ciência, tecnologia e educação, valorizando os conhecimentos dos povos originários e comunidades locais”
“A meta que vamos perseguir é a da produção com equilÃbrio, sequestrando carbono, protegendo a nossa imensa biodiversidade, buscando a regeneração do solo em todos os nossos biomas, e o aumento de renda para os agricultores e pecuaristas”
“Não podemos ficar prometendo e não cumprindo pois assim seremos vÃtimas de nós mesmos”.
“Em 2009, os paÃses presentes à COP 15 em Copenhague comprometeram-se em mobilizar 100 bilhões de dólares por ano, a partir de 2020, para ajudar os paÃses menos desenvolvidos a enfrentarem a mudança climática. Não sei quantos representantes dos paÃses ricos estão aqui mas eu quero dizer que a minha volta é também para cobrar aquilo que foi prometido na COP15. à triste mas este compromisso nem foi e nem está sendo cumprido”.
“Isso nos leva a reforçar, ainda mais, a necessidade de avançarmos em outro tema desta COP 27: precisamos com urgência de mecanismos financeiros para remediar perdas e danos causados em função da mudança do clima. Não podemos mais adiar esse debate. Precisamos lidar com a realidade de paÃses que têm a própria integridade fÃsica de seus territórios ameaçada, e as condições de sobrevivência de seus habitantes seriamente comprometidas”
“Se pudermos resumir em uma palavra a contribuição do Brasil neste momento, que essa palavra seja aquela que sustentou o povo brasileiro nos tempos mais difÃceis: esperança. A esperança combinada com uma ação imediata e decisiva, pelo futuro do planeta e da humanidade”
“Esperem um Lula muito mais cobrador para que a gente possa fazer um mundo efetivamente mais justo e um mundo humanamente muito melhor para cada um de nós”
