A temperatura média mundial do perÃodo de cinco anos que vai de 2015 a 2019 foi mais alta do que a de qualquer outro perÃodo de cinco anos desde que os registros começaram a ser feitos. De acordo com o relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO), âatualmente, calcula-se estarmos 1,1ºC acima da era pré-industrial (1850-1900) e 0,2ºC acima de 2011-2015.â As emissões globais de carbono, ao invés de diminuir, estão crescendo a uma taxa de 2% ao ano. No ano passado, elas chegaram a quase 40 bilhões de tCO2e (toneladas de carbono equivalente) e é muito difÃcil que comecem a cair antes de 2030.
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Veja o que já enviamosPara manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC seria preciso triplicar o conjunto das polÃticas das atuais NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada, na tradução em português). Para mantê-lo abaixo de 1,5ºC, o esforço terá que ser cinco vezes maior, ou ‘mais ambicioso’, como se diz no jargão climático. Diz a WMO no seu relatório: âExiste um reconhecimento crescente de que os impactos do clima estão nos atingindo de maneira mais forte e mais cedo do que as avaliações climáticas indicavam apenas uma década atrásâ.
[g1_quote author_name=”Organização Meteorológica Mundial” author_description=”Relatório” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Existe um reconhecimento crescente de que os impactos do clima estão nos atingindo de maneira mais forte e mais cedo do que as avaliações climáticas indicavam apenas uma década atrás
[/g1_quote]O relatório será uma das bases da Cúpula de Ação Climática que começa hoje (23 de setembro), à s 10h da manhã, em Nova York. Ontem, o secretário geral da ONU, António Guterres, disse que “Nenhum paÃs foi recusado (…) alguns paÃses simplesmente não apareceram”. O pano de fundo da Cúpula é o derretimento das geleiras, as inundações catastróficas, as fortes ondas de calor e um recorde de 4 milhões de grevistas climáticos nas ruas. Guterres abriu o evento com uma declaração de “emergência climática” e pediu o compromisso dos governos.
[g1_quote author_name=”Greta Thunberg” author_description=”Adolescente sueca, lÃder do movimento Fridays For Future” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias, mas eu tenho sorte. Pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. E vocês vêm aqui falar de contos de fada de dinheiro e crescimento econômico
[/g1_quote]Foi seguido por uma emocionada e raivosa Greta Thunberg, a adolescente sueca que lidera o movimento global pelo clima. “Vocês vêm até nós, os jovens, em busca de esperança. Como ousam? Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias, mas eu tenho sorte. Pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. E vocês vêm aqui falar de contos de fada de dinheiro e crescimento econômico”, disparou Greta. com a voz trêmula. “Está tudo errado. Eu não deveria estar aqui, deveria estar na escola, do outro lado do oceano. Mas os jovens estão começando a entender a traição de vocês”, acrescentou a adolescente sueca, ao lado da brasileira Paloma Costa, 27 anos, da ONG brasileira Engajamundo.Â
[g1_quote author_name=”Paloma Costa” author_description=”Jovem advogada brasileira, da ONG Engajamundo” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Nós não vamos trabalhar com empresas que desmatam, não vamos ficar quietos. Mudamos nossos hábitos, mas vocês não estão seguindo a gente. O mundo inteiro orou pela floresta, mas nós não precisamos de orações, precisamos de ações
[/g1_quote]A estudante sueca falou com os olhos cheios de lágrimas. âPor mais de 30 anos a ciência tem sido muito clara. E como vocês ousam não olhar, vir aqui e dizer que estão fazendo o suficiente?â, declarou na abertura da Cúpula Climática âSe vocês escolherem falhar, nós nunca perdoaremos vocês. Nós não vamos deixar vocês escaparem disso. Aqui e agora é quando nós riscamos a linha. O mundo está acordando e a mudança está chegando, gostem vocês ou nãoâ, afirmou.
A brasileira Paloma Costa, advogada de questões ambientais, também não pegou leve. âNós não vamos trabalhar com empresas que desmatam, não vamos ficar quietos. Mudamos nossos hábitos, mas vocês não estão seguindo a gente. O mundo inteiro orou pela floresta, mas nós não precisamos de orações, precisamos de açõesâ, cobrou. “Nós precisamos ver a Amazônia pegando fogo para agir? Os defensores do meio ambiente estão em risco, mas eu não tenho medo. Eu tenho medo de morrer por conta da crise do clima, que está afetando a segurança alimentar, as vidasâ, acrescentou a coordenadora de clima da ONG Engajamundo.
Aliança pela Amazônia
Em evento paralelo à Cúpula do Clima, o presidente da França, Emmanuel Macron, uma grande aliança para proteger a Amazônia e outras florestas tropicais, com a presença de diversos lÃderes da região, mas sem nenhum representante do governo federal brasileiro. O plano inclui novas ajudas de doadores internacionais – o governo francês prometeu um aponte de US$ 100 milhões de dólares. Além de Macron, participaram da reunião batizada de âAlliance for Rainforestsâ, ou âAliança para as Florestas Tropicaisâ, os presidentes da Colômbia, Iván Duque; do Chile, Sebastián Piñera; e da BolÃvia, Evo Morales. Também estavam presentes a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, e o presidente da Assembleia Legislativa da Guiana Francesa, Rodolphe Alexandre.
Macron lamentou a ausência de representante brasileiros na reunião. “Vamos falar francamente. Estamos discutindo tudo isso sem o Brasil presente. O Brasil é bem-vindo. Todos nós queremos trabalhar”, afirmou o presidente francês. Entre os integrantes da Aliança pelas Florestas Tropicais, estão o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a ONG Conservation Internacional.
Os US$ 100 milhões da França vão financiar, juntamente com o Banco Mundial e a Alemanha, o programa âPro Greenâ de ajuda a projetos locais. O Banco Interamericano de Desenvolvimento vai apoiar ações desenvolvidas pelos paÃses amazônicos. A Conservation Internacional, que é dirigida pelo ator Harrison Ford, investirá em iniciativas de ONGs, comunidades nativas e empresas privadas. O americano – estrela de Star Wars e Indiana Jones – disse, em Nova York, que a organização vai destinar US$ 20 milhões a estes projetos de defesa da Amazônia.
Enquanto isso, o Brasil, que não terá lugar de fala no evento do clima, ocupará o seu tradicional espaço na aberta da sessão anual da Assembleia Geral da ONU, que acontece amanhã, também em Nova York. O presidente Jair Bolsonaro pretende mostrar que o paÃs é o campeão em preservação ambiental, que está fazendo tudo para conter o desmatamento ilegal e combater os incêndios. Dirá que esses incêndios estão dentro da normalidade e que a melhor maneira de preservar a floresta é promover o desenvolvimento dos milhões de pessoas que moram na região.
Bolsonaro deve levar a tiracolo a indÃgena Ysani Kalapalo, o que já provocou reação da associação que representa as etnias do Xingu, da qual faz parte os Kalapalos. Em nota, a Associação Terra IndÃgena Xingu â ATIX diz: âO governo brasileiro ofende as lideranças indÃgenas do Xingu e do Brasil ao dar destaque a uma indÃgena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indÃgena do Brasil […] Não aceitamos e nunca aceitaremos que o governo brasileiro indique por conta própria nossa representação indÃgena sem nos consultar através de nossas organizações e lideranças reconhecidas e respaldadas por nósâ.
Ysani apareceu ao lado de Bolsonaro logo antes da votação do 2º turno, no ano passado, e, segundo a Folha, provocou o repúdio das lideranças indÃgenas. Em nota na época, disseram que Ysani é âresidente e domiciliada em Embu das Artes (na Grande São Paulo)â e que ela faz uma âfalsa representaçãoâ dos indÃgenas.
