A exposição por longo tempo à poluição está ligada a um maior risco de morte por Covid-19. Pela primeira vez, um estudo estimou a proporção de mortes pelo vÃrus que pode ser atribuÃda ao efeito exacerbante da poluição do ar em cada paÃs do mundo.
O trabalho, publicado em fevereiro na Cardiovascular Research, avalia que 15% das mortes do mundo pela Covid-19 podem ter uma relação de causa e efeito entre poluição do ar e a mortalidade pela doença (embora isso seja possÃvel). Entretanto, o estudo mostra relações entre o agravamento das comorbidades, que levariam a casos letais.
Os resultados se baseiam em dados epidemiológicos coletados em junho de 2020, e os pesquisadores dizem que serão nececessárias avaliações mais amplas para seguir quando a pandemia tiver diminuÃdo. Estimativas para paÃses individuais mostram, por exemplo, que a poluição do ar contribuiu com 20% das mortes pelo coronavÃrus na República Tcheca, 27% na China e 26% na Alemanha. O Brasil ocupa a décima terceira colocação, com 11%, seguido por Ãndia, Israel, Austrália e Nova Zelândia.
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Veja o que já enviamosA equipe de pesquisa inclui Jos Lelieveld, do Max Plank Institute for Chemistry, Thomas Münzel, da Johannes Gutenberg University, e Andreas Mainz, da German Center for Cardiovascular Research, e Andrea Pozzer, também do Max Planck Institute for Chemistry. Segundo Jos Lelieveld, já que os números de mortes pela Covid-19 crescem em todos cantos, não é possÃvel dar os números exatos ou totais das mortes que podem ser atribuÃveis à poluição do ar. âMas, no caso do Reino Unido, por exemplo, houve houve 44 mil mortes e estimamos que casos ligados à poluição do ar são de 13%, o que quer dizer que mais de 6.100 mortes podem estar ligadas a elaâ, disse..
Munzel afirma que, quando as pessoas inalam a poluição do ar, as partÃculas muito pequenas, chamadas de PM2.5, migram para o sangue e seus vasos, causando inflamação e severo stress oxidativo, o que é um desequilÃbrio entre radicais livres e oxidantes no corpo e que normalmente repara o dano à s células. Isto causa uma perturbação das paredes internas das artérias, o endotélio, e leva a um estreitamento e endurecimento das delas. O vÃrus também entram no corpo via pulmões, causando dano semelhante à s veias sanguÃneas, no que agora é considerada uma doença endotelial.
Ainda de acordo com Münzel, a matéria particulada parece aumentar a ação de células de superfÃcie, chamadas ACE2, conhecidas por estarem envolvidas na maneira como o Covid-19 infecta células. Assim, tempos um efeito duplo. A poluição do ar prejudica os pulmões e aumenta a atividade do ACE-2 , o que por sua vez leva ao fortalecimento da absorção do vÃrus pelos pulmões e provavelmente pelos vasos sanguÃneos e o coração.
A maioria dos cientistas acha muito provável que a poluição do ar aumenta o número de infectados e a severidade do coronavÃrus. Sabe-se que respirar ar sujo causa doenças cardÃacas e pulmonares, e estas doenças tornam pior a infecção por coronavÃrus.
A bioestatÃstica Francesca Dominici, da Universidade Harvard e chefe do estudo, afirma haver evidência suficiente para agirmos imediatamente: âMesmo sem o coronavÃrus, temos uma enorme quantidade de provas, e por isso devemos implementar restrições mais duras. Teremos apenas benefÃcios por priorizarmos algumas das áreas mais vulneráveisâ.
A poluição do ar é o maior risco para a saúde mundial globalmente, e se estima que mate 7 milhões de pessos por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Segundo a entidade, nove em cada dez pessoas que respiram ar poluÃdo estão mais sujeitas a AVCs, câncer de pulmão e doenças do coração.
