Monitoramento feito pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta que os rios Madeira, em Rondônia, e Solimões, no Amazonas, atingiram, nos últimos dias, os nÃveis mais baixos desde o começo das medições de cada um. De acordo com o SGB, na maioria das estações da Bacia do Rio Amazonas, o maior rio do mundo em extensão, os nÃveis estão abaixo da faixa da normalidade. A seca deste ano é a mais extensa já registrada no Brasil e a mais intensa em partes da Amazônia, de acordo com o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
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No sábado (14/09), em Porto Velho (RO), o nÃvel do Rio Madeira, um dos mais longos afluentes do Amazonas, com com quase 1,5 mil quilômetros de extensão, chegou à cota de 41 centÃmetros, a menor registrada desde que o rio começou a ser observado, em 1967. Em pouco mais de uma semana, o nÃvel do rio desceu 55 centÃmetros. Os bancos de areia que já eram grandes ficaram ainda maiores.
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Veja o que já enviamosAs comunidades ribeirinhas que dependem do rio para se locomover de barco estão isoladas – somente na região de Porto Velho, são 55 comunidades estabelecidas à s margens do Madeira. Crianças e adolescentes que precisam frequentar a escola, por exemplo, estão caminhando longos caminhos a pé para não perderem as aulas. Historicamente, outubro e novembro são os meses em que o Madeira fica mais seco. No entanto, o nÃvel do rio começou a bater mÃnimas históricas já no mês de julho; depois disso, o cenário foi se tornando ainda mais crÃtico.
Nesta segunda-feira (16/09), uma balsa transportando veÃculos afundou parcialmente depois de colidir com pedras que apareceram no Rio Madeira com a seca extrema. Por conta da estiagem, a navegação noturna está proibida no trecho do rio Madeira entre Porto Velho a Novo Aripuanã, no interior do Amazonas. Diante da crise hÃdrica, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, instaladas no Madeira e entre as maiores do Brasil, operam com apenas 20% e 14% de suas turbinas, respectivamente.
Na segunda-feira (16/09), o Rio Solimões em Tabatinga (AM), cidade na fronteira com a Colômbia, atingiu a marca de -191 mm, a menor já registrada neste ponto de medição que funciona desde 1982. Na última semana, o nÃvel do rio tem caÃdo 9 mm por dia, em média. A seca extrema reduz a navegabilidade do Solimões e impede o transporte entre Tabatinga, a principal cidade da região, com outros municÃpios menores que já sofrem com o desabastecimento de água potável e alimentos. A seca severa que atinge o municÃpio de Tabatinga, no interior do Amazonas, revelou dois canhões usados na proteção do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga. Ainda neste perÃodo, as ruÃnas do forte, já haviam sido reveladas devido ao baixo nÃvel das águas. As peças de artilharia, que pesam cerca de duas toneladas cada, foram encontradas durante uma pescaria entre amigos no sábado.
Ainda no Rio Solimões, a estação de Itapéua (AM) registrou a cota de 2,3 m â a 3ª menor da história, atrás de 1,46 m em 2023 e de 1,3 m em 2020. Em Fonte Boa (AM), está na marca de 10,16 m â a 8ª mais baixa da história.
Outros rios da Bacia Amazônica também vem atingindo nÃveis dramaticamente baixos. Em Rio Branco, o Rio Acre, chegou, na sexta-feira (13/09), 1,27 m, o nÃvel mais baixo de 2024 e apenas dois centÃmetros da menor marca já registrada. Toda a região do Rio Acre – um afluente do Rio Purus que, por sua vez, deságua no Amazonas – está em situação de alerta máximo para seca, agravada em razão da falta de chuvas na região, situação que já perdura há dois meses. Depois de duas semanas suspensas devido à s fumaças das queimadas, as aulas na rede municipal de Rio Branco foram retomadas, nesta segunda (16/09). No municÃpio de Brasiléia, o Rio Acre chegou ao menor nÃvel registrado: 68 centÃmetros.
O Rio Negro segue em processo de descida e chegou à cota de 16,75 m em Manaus, marca 3,7 m abaixo da faixa de normalidade para o perÃodo, dde acordo com dados são do 37º Boletim de Alerta Hidrológico, do SGB, com as as descidas têm sido de 24 cm por dia na estação. âNão há projeções de melhoria a curto prazo, e a tendência é que o nÃvel do rio continue a descer nos próximos diasâ, explicou o pesquisador em geociências Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus do SGB (SUREG-MA), em comunicado que acompanhou o boletim. A mÃnima histórica registrada em Manaus foi de 12,7 m em outubro de 2023.
A crise hÃdrica se estende ao Pará. âO estado também é afetado pela seca que se estende a praticamente todo o braço direito do Rio Amazonas e também pela região do Pantanal. Em alguns pontos, como São Félix do Xingu (PA), o nÃvel do rio está entre os 10 menores já observados em toda a série histórica (desde 1977)â, informou o engenheiro hidrólogo Artur Matos, coordenador nacional do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH). De acordo com o SGB, a cota registrada nesta sexta-feira (13/09) era de 3,37 m na estação Boa Sorte.
Em outros pontos, como no Rio Tapajós, em Itaituba (PA), o nÃvel é também o menor já observado para o perÃodo, desde 1968. No Rio do Amazonas, em Ãbidos (PA), a última cota observada foi de 1,17 m â o menor nÃvel para essa data, desde 1967. âO nÃvel da água dos rios foi afetado pela falta de chuvas durante o ano. A vegetação seca, em decorrência da falta de chuva, gera condições favoráveis para as queimadasâ, explicou Matos.
