“Se continuarmos produzindo resÃduos, a Mãe Terra produzirá plástico em vez de solo fértil?” A pergunta perturba a artista plástica holandesa Maria Koijck desde o ano de 2008, quando ela esteve em Serra Leoa, paÃs africano com um dos piores Ãndices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo. Ao chegar em uma das praias de Freetown, capital do paÃs, avistou crianças, porcos e cachorros em meio a uma montanha de lixo. Voltou para a casa, na Holanda, construiu sua primeira escultura com garrafas PET: um cisne. Não parou mais de produzir arte do lixo. Depois veio um elefante, um pato, um rinoceronte… Animais variados, em formato gigante, transformados em intervenções urbanas, onde fica evidente o desconforto da artista ao constatar que o lixo não é problema africano, mas global.
A poluição plástica é um mega problema contemporâneo, e responsável por graves danos ao meio ambiente e à saúde humana e animal. Foi produzido mais plástico na última década do que em todo o século passado. Por ano, são consumidas cerca de 5 trilhões de sacolas plásticas em todo o planeta, sem contar outros utensÃlios derivados do petróleo, como as próprias garrafas PET. Segundo dados das Nações Unidas (ONU), metade do plástico consumido no mundo é descartável e pelo menos 13 milhões de toneladas vão parar nos oceanos anualmente, se transformando em micropartÃculas e formando uma lixeira a céu aberto em alto mar. O Brasil é o único paÃs da América Latina que figura entre as grandes economias num mapeamento global sobre poluição nos mares.Â
Ãs vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, Maria construiu Dino, um dinossauro gigante, montado em frente a Catedral de BrasÃlia. A exemplo dos trabalhos anteriores, a escultura é de PET. A artista veio participar do 1º Congresso Internacional Cidades Lixo Zero  , que começa na terça, dia 5 e vai até dia 7. Ela é uma das 27 convidadas internacionais do encontro. Como ocorre em todos os lugares do mundo por onde passou deixando sua marca em forma de instalação urbana, Maria não teve nenhuma dificuldade em encontrar resÃduos para sua obra. Apesar de o paÃs ter uma legislação bastante avançada – a PolÃtica Nacional de ResÃduos Sólidos, de 2010 -, o Brasil tem um Ãndice pÃfio de reciclagem: menos de 3%. Uma pesquisa feita em 1.055 municÃpios brasileiros concluiu que a coleta seletiva está presente em apenas 18% destas cidades. A pesquisa é de 2016 e foi feita pela Ciclosoft, encomendada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosO Brasil produz 80 milhões de toneladas de resÃduos sólidos por ano, cerca de 200 estádios de futebol
[/g1_quote]Pelos cálculos do engenheiro Rodrigo Sabatini, presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, entidade organizadora do encontro, o paÃs perde, todos os anos, R$ 120 bilhões em produtos que poderiam ser reciclados. à uma cifra assustadora, sobretudo se levarmos em consideração que a PolÃtica Nacional de ResÃduos Sólidos define muito bem o que são resÃduos, como hierarquizá-los no tratamento, quem são os responsáveis e ainda estabelece metas.
O fim dos lixões estava previsto para dezembro de 2014, mas ainda continuam em operação 3 mil lixões ou aterros controlados, que recebem cerca de 30 milhões de toneladas de resÃduos urbanos, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe). âHoje, o lixo é o terceiro maior gasto das cidades brasileiras”, comenta Sabatini, acrescentando que, com este recurso, daria para um hospital ou uma escola. “Tanto um quanto o outro estão sendo jogados no lixoâ, concluÃ.
Convencido de que cidade lixo zero não é uma utopia, Sabatini está trazendo para o Brasil exemplos bem-sucedidos mundo afora. “Teremos em BrasÃlia o encontro do que há de mais avançado em sustentabilidade e responsabilidade. Poderemos ver como um grande problema de nossas cidades pode se tornar um ativo, de forma simples, leve e eficiente”, diz ele. Dentre essas cidades-modelo há algumas com mais de 1 milhão de habitantes, como São Francisco, na Califórnia, que tem como objetivo encaminhar corretamente mais de 90% dos resÃduos gerados. Outro exemplo está na vila de Kamikatzu, no Japão. O congresso vai exibir ainda exemplos em cidades na Itália, na Alemanha, na Inglaterra, na Austrália e … na Ãfrica. Não faltam exemplares de cidades que fizeram o dever de casa. O Brasil, onde 40% das prefeituras ainda enviam material para lixões e somente 25% das cidades têm coleta seletiva, não precisa inventar a roda. Basta copiá-la.

a natureza agradece a quem cuidada dela…o planeta e as gerações futuras também. Mas ainda esbarramos com o problema da coleta pois muitos que separam não tem como levar o materal aos pontos de arrecadação do lixo reciclável
Maruska, não é Santini e sim Sabatini! ð
Pingback: Itália exporta modelo de lixo zero – Bem Blogado