Desencadeada para reprimir garimpos ilegais, desmatamentos, caça ilegal de animais silvestres e, ao afastar os invasores, impedir a chegada da Covid-19 à s aldeias indÃgenas, a megaoperação na região da Terra do Meio, entre os municÃpios de São Félix do Xingu e Altamira, levou à exoneração do diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Olivaldi Borges Azevedo. A demissão ocorreu na segunda 13, um dia depois do Fantástico, da TV Globo, noticiar a investida nas terras indÃgenas Apyterewa, Araweté e Trincheira-Bacajá. O Ibama cumpriu recomendação do Ministério Público Federal (MPF) do Pará.
Nomeado há um ano e três meses pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o major Olivaldi, da PM de São Paulo, não lembra em nada um ambientalista xiita ou algo parecido. Longe disso. à que, ao queimar maquinário apreendido na megaoperação, os fiscais do Ibama teriam contrariado o presidente. Em encontro com garimpeiros em novembro último, Bolsonaro prometera tomar providências contra queima de maquinário em fiscalização ambiental. Procurado, o Ibama não quis comentar a exoneração do funcionário. Na quarta-feira, 15, o ministro Ricardo Salles nomeou outro PM de São Paulo para o cargo de Olivaldi: o coronel OlÃmpio Magalhães.
O desejo de Bolsonaro sempre foi, como ele mesmo já admitiu, confinar na Amazônia defensores do meio ambiente para que âdeixem de atrapalharâ. Não foi o caso de Olivaldi. O major cumpriu à risca o que vinha descrito no documento do MPF do Pará: âapontar a necessidade de que sejam descaracterizados, destruÃdos ou inutilizados quaisquer máquinas e instrumentos que estejam sendo utilizados para a prática de crimes ambientais dentro das áreas protegidasâ.Â
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Veja o que já enviamosA megaoperação vinha sendo arquitetada desde março último, quando o MPF encaminhou ao Ibama ârecomendação para imediata elaboração de cronograma de atuação voltado ao desbaratamento dos crimes ambientais ocorridos em áreas protegidasâ.
Cerca de 1.700 Ãndios vivem nas três terras indÃgenas alvos da megaoperação do Ibama. Na TI Trincheira-Bacajá, o desmatamento ilegal é uma constante, assim como o avanço da pecuária, roubo de madeira, garimpo e grilagem de terra. No final do ano passado, a PolÃcia Federal (PF) fechou um garimpo ilegal de 1 milhão de metros quadrados (m2) na TI Apyterewa. Batizada de operação âAzougueâ, foram apreendidos no local maquinários e documentos, mas, à época, ninguém foi preso.
