A Amazônia passa pelo Rio. A nova exposição do Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, traz para perto do público carioca e de visitantes de outras cidades a exuberância do bioma brasileiro ao longo dos séculos. E chama a atenção também para o futuro incerto da maior floresta tropical do mundo. Inaugurada no final de 2021 e em cartaz até junho de 2022, âFruturos: tempos amazônicosâ comemora os seis anos completados em dezembro do museu de ciências projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e construÃdo à s margens da BaÃa de Guanabara. Passear pela mostra é como viajar pela Amazônia, a um Brasil de distância do Rio. Mesmo quem conhece a região vai descobrir novos aspectos em uma exposição repleta de informações sobre meio ambiente, cultura e ciência.
Leu essa? Museu do Pontal tem nova sede para abrigar a maior coleção de arte popular brasileira
Dividida em sete áreas, âFruturosâ ressalta a biodiversidade e a realidade das mais de 30 milhões de pessoas que moram na Amazônia: âUma população tão diversa quanto as paisagens da floresta. (…) Com as mudanças climáticas, um complexo desafio se impõe ao futuro da floresta e de todos que nela habitam ou dependem de seus recursos e sua águaâ, destaca o curador Leonardo Menezes no texto de apresentação. Com diversas atividades interativas, uma caracterÃstica das exposições no Museu do Amanhã, âFruturosâ mostra a importância de termos um novo modelo de desenvolvimento socioeconômico na região baseado na ciência, no compromisso de preservar a floresta e no conhecimento e nas práticas de quem mora na região.
âA Amazônia é o maior reservatório de biodiversidade do planeta. Já foi chamada de selva. Selva é mais do que floresta, é mistério. Precisamos de selva dentro de nós. Se destruirmos a floresta, perdemos também a selvaâ, diz o economista Sérgio Besserman, curador de sustentabilidade do Museu do Amanhã.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosComo é a exposição sobre a Amazônia no Museu do Amanhã
Objetos produzidos há milênios por comunidades indÃgenas e usados no dia a dia estão reunidos em um dos primeiros ambientes de âFruturosâ, que valoriza a diversidade de povos originários e suas diferentes lÃnguas na área âAmazônia milenarâ. Na âAmazônia secularâ, que mostra o modo de vida de ribeirinhos, pescadores, extrativistas e outros povos tradicionais, um dos destaques é a mandioca, consumida tanto na floresta quanto pela população urbana, e declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o alimento do século 21. â#SomosAmazôniaâ reúne elementos de manifestações artÃsticas e culturais da região, como trajes tÃpicos, o boi do Festival de Parintins (AM), o boto do Festival do Sairé, em Alter do Chão (PA), e a corda do CÃrio de Nazaré, celebração religiosa em Belém do Pará que hoje é Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.
âAmazônia aceleradaâ destaca os desafios da regeneração: como conter as queimadas, a mineração ilegal em territórios indÃgenas e o desmatamento, que impacta a biodiversidade, o clima e a vida de quem mora na região. âDesacelerar a degradação e acelerar a demarcação de terras indÃgenas e novas reservas ambientaisâ é o mote desta área de “Fruturos”.
âA comunidade do meu povo está isolada sem água potável por causa do garimpo, bebendo lamaâ, denuncia Vanda Ortega, indÃgena da etnia Witoto, de um território à s margens do Rio Solimões. âPrecisamos fazer o caminho de volta ao passado para pensar no futuro. Voltar ao passado não é retroceder nos direitos. O passado que queremos é o da espiritualidade. Este é o mistério da selva. Sem dialogar com os saberes ancestrais do nosso povo não teremos futuroâ.
Serviço
A mostra âFruturos: tempos amazônicosâ pode ser vista até 12 de junho de 2022. Até o fim de janeiro há uma programação de férias, com várias atividades, que pode ser consultada no site do Museu do Amanhã. O museu fica na Praça Mauá, no Centro do Rio, e a melhor maneira de chegar até lá é de metrô ou VLT. Está aberto ao público de terça-feira a domingo, das 10h à s 17h. Os ingressos (R$ 30, inteira, e R$ 15, meia-entrada) com dia e hora marcados só podem ser comprados online. As gratuidades também devem ser reservadas com antecedência. à obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação contra a covid-19.
