Pela primeira vez em 16 anos, o Acampamento Terra Livre não ocupou a Esplanada dos Ministérios, em BrasÃlia. Devido a pandemia de covid-19, o maior encontro dos povos indÃgenas começou nesta segunda, 27/4, virtualmente e seguirá assim, somente pela tela do computador, até o próximo dia 30. Organizadora do encontro, a Articulação dos Povos IndÃgenas do Brasil (Apib) optou em não cancelar a reunião justamente pela gravidade da situação: o risco de um novo genocÃdio com a chegada da covid-19 nas aldeias e as ameaças constantes de invasão nos territórios indÃgenas por desmatadores, garimpeiros, madeireiros, além do aumento da violência contra lideranças indÃgenas.
âEstamos sob ataqueâ, denunciou a liderança indÃgena Sônia Guajajara, referindo-se a mais recente investida do governo Bolsonaro contra os povos indÃgenas. Ãs vésperas do encontro, a Fundação Nacional do Ãndio (Funai) editou medida que libera geral a ocupação e a venda de terras indÃgenas sem homologação. Com a mudança, o passivo de 237 Terras IndÃgenas que aguardavam homologação estão correndo o risco de serem transformadas em imóveis privados. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 24, dias antes da abertura do Acampamento Terra Livre.
Enquanto as lideranças indÃgenas tentam manter âos parentesâ nas aldeias estimulando o isolamento social, a quarentena não está sendo cumprida por garimpeiros, madeireiros, desmatadores. Cerca de 20 mil garimpeiros continuam trabalhando nas terras indÃgenas Yanomami e os alertas de desmatamento aumentaram 29,9% na Amazônia, em março contra o mesmo perÃodo do ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Enquanto isso, a pandemia do novo coronavÃrus avança nas aldeias. Um total de 85 indÃgenas já foram contaminados, levando 11 deles a óbito â todas as mortes ocorreram na região na Amazônia Legal.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosPara o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá, a única alternativa que resta aos povos indÃgenas é âbarrar o avanço do genocÃdio que está em cursoâ contra os povos indÃgenas. O enfrentamento da pandemia do novo coronavÃrus – , denuncia – não estabeleceu uma estratégia que leve em consideração as especificidades dos povos indÃgenas. Enquanto bancadas no Congresso Nacional, representadas pelos mineradores e madeireiros, querem âusurpar nossas terrasâ.Â
“Queremos demarcação de terras e de telasâ, pontuou o lÃder indÃgena Kretã Kaingang, da Terra IndÃgena Mangueirinha, no interior do Paraná, que costuma ser taxativo: âPara cada novo ataque, criamos uma nova estratégia de lutaâ. Temas como saúde indÃgena e racismo, agenda LGBTQ +, mudanças climáticas, desmatamento e direitos indÃgenas são alguns dos assuntos que serão debatidos remotamente durante toda essa semana.Â
