Gian Andrea Franchi e sua esposa Lorena Fornasir já podem respirar aliviados, o inquérito contra o casal de aposentados foi arquivado pelo tribunal de Bolonha no final de novembro e eles não serão mais processados por favorecimento à imigração clandestina. Os dois poderão continuar curando, diariamente, na Praça Liberdade, em frente à estação de trem de Trieste, os pés de homens, mulheres e crianças que chegam na Itália depois de atravessar a rota balcânica.
Leu essa? Por um 2022 mais verde
São refugiados do Oriente Médio e de paÃses da Ãsia Central que escapam de seus paÃses destruÃdos pela guerra e partem numa viagem alucinante em busca de um lugar de paz para viver na Europa. A viagem pela rota pode durar anos. Ela começa na Grécia, corta as entranhas dos paÃses balcânicos até chegar em solo italiano.
Lorena, 68 anos, psicoterapeuta, e seu marido Gian Andrea, 85 anos, professor de filosofia aposentado não ficaram imunes diante dos muros invisÃveis construÃdos nos últimos anos pelo continente europeu, criaram a associação Linea dâOmbra e todos os dias, faça sol ou chuva, ocupam a Praça Liberdade, carinhosamente chamada de âpraça do mundoâ, para oferecer uma refeição quente, medicar os pés dos imigrantes e lhes dar um par de sapatos.
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Veja o que já enviamosO inquérito contra o casal foi aberto em 2019, em Trieste, e tinha como objetivo identificar uma possÃvel ligação entre traficantes de seres humanos e os voluntários de Linea dâOmbra. Tudo porque, em julho daquele ano, eles hospedaram uma famÃlia curdo-iraniana que tinha dois filhos e os ajudaram a chegar na Alemanha.
Inicialmente o inquérito investigava somente Gian Andrea, mas a partir do momento que Lorena foi incluÃda na investigação, teve de ser transferido para o Tribunal de Bolonha, uma vez que a italiana é juÃza honorária do tribunal de menores de Trieste, o que causaria conflito de interesses.
Na manhã de 23 de fevereiro deste ano, o casal acordou com a polÃcia batendo na porta de casa. Estavam respondendo a um mandado de busca e apreensão e tiveram computador e celulares sequestrados. O magistrado responsável pelo caso em Bolonha reconheceu o caráter artificial da suposta ligação dos aposentados com uma rede de tráfico humano internacional e mandou arquivar a investigação.
âTudo isso deixa claro o caráter polÃtico das denúncias contra ativistas solidários com os migrantesâ, comentou o casal.
Entre fevereiro e março deste ano, a reportagem do #Colabora esteve na Bósnia, Croácia e Trieste para contar o drama vivido por milhares de refugiados sÃrios, afegãos e iraquianos que deixaram seus paÃses destruÃdos pela guerra e partiram numa viagem de desespero em busca de um lugar na Europa para viver. A reportagem especial venceu a 38ª edição do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, na categoria reportagem.
