O que faz um artista da indústria musical ser considerado âimortalâ ou então uma âlenda vivaâ? Os números de vendas conquistados ao longo da carreira, a legião de fãs ao redor do mundo ou exatamente o que esse Ãdolo faz longe dos holofotes do show business, usando seu alcance e visibilidade para apoiar causas humanitárias? Considerando apenas uma ou conjunto das três respostas, Lady Gaga já tem todos os requisitos para ser considerada como tal. Em um mundo de quarentena contra o coronavÃrus, a norte-americana vem deixando uma marca que, sem dúvidas, será lembrada por décadas. Neste sábado, 18, a estrela de 34 anos, batizada como Stefani Germanotta, é o grande nome por trás do festival âOne World: Together at Homeâ, da Organização Mundial da Saúde em parceria com a ONG Global Citize. O evento, que tem a curadoria de Gaga, unirá artistas de peso em uma live de oito horas para reunir as pessoas e celebrar as doações feitas para o Fundo de Resposta à Solidariedade, criado pela Fundação das Nações Unidas, junto à OMS.
Para os fãs, o suporte da cantora diante de uma crise não é novidade. Mas para boa parte da população, que acompanha a carreira da disruptiva cantora pelos clipes excêntricos ou pelos tabloides de entretenimento, o lado filantrópico de Lady Gaga pode ser, sim, uma novidade. O #Colabora lista a seguir algumas situações em que a estrela se colocou na linha de frente de assuntos que carecem de debate globalmente, seja usando sua voz e seus milhões de seguidores ou parte da sua fortuna na luta por um mundo mais tolerante e justo.
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Veja o que já enviamosDoações milionárias
A curadoria do âOne World: Together at Homeâ é só um dos trabalhos que vêm sendo feito por Lady Gaga para ajudar os profissionais de saúde e as comunidades mais vulneráveis em relação aos impactos da pandemia do coronavÃrus. Ela, que adiou o lançamento do seu novo álbum previsto até então para meados de abril, concentra agora seus esforços para conseguir doações milionárias em prol da causa. Durante uma participação no âThe Tonight Showâ, Lady Gaga ligou para Tim Cook, CEO da Apple, e o questionou sobre a doação que ele havia combinado de fazer. Ao vivo, o empresário confirmou o gesto e doou US$ 10 milhões (mais de R$ 50 milhões) para o fundo da OMS. Ao todo, segundo anunciado pela cantora na coletiva de lançamento do festival, mais de US$ 35 milhões (R$ 183 milhões) já foram arrecadados pela indústria do entretenimento com a sua influência.
Em suas redes sociais, Gaga também cobra o apoio de grandes lideranças internacionais, como Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá. âO Canadá irá doar novos fundos para a GAVI Alliance (organização internacional) distribuir vacinas e salvar vidas nos paÃses mais pobres?â, questionou no Twitter.
Fundação contra o bullying
Lady Gaga nunca escondeu em suas entrevistas o bullying sofrido durante a adolescência. Certo dia, por exemplo, três garotos a jogaram dentro de uma lata de lixo enquanto outras meninas riam. âQuando eu passava nos corredores eles me beliscavam e me chamavam de vagabundaâ, relatou. Consciente dos traumas gerados por essa violência, a norte-americana usou da sua visibilidade e fortuna conquistadas com seu trabalho para criar, em 2011, a Fundação Born This Way.
A ONG, voltada para jovens, tem como missão construir um mundo mais gentil e corajoso, formando comunidades que compreendam e valorizem a saúde mental. Um dos grandes feitos é a parceria com o Conselho de Saúde Comportamental dos EUA para levar os primeiros socorros em saúde mental para adolescentes do paÃs. âà uma fundação para dar poder à juventude. Trata-se de modificar o clima do ambiente escolar”, declarou Gaga.
Aporte na educação pública dos EUA
Em agosto do ano passado, Lady Gaga anunciou que financiaria totalmente 162 projetos educacionais de escolas públicas de três cidades dos EUA, vÃtimas de recentes tiroteios em massa. O aporte foi direcionado à ONG Donors Choose e realizado por meio da Fundação Born This Way para atender as necessidades dos alunos em El Paso, no Texas; Dayton, em Ohio; e Gilroy, na Califórnia. âNeste momento, quero canalizar minha confusão, frustração e fúria em esperança. Espero que estejamos juntos, uns para com os outrosâ, disse a cantora em suas redes sociais na ocasião.
Tragédias naturais
Em 2017, Gaga literalmente colocou a mão na massa para ajudar a reconstruir casas destruÃdas pelo Furacão Harvey, no Texas. âQueremos ajudar a fazer Houston forte outra vez. Estamos fazendo algumas demolições e melhorando a casa da Pamela após a passagem do Furacão Harveyâ, detalhou a artista, que contratou uma equipe de profissionais para a reforma das habitações de diversas famÃlias. Cinco anos antes, Lady Gaga também anunciou que doaria à Cruz Vermelha US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) para vÃtimas de outro fenômeno natural, a supertempestade Sandy, que atingiu Nova York, sua cidade natal, em 2012.
VÃtimas de abusos sexuais
Ao lançar âTil It Happens To Youâ, em 2015, Gaga não só levantou globalmente a discussão sobre a violência sexual como também doou parte da receita da venda da música para organizações em prol de vÃtimas de estupro. O trabalho, indicado como Melhor Canção Original no Oscar de 2016, fez a cantora subir ao palco com dezenas de vÃtimas de estupro para aquela que se tornaria uma apresentação épica â anunciada pelo então vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na pele das garotas, frases como: “A culpa não é sua” e âSobreviventesâ. Lady Gaga, que revelou ter sido abusada sexualmente aos 19 anos, tatuou juntamente com as convidadas um mesmo desenho sobre solidariedade.
Luta contra a Aids
Após receber de Yoko Ono o troféu âLennonOno Grant For Peaceâ, em 2012, em reconhecimento ao seu ativismo social, a cantora garantiu que iria doar os US$ 50 mil (R$ 250 mil) recebidos para instituições assistidas pela ‘Elton John Aids Foundation’. “Vou trabalhar perto deles para garantir que o dinheiro vá especificamente para os órfãos e jovens carentes que nasceram com HIV ou Aids na América”, disse a cantora em discurso após receber o prêmio.
Incêndio em Malibu
Durante o Dia Mundial da Bondade, em novembro de 2018, Gaga fez jus à data e visitou a Cruz Vermelha de Los Angeles, na Califórnia, para oferecer ajuda à s milhares de pessoas desabrigadas em razão de um incêndio florestal que afetou, principalmente, a cidade de Malibu, onde a cantora tem residência. Ela, que também foi obrigada a deixar sua casa, cantou, distribuiu pizzas e presentes para a população local. âEu sei que não nos conhecemos, mas eu os amo, isso é uma emergência, mas vocês não estão sozinhos, nós temos um ao outroâ, falou durante o encontro, sem noticiar o quanto doaria para as famÃlias.
Diretos Humanos e polÃtica
A protagonista da mais nova versão do longa âA Star is Bornâ também não deixa de se posicionar politicamente sobre assuntos importantes relacionados aos direitos humanos, sobretudo LGBTI+. Em 2010, ela organizou uma grande manifestação a favor da revogação do âDon’t Ask, Don’t Tellâ, polÃtica que proibia homossexuais declarados no Exército norte-americano. Em dezembro do mesmo ano, Barack Obama pôs fim à restrição.
Após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA em 2016, Lady Gaga, que á abertamente seguidora do Partido Democrata americano, protestou em frente a Trump Tower, em Nova York. Em cima de um caminhão, ela expressou sua indignação em um cartaz: “Love trumps hateâ ou âO amor supera o ódio”, em alusão ao verbo em inglês que se assemelha ao sobrenome do presidente.
Em 2018, Gaga criticou fortemente o governo de Trump por pretender eliminar o reconhecimento da comunidade trans no paÃs por meio de uma revisão na lei federal para definir gênero apenas como sexo biológico. âO governo pode estar vivendo em um universo alternativo, mas nós, como sociedade e cultura, sabemos quem somos e conhecemos a nossa verdade e devemos nos unir e levantar nossas vozes para que possamos educá-los sobre as identidades de gêneroâ, declarou.
Porta-voz da comunidade LGBTI+
Não são as músicas que celebram diversidade e autoaceitação e as manifestações citadas acimas que fazem Lady Gaga ser considerada uma porta-voz para LGBTI+. A cantora, que é bissexual, sempre fez questão de conhecer de perto e assistir à população mais vulnerável da comunidade. São inúmeras visitas à instituições de acolhimento. Em 2016, na Inglaterra, fez uma pesquisa em uma ONG para saber as reais necessidades de crianças e jovens abandonados por suas famÃlias. No mesmo ano, passou o feriado de Ação de Graças em uma entidade de Nova York. âEu não estou aqui hoje porque eu precisei tirar dolorosamente algum tempo de minha agenda. Estou aqui porque eu quero estar aqui. E estou aqui porque eu quero que isso afete outras pessoas ao redor do mundo”, disse em entrevista ao iHeartRadio.
Os resultados do apoio de Lady Gaga à comunidade LGBTI+ são visÃveis, frequentemente, em comentários e cartas enviadas para a cantora, muitas vezes lidas durantes seus shows. Na maioria, jovens relatam que venceram a depressão ou que desistiram do suicÃdio por conta das letras e do empoderamento da artista. Will Nascimento, um fã brasileiro que escreveu para Gaga se despedindo, recebeu suporte imediato da estrela: âToda tristeza pode mudar. Mas você precisa trabalhar para isso. Nós precisamos de você. Eu preciso de vocêâ.
O festival
No Brasil, a transmissão do âOne World: Together at Homeâ começará no Multishow (na TV e em seu canal no YouTube) e no Globoplay (com sinal aberto no Brasil e nos Estados Unidos), que exibirão o pré-show, ao vivo, a partir das 16h (horário de BrasÃlia). Na sequência, à s 21h, ambos os canais exibirão os grandes shows do festival. A TV Globo exibirá o show completo de duas horas logo após o programa Altas Horas.
A efeito comparativo, observando a relevância na indústria fonográfica dos artistas convidados para o âOne World: Together at Homeâ, â teremos Celine Dion, Paul Mccartney, Elthon John, entre outros – o evento desse sábado é uma espécie de Live Aid do século XXI (festival realizado em 1985 para angariar fundos no combate à fome na Etiópia). Difere-se, porém e obviamente, por causa do formato: sem plateia e cada um em sua casa, conforme o recomendado para conter o avanço do coronavÃrus. Na década de 80, Freddy Mercury, do Queen, fez as doações durante sua apresentação explodirem. Aliás, Gaga e Mercury têm uma importante ligação. O segundo nome artÃstico da cantora é por conta de um dos grandes sucessos do Queen, a canção Radio Ga Ga.
O primeiro nos remete a outra Lady, a inglesa e também filantropa Lady Di, uma das musas inspiradoras de Gaga, que teria, inclusive, escolhido o nome para homenagear a princesa. Certamente, os passos dados pela premiada norte-americana em sua carreira deixaria a falecida aristocrata orgulhosa. Diana ou Gaga, precisamos urgentemente de mais ladies.

Cara !! Baita matéria !! Parabéns !! Que bom que tem pessoas com poder no mundo que não esquecem dos menos favorecidos !! Lady Gaga é uma delas !!
Showwwwwwwwwwwww !!!