Eles não estão parados no tempo, como se fossem peças de museu. Disputam espaços e narrativas para provar que antes mesmo do Brasil da Coroa â numa referência à chegada dos portugueses â já existia o paÃs do cocar. Transitando com desenvoltura entre as tradições e a modernidade, os indÃgenas do século 21 usam e abusam das tecnologias digitais. Não é um processo de aculturação, como alguns ainda pensam. à justamente o contrário. Como influenciadores digitais, lançam mão das redes sociais para contrapor estereótipos, preconceitos e racismo.
Leu essa? Aplicativo para demarcar território
Dos territórios para a web, âPapo de parenteâ é o primeiro podcast indÃgena da GloboPlay e é lá, no espaço virtual, que Célia Xakriabá e Tukumã Pataxó apropriaram-se do veÃculo de mÃdia para reivindicar seus direitos, reafirmar suas identidades e levar para o ciberespaço sua luta e resistência. âà pelo corpo indÃgena, pelo pensamento indÃgena, pelas vozes indÃgenas que descolonizamos nosso olharâ, responde Célia, quando questionada sobre as velhas questões que ainda permeiam o imaginário coletivo em relação aos povos indÃgenas.
Ela e Tukumã são jovens lideranças indÃgenas e influenciadores de peso â cada um deles com pouco mais de cem mil seguidores nas redes sociais. São eles quem comandam o programa da plataforma. A cada semana, os dois falam sobre cultura indÃgena por meio da agricultura, culinária, polÃtica, literatura, educação, festas, medicina e esportes tradicionais. Perguntas como se âdeixamos de ser indÃgenas quando acessamos o mundo e outras coisas fora do territórioâ ou âcomo alguém pode ser tornar indÃgenaâ ou, ainda, âquem é indÃgena no Brasilâ são alguns dos questionamentos recorrentes que recebem nas redes sociais.
Nos bastidores do podcast está LetÃcia Leite, jornalista e pesquisadora de novas tecnologias usadas pela juventude indÃgena desde 2016 e que idealizou, há alguns anos, âCopiô, Parente?!â â o primeiro podcast feito para povos indÃgenas no Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA). âPapo de parenteâ é uma realização da sua produtora, o Vem de Ãudio.
Para o conteúdo em áudio digital da GloboPlay, LetÃcia convidou Célia, que chamou Tukumã. As escolhas foram certeiras. Educadora e liderança indÃgena do povo Xakriabá, de Minas Gerais, Célia conversa com os ouvintes do podcast â o programa é estruturado como uma caixinha de perguntas, onde artistas e celebridades trazem dúvidas e curiosidades à apresentadora.
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Veja o que já enviamosA culinária tradicional indÃgena alimenta nosso espÃrito e depois o nosso corpo
[/g1_quote]Tukumã, por sua vez, é da aldeia Coroa Vermelha, no sul da Bahia, estudante de gastronomia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) â ele é o único aluno indÃgena da turma â e comanda o quatro âReceitas da terraâ. âA culinária tradicional indÃgena alimenta nosso espÃrito e depois o nosso corpoâ, defende, comentando que a alimentação no contexto indÃgena vai além do ato de se alimentar.
Em um dos episódios, a deputada Federal Joênia Wapichana (Rede/ Roraima) ensinou uma receita tÃpica do seu povo: a damurida. Tukumã dá receitas de chás, banhos de ervas e até uma cerveja ancestral, feita a base de mandioca. à através de um neologismo, “saborania”, uma palavra criada a partir da junção de saberes e sabores, que Célia lança mão para falar sobre o tema culinária indÃgena: âNão teremos futuro, se não tivermos semente; não teremos semente, se não tivermos territórioâ.
Estruturado em duas temporadas, cada uma delas com quatro episódios, “Papo de parente” já recebeu os cantores e compositores Caetano Veloso e Lenine, a atriz LetÃcia Sabatella, o BBB Lucas Penteado, a jornalista Sônia Bridi. Por ser atemporal, questões como garimpo em terra indÃgena, Marco Temporal â tese que defende que os indÃgenas só podem reivindica as áreas que eram ocupadas por eles antes da data de promulgação da Constituição Federal, em outubro de 1988 â agressões e outros temas que colocam em xeque a sobrevivência desses povos não são discutidas diretamente no programa.
[g1_quote author_name=”Célia Xakriabá” author_description=”liderança indÃgena do povo Xakriabá” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Nós precisamos descolonizar o pensamento e a escuta. Então vamos descolonizar a partir do ouvido? Vamos fazer escuta sensÃvel?
[/g1_quote]Mas, como defende Célia, âdemarcar território não é um bem somente prestado a nós povos indÃgenas. Mas nós queremos também demarcar múltiplos territórios, o território do pensar, o território do narrar. Nós precisamos descolonizar o pensamento e a escuta. Então vamos descolonizar a partir do ouvido? Vamos fazer escuta sensÃvel?

Bn. Meu nome é Jose LuÃs Mattos Pimenta e possuo uma ONG, Organização Aloysio Mattos Pimenta, para atuar na áreasocio ambiental e preservação do meio ambiente.
Estou formatando um site para minha ONG e nele gostaria de postar vÃdeos e conteúdo de vcs.
Gostaria de sua autorizacao , lembrando que sua empresa será colocada crédito de sua autoria.