Com atos em Minas Gerais e São Paulo, famÃlias das vÃtimas do rompimento da barragem em Brumadinho relembram, no fim de semana, os seis anos da maior tragédia socioambiental da história do paÃs, que matou 272 pessoas – três atingidos ainda seguem desaparecidos – no dia 25 de janeiro de 2019. O colapso da Mina Córrego do Feijão, administrada pela Vale, também destruiu ecossistemas inteiros e expôs as graves falhas de segurança e manutenção do modelo de mineração brasileiro. Nenhum dos responsáveis foi a julgamento.
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Neste sábado (25/01), será inaugurado o Memorial de Brumadinho, um espaço dedicado à preservação da memória das vÃtimas e à reflexão sobre a tragédia, instalado no Córrego do Feijão onde houve o desastre. Na Praça das Joias, no centro do municÃpio de Brumadinho, está marcado um ato em homenagem à s vÃtimas do rompimento da barragem da Vale. âSeis anos depois, não há justiça, não há reparação, e o Brasil permanece refém de um modelo de mineração insustentável. Minha filha Camila, meu filho Luiz, minha nora Fernanda e meu neto Lorenzo tiveram suas vidas interrompidas por uma tragédia que podia ter sido evitada”, afirma Helena Taliberti, fundadora do Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT).
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Veja o que já enviamosOs irmãos estavam hospedados na Pousada Nova Estância que desapareceu sob a lama no dia 25 de janeiro – a mulher de Luiz, Fernanda, estava grávida de cinco meses de Lorenzo, pai de Camila e Luiz, Adriano, e a esposa dele, Lurdes, também morreram. “Não se pode esquecer que vidas foram ceifadas por não terem valor diante da busca incessante por produtividade e lucro. à a memória deles e das demais vÃtimas que nos move a lutar cotidianamente para que nenhuma outra mãe passe pelo que eu e tantas outras estamos passandoâ, acrescenta Helena, 67 anos, funcionária pública aposentada.
O ICLT vem recolhendo apoio para o manifesto âBasta de Impunidade: Justiça por Brumadinhoâ, que já reúne mais de 127 mil assinaturas. O documento, que será apresentado à s autoridades, exige celeridade nos processos judiciais e medidas concretas para garantir que tragédias como essa não se repitam. “Quantas vidas ainda precisarão ser cruelmente perdidas para que algo mude? A morte deles não pode ter sido em vão”, frisa. O objetivo do Memorial de Brumadinho é não deixar jamais a tragédia ser esquecida na própria cidade que abrigava a mina. “O espaço vai traduzir o luto â que é também nacional â, ao mesmo tempo em que vai se juntar ao esforço coletivo de preservar a memória da tragédia e de suas vÃtimas e promover esforços para a não-repetição de desastres minerários”, afirma o diretor administrativo do ICLT, Vagner Diniz, também presidente do Conselho Curador da Fundação Memorial de Brumadinho.
Em Ouro Preto, o ato por Memória e Justiça será realizado no Museu da Inconfidência, palco da exposição âPaisagens Mineradas – Marcas no Corpo-Territórioâ, que traz uma programação especial com a exibição do documentário âSociedade de Ferroâ, de Eduardo Rajabally e da performance “Pedaços de chãos se movem com as águas”, de Morgana Mafra. âOs atos são indispensáveis para honrar a memória das 272 vÃtimas e fortalecer a luta por justiça. Cada intervenção, depoimento e momento de reflexão reforçam a importância de não deixar essa tragédia ser esquecida e de mobilizar a sociedade para exigir mudanças concretas no setor de mineração no Brasil. Poderia ter acontecido com qualquer um. Meus filhos estavam lá a passeio e morreram”, comenta Helena.
No domingo (26/01), um toque da sirene à s 12h28, horário exato do rompimento da barragem em 2019, vai marcar o o Ato por Memória e Justiça, que será realizado na Avenida Paulista (esquina com a Rua Pamplona). Além da coleta de assinaturas para o manifesto âBasta de Impunidade: Justiça por Brumadinhoâ, o evento contará com uma oficina para crianças, com plantio de mudas e pintura com tintas de argila em um mural coletivo, simbolizando a renovação e a conexão com a natureza; a intervenção “Estampe-se”, com a impressão ao vivo de panos de prato com a frase “Tentaram nos enterrar, não sabiam que éramos sementes”, conduzida pela artista visual Monica Schoenacker; e a oOcupação criativa “Ser Rio”, intervenção artÃstica que explora a importância dos rios e da preservação ambiental. âà uma oportunidade de trazer a pauta para a cidade de São Paulo que, apesar de estar distante de Brumadinho, é o centro de muitas decisões no paÃsâ, explica Helena Taliberti.
No processo criminal no Brasil, 15 pessoas respondem por homicÃdio doloso e a Vale S.A. e a Tüv Süd (empresa alemã responsável por atestar a segurança da barragem) são acusadas de delitos da lei ambiental. Os processos criminais, que começaram na Justiça de Minas Gerais tramitam, desde o inÃcio de 2023, na esfera federal, a pedido da defesa de alguns réus. Além dos processos que tramitam no Brasil, investigações vêm sendo conduzidas pela Procuradoria Criminal de Munique, na Alemanha, onde fica a sede da Tüv Süd.
