A pandemia de Covid-19 avança pelo Brasil, provocando muito sofrimento e impondo desafios enormes a toda a sociedade mas, principalmente, à s comunidades mais vulneráveis. âQuando pensamos nos impactos de uma crise como essa, não podemos tirar da conversa a questão da desigualdade social, ainda mais em um paÃs como o nosso, em que ela é gigante e estruturalâ, diz Daniela Redondo, diretora-executiva do Instituto Coca-Cola Brasil (ICCB). Para ajudar as 70 comunidades urbanas de baixa renda onde atua a enfrentar este momento tão difÃcil, o ICCB criou, em parceria com a Coca-Cola Brasil, o fundo âEstamos nessa juntosâ.
A partir de conversas com ONGs parceiras, o ICCB definiu três frentes de atuação: sensibilização e conscientização, com a propagação de informações sobre a doença e sobre formas de prevenção; proteção à saúde, com distribuição de máscaras e de kits de higiene e limpeza; e alimentação, com doação de cestas básicas. As ações vão impactar 2,8 milhões de pessoas. âBoa parte delas estava desempregada ou fazia parte do mercado informal. Então, o impacto da pandemia foi gigantescoâ, observa Daniela.
[g1_quote author_name=”Daniela Redondo” author_description=”Diretora-executiva do Instituto Coca-Cola Brasil (ICCB)” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”02″]Quando pensamos nos impactos de uma crise como essa, não podemos tirar da conversa a questão da desigualdade social, ainda mais em um paÃs como o nosso, em que ela é gigante e estrutural
[/g1_quote]Cada organização decide como alocar os investimentos, de acordo com as necessidades de cada comunidade. Desde que as ações começaram, multiplicam-se pelo paÃs exemplos de união, força e superação. A seguir, contamos algumas dessas histórias de beneficiados pelo fundo. Elas mostram que solidariedade gera solidariedade, e que a mobilização é uma das armas mais poderosas na luta contra esse inimigo invisÃvel.
Cesta que se transforma em solidariedade
Aluna do Coletivo Jovem, programa de empregabilidade de jovens do Instituto Coca-Cola Brasil, Gyselle Paulo Faustino, de 18 anos, recebeu com alegria os alimentos da cesta básica, já que, em casa, o dinheiro para as compras tem sido contado centavo a centavo. Mesmo com as adversidades, ela tem pensado se seria possÃvel compartilhar a solidariedade: âEstou pensando em formas de ajudar outras pessoas, que estão passando por dificuldades, como os moradores de rua, por exemplo. Quem sabe não consigo colaborar de algum jeito?â, pondera a moradora do Conjunto São Miguel, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. Gyselle mora com a mãe, auxiliar de serviços gerais de uma empresa, que teve a carga horária reduzida por causa da pandemia, mas continua empregada.
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Veja o que já enviamosGyselle é aluna da unidade do Coletivo Jovem que funciona no Espaço Esperança, ONG parceira do ICCB há mais de dez anos, localizada em Autran Nunes, comunidade vizinha à em que ela mora. As aulas estão suspensas por causa da pandemia. Com a verba da iniciativa, a ONG está promovendo ações que impactam outras duas comunidades. âColocamos um carro de som, cinco horas por dia, durante uma semana, percorrendo as ruas com maior circulação de pessoas. Estimamos que conseguimos sensibilizar cerca de 63 mil pessoas, que representam 60% da população dessas quatro comunidadesâ, diz Francisca Geracina Ferreira Viana, a Gera, diretora do Espaço Esperança. Também foram distribuÃdos 510 kits de higiene e limpeza e 406 cestas básicas.
Máscaras que protegem e geram renda
Na sede da Associação Beneficente Antônio José Guarda, parceira do ICCB em Sorocaba, interior de São Paulo, quatro costureiras confeccionam oito mil máscaras de tecido, que estão sendo distribuÃdas entre a população mais vulnerável. Uma das voluntárias é a dona de casa Sirlei Veiga de Paula, de 50 anos, moradora do Jardim Casa Branca. Ela fazia aulas de ginástica na ONG, que está com os cursos suspensos, e foi convidada a reforçar o time de combate ao coronavÃrus. âSempre gostei de costurar, e quando me chamaram para ajudar a combater a epidemia da Covid-19, fui com eles. à muito bom poder estar sendo útil, em vez de ficar em casa, sem fazer nadaâ.
O projeto alia prevenção e geração de renda. As costureiras recebem uma ajuda de custo de 40 centavos por máscara. âEssa ajuda é muito bem-vindaâ, diz Sirlei. âMeu marido é pedreiro e está praticamente parado, quase não aparece trabalho. Então, esse dinheiro está nos ajudando muitoâ.
As costureiras trabalham na oficina de corte e costura da associação, das 8h à s 17h, e também recebem o almoço e um lanche, à tarde. âAs máscaras estão sendo distribuÃdas em uma embalagem de plástico, com um folheto, explicando, passo a passo, como higienizá-lasâ, garante Antonio Celso do Amaral Silva, presidente da Antônio José Guarda. Com a verba do fundo âEstamos nessa juntosâ, a associação também está adotando outras medidas de conscientização e prevenção, como a colagem de 50 cartazes e a distribuição de cinco mil frascos de detergente. Além disso, um carro de som rodou 53 bairros da Zona Norte da cidade, durante 40 horas, dando informações sobre a pandemia e sobre formas de combater o coronavÃrus. âà uma região extremamente carente e vulnerávelâ, afirma Antonio Celso.
A informação chega de bicicleta
Uma bicicleta com som percorre os becos e vielas mais estreitas da comunidade de Coelhos, no Recife, onde carros não conseguem entrar, levando informações sobre a pandemia e dicas de prevenção contra o coronavÃrus. Para alertar a população, também são colados cartazes em pontos de maior circulação de pessoas, como vendas e mercadinhos. Júlia Zidanes, gestora operacional da Pró-Criança, parceira do ICCB, já percebe que essas ações têm surtido efeito. âA maioria das pessoas está usando máscarasâ, diz. âMas a gente ainda vê muita gente nas ruasâ, lamenta. âAs casas são pequenas, não têm muita ventilação, as pessoas vão para a porta⦠à difÃcilâ.
Além das ações de prevenção, já começaram a ser distribuÃdas cestas básicas, com uma bandeja de ovos (30 unidades), feijão (2kg), arroz (2kg), açúcar (2kg), fubá (2kg), farinha (1kg), sal (1kg), óleo (1 garrafa), além de um pacote de macarrão, café, leite e bolacha. As cestas são acompanhadas de kits de limpeza (detergente, sabão em barra e água sanitária). âSão produtos que, muitas vezes, as pessoas não têm no dia-a-dia. Algumas moram em palafitas, sem água encanadaâ, acrescenta Júlia.
Até a semana que vem, serão doadas 450 cestas e 450 kits, só com a verba do fundo. âNossa equipe fez um levantamento das famÃlias com maior vulnerabilidade social, entre as cadastradas na ONGâ.
Uma das beneficiadas é Millene Cristine Freitas de Farias Silva, de 40 anos, mãe de um dos alunos do Coletivo Jovem de Coelhos. Manicure, ela atendia nas casas das clientes, e se viu sem trabalho, por causa da necessidade de distanciamento social. âEstou perdendo clientes. As pessoas estão com medo e eu tambémâ, conta. âEssa cesta básica apareceu em ótima hora, sou muito agradecida, porque a situação está muito difÃcilâ, relata ela, que mora com três filhos, entre 13 e 22 anos, e um neto, de dois anos.
Brasilândia unida contra o inimigo invisÃvel
Vestido com uma capa de TNT e usando protetor facial, Diego de Melo Barros, de 33 anos, percorre as vielas estreitas da Capadócia, com chão de barro e saneamento básico precário, pregando cartazes criados pelo Instituto Coca-Cola Brasil com dicas para evitar a propagação do novo coronavÃrus. âColamos mais de 300 na favela quase inteiraâ, diz Diego, presidente da associação Grande Vitória Capadócia. Naquela, que uma das comunidades mais pobres de Brasilândia, distrito na zona norte da capital paulista, vivem cerca de 1.500 famÃlias, em condições precárias.
Diego mora ali há nove anos, onde é dono de uma venda e criou um projeto social para ajudar os moradores mais necessitados. Sua associação faz parte de uma rede formada pela ONG Mensageiros da Esperança, parceira do ICCB em Brasilândia, para propagar as ações contra o coronavÃrus na região, com verba do fundo. âApoiamos mais de 21 instituições de pequenas comunidades do distrito, que é dividido em 41 bairrosâ, explica Verônica Machado, fundadora da Mensageiros da Esperança.
Entre as ações, ela enumera: distribuição de 4.500 cartazes; entrega de 325 kits de limpeza e 350 cestas básicas; e um carro de som que percorreu o distrito durante cinco semanas, duas vezes por semana, três horas por dia. Sessenta das cestas básicas foram para a Capadócia, ofertadas a pessoas mais vulneráveis, como idosos, pessoas com doenças graves, como câncer, e moradores de rua. âTambém recebemos 100 kits de limpeza para distribuirâ, conta Diego. A luta contra o inimigo invisÃvel continua, com reforço na informação. Ainda com verba do fundo âEstamos nessa juntosâ, estão previstas, até junho, mais duas semanas de carro de som percorrendo a Brasilândia e a distribuição de mais dois mil cartazes, com dicas de prevenção e um apelo: âVamos cuidar uns dos outrosâ.
Conteúdo publicado originalmente no site da Coca-Cola Brasil.
