Como todos, estou assistindo a como a vida de metade do planeta mudou drasticamente com o confinamento e as restrições impostas pela pandemia do coronavirus. Resumindo, em menos de um mês, tivemos que mudar nossa forma de viver. Desde como falamos, compramos, interagimos e nos divertimos até a forma como demonstramos carinho, amor e saudade. Saiu o contato fÃsico, cara a cara, olho no olho e entrou o contato virtual, digital, cibernético, online. De uma hora para outra, tivemos que transportar âtodo o nosso universoâ para dentro de casa. Incluindo o trabalho, o chamado âhome officeâ.
[g1_quote author_name=”Isabel Brandão” author_description=”Profissional da área de inovação” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Além de contribuir com os afazeres domésticos, temos que atender nossos clientes, nossos colegas, nossos chefes, mas também nossos pais, avós, parentes e amigos. à um perÃodo que traz incertezas e angústias para todo mundo
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Veja o que já enviamosApesar do privilégio (não disponÃvel para todos), instalar o escritório em casa, compartilhando a vida pessoal com a vida profissional, pode não ser tão simples como parece, sobretudo quando você não mora sozinho e quando isso pode durar perÃodos longos, como parece ser o caso agora.
âTransformei meu quarto em escritório e, por isso, fico com a portas fechadasâ, explica Isabel Brandão, profissional da área de inovação, que mora com o pai, aposentado. âParticipo de inúmeros calls durante o dia e, muitas vezes, saio rapidamente para beber uma água e ele tenta puxar conversa. Desconverso e saio de fininho.â à que a cozinha da casa, virou a copa ou a cantina do trabalho. Aquele espaço ideal para uma pausa. Só que quem frequenta não é o colega, mas são muitas vezes seus pais ou avós que querem âaproveitarâ de você, âque quase nunca para em casaâ.
No contexto atual, o home office exige esforço fÃsico e emocional. âAlém de contribuir com os afazeres domésticos, temos que atender nossos clientes, nossos colegas, nossos chefes, mas também nossos pais, avós, parentes e amigos. à um perÃodo que traz incertezas e angústias para todo mundoâ, explica Isabel.
O callfinamento e os babyzoomers
Se a mesa de jantar virou sala de reunião, o cardápio familiar inclui cada vez mais as ferramentas e a linguagem corporativa. âMãe, vamos estipular os objetivos da semana, não vai dar para fazer tudoâ, âVou te passar uma ferramenta para acompanhar o fluxo de caixa, estamos gastando muito com entregaâ, âVó, amanhã cedo, antes do meu primeiro call, te mando pelo slack uma receita de tortaâ. âPede pro meu pai baixar o aplicativo do supermercadoâ, âVamos marcar um almoço de Páscoa pelo Zoom? Manda o link pelo zap?â âà só copiar e colar.â
A pandemia criou o que o mundo corporativo chama de burning platform, algo como âestá pegando fogo, o jeito é agir!â E aÃ, não tem escolha: o âtio do WhatsAppâ vai ter que virar especialista em tecnologia, calls e em ferramentas como Zoom, Google Meet, Hangout e Slack! Ferramentas que, em menos de um mês, eram exclusivas do mundo corporativo, agora, viraram as queridinhas do cÃrculo social e familiar, de todas as idades.
Para os nascidos entre 1940 e 1960, a geração baby boomer, e até mesmo a anterior a ela, essa nova realidade tecnológica e virtual, exige esforços maiores. Se antes, muitos eram tecnofóbicos, limitando-se ao básico, e sempre pedindo ajuda para as tarefas mais âcomplexasâ, agora, o uso das novas ferramentas é a saÃda para aliviar a angústia e tensão decorrentes do confinamento e ganhar confiança e autonomia.
O medo de usar a internet e, em muitos casos, até mesmo a falta de acesso a um computador e provedor talvez expliquem a legião de idosos que ainda vemos na rua, indo ao supermercado ou ao banco pagar uma conta, expondo-se ao risco de contágio e infringindo as recomendações de prudência. Ou seja: estão indo contra tudo o que eles sempre nos disseram para ter: cuidado!
Para quem está confinado com idosos
Muitos idosos que moram sós, em outros bairros ou cidades, foram convidados a deixar suas casas e voltar a morar com filhos ou netos. Se esse convÃvio pode ser proveitoso, no contexto atual, ele exige ainda mais cuidados, paciência, dedicação e empatia. Isso evita o chamado âconflito geracionalâ.
Para os que seguem trabalhando de casa, a presença de idosos acrescenta um cuidado e atenção a mais, especialmente se eles não têm plena autonomia. Essa situação nem sempre é entendida pelo empregador, que tende a aceitar as limitações de quem tem que cuidar dos filhos pequenos que estão em casa, sem escola, mas minimiza a atenção que os idosos em casa requerem nesse contexto de pandemia. A solução é falar sobre o assunto e tentar sensibilizar gestores e colegas para uma atitude mais inclusiva.
Mas, nem tudo é sofrimento! Fim do expediente, sem a possibilidade do chopinho no bar, entra em cena o aperitivo virtual com os amigos no Houseparty
O Houseparty foi criado há quatro anos e, até um mês atrás, ocupava a 450° posição no ranking dos aplicativos instalados. Ocupava. Hoje, graças a realidade do distanciamento social, ele está na lista dos top 10, com mais de 2 milhões de utilizadores. Antes usado por adolescentes, o Houseparty ganhou adeptos de todas as idades pela facilidade de uso, custo zero e a possibilidade de diversão.
O princÃpio é o mesmo de organizar uma âfesta em casaâ. Você faz sua lista de convidados, envia os convites e pronto. Negativo. Mais que isso. A âfestaâ é aberta a qualquer um de seus contatos que tenham o aplicativo e a âamigos de amigosâ. Liberou geral! Bebida cada um leva a sua!
Enquanto alguns choram, outros vendem Kleenex
Se o mundo virou virtual, são as empresas da chamada indústria âstay-at-homeâ, que atendem pessoas que estão em casa, que estão bombando na crise. Enquanto empresas do mundo real, como a Disney, com um modelo de negócios baseado nos seus parques, cruzeiros e cinemas, perdeu 40% do seu valor em um mês, empresas como a Houseparty e a Zoom estão fazendo seus investidores brindarem âsaúdeâ ao Coronavirus. Enquanto as Bolsas despencavam no mundo, as ações da Zoom tiveram uma valorização de mais de 100% desde o inÃcio do ano.
Não é para menos. Estamos todos sofrendo do callfinamento. Agendas lotadas, todos muito ansiosos para saber navegar nas novas ferramentas e não parecer mais o âtio do WhatsAppâ.
Por isso, mesmo que você esteja aprendendo a se valer das ferramentas e gostando desse pseudo ambiente corporativo, preste atenção a pelo menos uma regra básica que é o check-in e o check-out. Ao âentrarâ na call ou no call, não sei como flexionar em gênero uma palavra em inglês, comece simplesmente perguntando como as pessoas estão. Tenha interesse real pelo estado das pessoas. Tente serenar a angústia que esses momentos de incerteza trazem. Afinal, o momento não está fácil para ninguém.
A gente tem que sair dessa crise valorizando coisas mais simples e pessoais. Que ela sirva para nos aproximar ao invés de nos afastar! Esse é, para mim, o maior risco.
Cuidem-se bem e fiquem em casa! Qualquer coisa, me chamem para um call!
