Doutor em QuÃmica e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas, José Marcos dos Santos Oliveira desenvolveu estudo para oferecer à sociedade um produto novo na área de saúde bucal. A partir de vários experimentos, o pesquisador chegou a uma formulação de resina composta, utilizada em restaurações dentárias, que é anticárie e com citotoxidade menor do que a resina comercial. âSignifica que ela vai dificultar o aparecimento da cárie e vai agredir menos a mucosa da gengiva e da bochechaâ, explicou o pesquisador.
O novo produto foi conseguido graças à adição de própolis vermelha, extrato produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais de Alagoas, que permitiu a resina enriquecida, revelando resultados inéditos. De acordo com o trabalho, ao incorporar a própolis vermelha à s resinas experimentais, houve âaumento da resistência técnica dos compósitosâ e das âregiões de ligações cruzadas na estrutura do compósitoâ. O resultado mostrou que a atividade antibacteriana frente ao Streptococus mutans – bactéria causadora de cáries â foi âcapaz de eliminar 90% das unidades formadoras de colônia após uma hora de contato direto, enquanto que a resina comercial não apresentou atividade antibacteriana significativaâ, com menos de 0,05 de referência.
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Veja o que já enviamosEsses números foram apresentados na banca de defesa da tese cientÃfica de Marcos Oliveira, antes da pandemia de covid-19. Com orientação do professor Josealdo Tonholo e co-orientação de Ticiano Nascimento, as especificidades do trabalho exigiram o apoio de outros laboratórios. âSozinho eu não ia conseguir. Estão envolvidos ICBS [Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde], Farmácia, QuÃmica, FÃsica, Ctec e Ifal [Instituto Federal e Alagoas], além de um laboratório de Piracicaba [São Paulo]. Essas colaborações foram de extrema importância pra o nosso trabalho ter chegado a esse resultado. Chegamos a uma formulação hoje que tem essas caracterÃsticas, mas o trabalho não para por aqui, ainda tem muita coisa a ser aproveitada. Ainda tem muita coisa a se fazerâ, ressaltou.
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A conclusão da pesquisa deu a Marcos Oliveira o tÃtulo de doutor em QuÃmica e Biotecnologia, aos 28 anos de idade. O incentivo veio dos irmãos mais velhos e ele encontrou apoio na Universidade Federal de Alagoas, onde estuda desde 2009. Emendando graduação, mestrado e doutorado, Marcos conta que a semente para a pesquisa foi plantada durante as experiências no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação CientÃfica (Pibic), já no segundo perÃodo do curso de Farmácia.
âDesde 2009, o professor Ticiano me deu o projeto de própolis para tocar. Essa oportunidade foi primordial, porque eu aprendi a entrar num laboratório, fazer perguntas, pesquisar e lutar para responder essas perguntas. E com o professor Ticiano e o professor Tonholo ,eu aprendi a aplicar o conhecimento dessas perguntas para o desenvolvimento de produtosâ, comentou o pesquisador.
Filho de um vendedor de Palmeira dos Ãndios e de uma costureira de São Miguel dos Milagres, Marcos Oliveira tem seu nome assinado em três patentes depositadas, duas patentes publicadas e sete artigos cientÃficos, só com os resultados do trabalho durante o doutorado. Um deles, na revista Scientific Report, do grupo Nature, referência mundial em ciência.
O jovem doutor não esconde a felicidade em ter chegado até esse ponto da pesquisa e enfatiza que esse é só o começo do caminho. âEu quero me colocar à disposição da sociedade alagoana para contribuir. Eu recebi esse investimento, então quero retribuir com o maior empenho para formar pessoas, seguir a docência, pesquisa e desenvolvimento de produtosâ, afirmou Marcos Oliveira.
*Ascom/Universidade Federal de Alagoas
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”none” size=”s” style=”solid” template=”01″]A série #100diasdebalbúrdiafederal terminou, mas o #Colabora vai continuar publicando reportagens para deixar sempre bem claro que pesquisa não é balbúrdia.
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