(Ilustrações de Claudio Duarte) – Para começar, as boas notÃcias: estamos mais perto do fim do que do começo da longa jornada de perdas e privações imposta à humanidade na pandemia. As vacinas cumprem seu papel e, conforme vão sendo aplicadas na população, casos e óbitos da covid-19 diminuem. A ciência também avançou rapidamente no conhecimento do coronavÃrus e sabe hoje da eficiência de máscaras, da importância da ventilação dos ambientes, do valor da higiene das mãos.
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Mas chegar de verdade ao fim da odisseia ainda impõe muitas obrigações. Para atualizar o corolário de precauções e protocolos na crise sanitária, o #Colabora apresentou 15 atos do cotidiano ao pesquisador Carlos Machado, coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, que orienta como proceder, a partir das duas doses de vacina aplicadas.
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Veja o que já enviamos(Antes, convém lembrar que o efeito da proteção não é imediato. Infelizmente, não dá para tomar o caminho do botequim, do baile funk ou da praia. O corpo humano leva, em média, 14 dias para produzir a resposta imune, nome técnico da proteção contra o coronavÃrus. Assim, calma!)
Um por um, movimentos e precauções para quem tomou as duas doses da vacina.
Usar transporte público (trem, ônibus, metrô, BRT)
âà fundamental usar a máscara, pelo risco de transmitir e ser infectado. Deve ser sempre a melhor máscara possÃvel, ou as do modelo N95/PFF2 ou as de pano com três camadas. Se possÃvel, os veÃculos devem trafegar com meia lotação, no máximo. Nos transportes na superfÃcie, o ideal é que as janelas estejam abertas.â
Caminhar ao ar livre, em lugares como o Parque Madureira, o Ibirapuera, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Calçadão da Barra (Salvador)
âSem muita gente por perto (de manhã bem cedo ou à noite), dá até para abrir mão da máscara, especialmente quem não mora com idosos ou portadores de comorbidades. Com a presença da variante Delta, não convém se arriscar em aglomerações, mesmo pequenas. Nos ambientes abertos, como os citados, a transmissão é menor, mas não é nula.â
ExercÃcios ao ar livre
âNos exercÃcios de performance, como corridas, é dispensar a máscara, se não houver gente por perto. Caso contrário, melhor usar a máscara. Em esportes coletivos, como peladas ou futevôlei na praia, recomendo a máscara cirúrgica.â
ExercÃcios em academia
âSempre com máscara e mantendo distanciamento dos outros alunos, na medida do possÃvel.â
Ir à praia
âDepende também do horário. A praia naquele estilo carioca, lotado em domingos de sol, ainda é impensável. Mas em horários que possibilitem ficar sem outras pessoas por perto â de manhã cedo ou no fim da tarde, por exemplo â dá para ir.â
Ir a bar ou restaurante
âSó em ambientes abertos, com mesas distantes umas das outras e o lugar mais vazio possÃvel, porque é necessário tirar a máscara para comer e beber. Não dá nem para passar perto de restaurante com fila.â
Ir a shopping center, supermercado ou farmácia
âNecessário ficar de máscara o tempo inteiro, por serem ambientes fechados, com refrigeração.â
Compras em lugares abertos como feiras livres, Saara ou 25 de Março
âApesar de não serem lugares fechados, a máscara deve ser usada o tempo todo, pela quantidade de pessoas. Muita gente circulando aumenta o risco de transmissão.â
Ir ao cabeleireiro
âO ideal é cliente e cabeleireiro ficarem de máscara bem ajustada o tempo todo Quando for cortar perto da orelha, a pessoa deve segurar a máscara bem firme contra o rosto. Se possÃvel, o salão tem que manter portas e janelas abertas.â
Ir a cinema, teatro ou museu
âAinda não é o momento. Estamos com mil óbitos por dia. Precisamos esperar mais um pouco.â
Ir a estádio de futebol
âIdealmente, com público reduzido, de máscara e vacinação comprovada, seria possÃvel. Mas sabemos que não é assim que funciona. à da natureza da torcida gritar, se abraçar, se aglomerar para entrar e sair. Mesmo sendo local aberto, há muitos riscos.â
Boates, festas e eventos de música, como ensaios de escola de samba e bailes funk
âNão pode. Não é o momento mesmo. Nesses eventos, as pessoas ficam juntas por muito tempo, bebem, comem, dançam, não há como usar máscara. Não é adequado no cenário atual.â
Procedimentos médicos eletivos ou de rotina
âDepende do local e da estrutura do consultório. Mas as pessoas precisam se planejar para ir à s consultas, porque a descontinuidade de tratamentos é um efeito colateral cada vez mais importante da pandemia. Não dá para adiar mais.â
Ir ao dentista para atendimento de rotina
âDentistas estão entre os profissionais que mais se protegem, pela natureza de seu trabalho, desde o inÃcio da pandemia. Então, é possÃvel retomar â e deve ser feito o quanto antes.â
Receber pessoas em casa
âDepende. Se não há idoso na casa e todos estão vacinados, é possÃvel. Mas não pode ser muita gente. E as janelas precisam ficar abertas, para melhorar a circulação de ar.â
O pesquisador alerta que a pandemia parece estar fazendo a volta, exumando panorama semelhante ao do inÃcio da crise. âA vulnerabilidade de idosos e dos portadores de comorbidades ficou mais evidenteâ, atesta. âMesmo com a vacina eles não estão totalmente imunes e podem evoluir para casos graves. A vacina reduz as possibilidades da doença, mas não elimina totalmenteâ, sublinha Machado.
Aqui, há mensagem importante: as vacinas não geram proteção absoluta, definitiva. âA ânsia de propagar a eficácia das vacinas gerou a ilusão de proteção totalâ, pondera o pesquisador. âO cenário ainda é de muita vigilância e precaução. Mas falta poucoâ, anima-se . âEstamos num momento de transição e a vacinação vai se ampliar nos próximos dois mesesâ.
