Um programa inovador que educa corações e mentes, desenvolvido pela Universidade Emory, de Atlanta, no estado da Georgia (EUA), desembarcou no Brasil, após ser implantado em escolas de vários paÃses com resultados positivos. à o âAprendizagem Seeâ, um currÃculo criado por especialistas em Psicologia, Educação e Neurociência do Centro de Ciência Contemplativa e Ãtica Baseada na Compaixão da universidade norte-americana. Esse método foca no cultivo das competências sociais e emocionais.
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Veja o que já enviamosA elaboração desse currÃculo educativo contou com a orientação de Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, lÃder Budista tibetano que vive no Norte da Ãndia. Mas o programa independe de o aluno ter religião ou não. O método, que inclui temas como o treinamento da atenção, o cultivo da autocompaixão e da compaixão por outros, tem sido aplicado há dois anos em salas de aula nos EUA, Europa e Ãndia com alunos de cinco a 18 anos.
[g1_quote author_name=”Brandon Ozawa” author_description=”Coordenador do programa Aprendizagem See na Universidade de Emery” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]O currÃculo incorpora o que há de melhor nos diferentes pensamentos pedagógicos, que incluem aprendizado emocional e social, mindfulness, e paz na educação. Não precisamos usar a religião para chegar a valores humanos básicos, como compaixão, perdão e generosidade
[/g1_quote]O currÃculo baseia-se na constatação de que uma educação completa deve ajudar os alunos a cultivar caráter e discernimento ético, e não meramente habilidades práticas. Brendon Ozawa, diretor do programa na Universidade Emory, explica que ele é adaptável a diversas culturas.
âO currÃculo incorpora o que há de melhor nos diferentes pensamentos pedagógicos, que incluem aprendizado emocional e social, mindfulness, e paz na educação. Não precisamos usar a religião para chegar a valores humanos básicos, como compaixão, perdão e generosidadeâ, diz Ozawa, que é formado em Pedagogia, com especialização em emoções na pesquisa de meditação.
âNão se trata apenas de contar à s pessoas que é preciso ser bom. Os estudantes investigam e eles mesmos entendem que é mais produtivo ser compassivoâ, contou.  Ozawa dirigiu, em São Paulo, um workshop entre os dias 10 e 14 de Agosto, no Colégio Sidharta, no municÃpio de Cotia, do qual participaram 80 educadores brasileiros e representantes de ONGs ligadas à educação.
Os educadores brasileiros se mostraram muito interessados em questões mais profundas relacionadas ao programa, como a sua base filosófica, que tem dois pilares: a humanidade e a interdependência. âTodos queremos ser felizes, mas somos interdependentes. Não podemos ter felicidade independentemente dos outrosâ, explicou Ozawa.
[g1_quote author_name=”Tsewang Phuntso” author_description=”Diretor da Tibet House Brasil” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]A ideia é formar novas gerações mais confiantes e emocionalmente mais compassivas. Daà a necessidade de currÃculos escolares que trabalhem a inteligência emocional, social e ética
[/g1_quote]Após mais de 20 anos de diálogo com cientistas e educadores, o Dalai Lama pediu à universidade para criar um programa de ética e valores humanos fundamentado no bom senso, na experiência compartilhada e na comprovação cientÃfica, explicou Tsewang Phuntso, diretor da Tibet House Brasil, sediada em São Paulo, e representante do lÃder budista na América do Sul.
O primeiro teste experimental foi feito com crianças de rua de Dharamsala [cidade no Norte da Ãndia, onde vive o Dalai Lama], contou Phuntso. âA ideia é formar novas gerações mais confiantes e emocionalmente mais compassivasâ, explicou.  As razões para os problemas sociais que afligem as sociedades, como violência e degradação ambiental, estão relacionadas a valores dos seres humanos. âDaà a necessidade de currÃculos escolares que trabalhem a inteligência emocional, social e éticaâ, acrescentou Phuntso.
[g1_quote author_name=”Renata Moura” author_description=”Coordenadora pedagógica do Centro Universitário Uniamérica” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Temos 60 adultos no nosso centro e queremos trabalhar esse programa com eles também. à preciso trazer outras memórias, de amor, de afeto, de compaixão. A metodologia é muito rica; não se trata de falar sobre empatia, mas vivenciá-la
[/g1_quote]O método já conta com facilitadores em escolas parceiras nas Américas, na Europa, no Sul da Ãsia e no Oriente Médio. O primeiro paÃs da América do Sul a entrar no projeto foi o Chile, onde 70 educadores já participaram dos workshops. Em setembro, foi a vez da Colômbia.
Apesar de ser utilizado em escolas desde 2017, foi em abril deste ano que houve o lançamento internacional do programa, em um evento em Nova Délhi, capital da Ãndia, com a presença de representantes de 37 paÃses e de especialistas como Daniel Goleman, autor do livro âInteligência Emocionalâ e do prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi, que dedica a sua vida à defesa dos direitos das crianças. Cinco mil escolas governamentais da Ãndia já aplicam o programa.
Mário Valle, coordenador do Programa de Desenvolvimento Educacional do Senac, com 4.500 professores e 60 unidades no estado de São Paulo, disse que vai aplicar a experiência no ensino médio da rede. âEu gostei muito da metodologia construtivista. A gente não dá aula sobre os temas, mas constrói com os alunos os conceitos a partir da experiência. à um programa de autoconhecimento e compaixão plena. O aluno passa a ter perspectiva de acolhimento do outro como ele éâ, afirmou.
Renata Moura, coordenadora pedagógica do Centro Universitário Uniamérica, de São José dos Pinhais (PR), que também participou do workshop, contou que pretende assumir um desafio: aplicar o método com adultos. âTemos 60 adultos no nosso centro e queremos trabalhar esse programa com eles também. à preciso trazer outras memórias, de amor, de afeto, de compaixão. A metodologia é muito rica; não se trata de falar sobre empatia, mas vivenciá-laâ, opinou.
Paulo Thiago Santos Gonçalves, professor de História na Unidade de Internação Provisória de São Sebastião, em BrasÃlia, trabalha com meninos entre entre 13 e 18 anos de idade. Ele conta que ao conhecer este programa por uma plataforma online, começou a aplicar o primeiro capÃtulo, intitulado âCriando bondade e compaixãoâ. No total, são sete lições. Deu certo.
âFoi fantástico como esse método criou um ambiente de diálogo e segurança. Os alunos reagiram de forma positiva com choro, abraços e muita empatia, em um ambiente masculino que normalmente encara a emoção como fraquezaâ, lembrou Gonçalves, que coordena projetos pedagógicos na unidade. âEu acho muito importante implantar a educação emocional nas escolas brasileiras, é uma necessidade urgente. Espero que esse programa se espalhe pelo paÃsâ, disse Gonçalves.
